Site Línguas Indígenas Brasileiras, de Renato Nicolai < knewman@altavista.net >
Capítulo 28
ALTO JURUENA
por Julio Cezar Melatti
Revisto em 10-11-97
| Voltar ao Sumário de Índios da América do Sul |
Nesta área reunimos algumas sociedades de culturas e
línguas muito diferentes entre si: do tronco macro-jê (ricbactsa, umutina), da
família aruaque (pareci, salumã), da família nambiquara, de língua não
classificada (iranxe, muncu). Vale perguntar então pelo motivo de os incluirmos
numa mesma área etnográfica. A mera contigüidade espacial, pois a maioria vive
nas margens do alto Juruena ou dos rios que para ele correm, ou dos rios que
dele divergem a partir da serra dos Parecis (altos cursos do Ji-Paraná, Guaporé
e Paraguai), não seria razão suficiente. O que parece articular essa área é não
apenas o contato entre as diferentes sociedades, mas um contato que se faz sob
a orientação da sociedade branca hegemônica. Assim, no início do século XX, a
atuação de Rondon contribuiu para articular os parecis, trabalhadores das
linhas, com os nambiquaras, freqüentadores das estações telegráficas. Depois a
missão jesuítica atuou junto a eles e mais os iranxes e ricbactsas, cujas
crianças também eram internadas em sua escola.
Três séculos de contato
A dissertação de mestrado
de Romana Maria Ramos Costa (1985) nos dá um excelente panorama da cultura e
organização social dos parecis e de suas relações com os brancos desde o século
XVIII. A colonização de Mato Grosso foi presidida pela sucessão de três centros
de mineração: Cuiabá, Vila Bela e Diamantino. Com o esgotamento do ouro de
Cuiabá, sua população se voltou para o apresamento de índios, sendo
especialmente visados os parecis. A partir de 1731 descobre-se ouro no alto
Guaporé, o que culmina com a fundação de Vila Bela da Santíssima Trindade em
1752, como sede da recém-criada capitania de Mato Grosso. Os parecis
continuaram a ser procurados como escravos e também como fornecedores de
alimentos. O governo real, entretanto, pretendia um outro tratamento para os
parecis, em termos mais amistosos, uma vez que sua incorporação à sociedade
colonial contribuiria para reforçar a posição portuguesa diante dos vizinhos
espanhóis. Mas no fim dos século XVIII Vila Bela já estava em decadência e em
1805 o governo regulamenta e permite a exploração de diamantes, cujas minas
entre as cabeceiras do Arinos e do Paraguai já estavam descobertas desde 1728.
Os parecis são requisitados para trabalhar nas minas e também na navegação do
rio Tapajós. No terceiro quartel do século XIX a mineração em Diamantino se
esgotava (Costa 1985: 201-8).
Mas as terras parecis
eram ricas em seringueiras que logo se
passam a explorar no último quartel do século XIX com a incorporação da
mão-de-obra indígena às atividades extrativas ou a sua expulsão e aniquilamento.
Também se intensifica a extração da poaia, ipeca ou ipecacuanha, um arbusto
cuja raiz contém um alcalóide utilizado na fabricação de expectorantes,
vomitivos, e também no tratamento da desinteria amebiana. Era possível combinar
a extração da borracha com a da poaia, a primeira realizada na estação seca e a
segunda na chuvosa. Se o período de intensa exploração da borracha termina na
segunda década do século XX, a extração da poaia chega a seu final nos anos
setenta do mesmo século. Apesar de o sistema de aviamento aplicado à extração
da borracha acabar por ter sido extendido também à da poaia, este último tipo
de atividade deixava os índios mais à vontade, uma vez que extraiam as raízes
sustentados com os alimentos da própria aldeia, sem fazer dívidas com o
barracão, que só procuravam para vender o produto e fazer compras com o
rendimento já obtido. Além disso, o empresário da poaia não tinha interesse na
terras indígenas (Costa 1985: 210-228).
A partir de 1907, os
parecis entram em contato com a Comissão Construtora de Linhas Telegráficas que
de certo modo impõe algum tipo de controle na ação dos seringalistas sobre eles
(Costa 1985: 229-236). Encerrando suas atividades em 1930, cede lugar à atuação
da missão jesuítica, que atuou sobre o índios de modo bastante coercitivo, com
o estabelecimento de um internato, onde era proibido o uso da língua indígena,
sendo que também o comportamento dos adultos era severamente controlado, com
missa diária obrigatória, indicação das tarefas a serem realizadas, constante
supervisão do trabalho, puritanismo exacerbado, regras de casamento indígena
desafiadas por causa da desaprovação da Igreja dos casamentos de primos.
Somente com a nova orientação resultante do Concílio Vaticano II os
missionários vão reformular sua atuação, começando pelo fechamento do internato
e a desativação da sede da missão em Utiariti, com o reencaminhamento às
aldeias de uma porção de jovens que, por viverem fora delas e com outra
orientação por tantos anos, já não se adaptavam à vida que nelas se levava. Os
missionários, aos quais agora se acrescentavam os leigos, entraram em uma fase
de desacertos, sobretudo quanto a projetos econômicos na tentativa de acharem
um novo caminho de atuação (Costa 1985: 237-289). Houve também uma tentativa protestante
frustrada da South American Indians Mission (: 290-7) e outra mais bem sucedida
do Summer Institute of Linguistics, sobretudo porque seus agentes procuravam
não se intrometer nas tomadas de decisões dos indígenas e somente atuavam nos
assuntos para os quais eram solicitados (: 297-301). A FUNAI somente começou a
atuar diretamente com os parecis da partir da década de Oitenta. Sua ação em
defesa das terras parecis foi tímida e até no sentido de desestimular as
reivindicações. Somente as exigências do Banco Mundial como condição para seu
apoio ao projeto Polonoroeste é que resultaram numa atuação mais efetiva do
órgão governamental (: 303-318).
A partir dos anos
Sessenta, migrantes do sul do Brasil têm entrado na região, dando início ao
estabelecimento de agro-pecuárias, que começam com o plantio do arroz, para
aproveitar a concessão de créditos do Banco do Brasil, para posteriormente,
quando têm a estrutura montada, passarem à pecuária. Tal migração e as novas
atividades a ela associadas levaram ao aparecimento de novos núcleos urbanos e
fizeram crescer a população dos antigos. Os parecis passaram a trabalhar
eventualmente, através de "gatos" (recrutador de trabalhadores)
conhecidos em atividades temporárias em agro-pecuárias com as quais também estavam
familiarizados e a servir-se dos núcleos urbanos próximos para fazer suas
compras (Costa 1985: 319-332).
Além disso, foi aberta a
rodovia Cuiabá-Porto Velho, que, num primeiro traçado, passava pela borda
meridional da reserva indígena. Por sugestão do pesquisador do Summer Institute
of Linguistics, os parecis começaram a confeccionar espanadores de penas de ema
para vender nos pontos de parada de ônibus e caminhões. Aos espanadores se
foram acrescentando artefatos de uso tradicional entre os parecis, mas
confeccionados de modo a atender ao gosto dos compradores e levando em conta
que os ostentarão nas paredes e móveis de suas casas, sem intenção de operar
com eles. Vale notar que os parecis não começaram a fazer artefatos
mal-acabados para os compradores. Mantiveram o capricho num artesanato que se
destinava a outros objetivos. Em sua língua distinguem com termos diferentes o
artesanato destinado a uso próprio daquele destinado à venda. Costa (1985:
333-394) dedica um número significativo de páginas de sua dissertação à
confecção e comercialização do artesanato.
Os "índios de Rondon"
Habitantes do divisor
que separa as águas que correm para o rio Paraguai, ao sul, das que correm para
o Juruena e seus afluentes, ao norte, os parecis, a partir do início do século
XX, prestaram auxílio à comissão, dirigida pelo então Tenente-coronel Rondon,
encarregada de instalar a linha telegráfica entre Cuiabá e Porto Velho.
Considerados como de índole pacífica, dóceis e mais capazes, os parecis foram
recrutados como trabalhadores braçais da comissão, tiveram seus filhos
internados em escolas, vários dos quais empregados posteriormente como
guarda-fios e telegrafistas.
A tese de Maria Fátima
Roberto Machado (1994) lida com as lembranças de velhos parecis trabalhadores
das linhas telegráficas, suas mulheres e descendentes, hoje moradores no posto
indígena Umutina, junto ao lugar onde o rio Bugres desemboca no Paraguai, e
principalmente na cidade de Cuiabá. Contrasta o seu culto de Rondon, como homem
forte, justiceiro, amigo dos índios, criador de uma nova ordem na região, com,
por outro lado, a consciência da situação em que foram deixados, obrigados a
abandonar suas terras invadidas por fazendeiros, vivendo nos lugares mais
pobres, sustentados por aposentadorias irrisórias.
Os depoimentos dos
"índios de Rondon" — assim ela os chama — revelam como reinava o
arbítrio nas relações entre os membros da comissão e os índios, como a
imposição do internato às crianças (Machado 1994: 181-184), o arranjo de
casamentos impostos aos jovens, imposição dos cemitérios (: 324), a rígida
disciplina e trabalho duro e contínuo, tudo em favor da manutenção das linhas
telegráficas. A disciplina rígida era aplicada também aos soldados e
trabalhadores não-índios. Dentre os últimos, muitos foram conduzidos à região
por terem participado da Revolta da Chibata, no Rio de Janeiro, além de
trabalhadores aprisionados durante o estado de sítio. Apesar de terem
concorrido para extinguir a pena da chibata das forças armadas, este castigo
físico continuava a lhes ser aplicado junto às linhas telegráficas (: 228-231).
Tudo isso se devia ao empenho de não deixar dispersar a rara mão-de-obra
necessária aos penosos trabalhos de duas grandes obras, a linha telegráfica,
terminada em 1915, e a estrada de ferro Madeira-Mamoré, terminada em 1912. Duas
obras, ironicamente, de importância efêmera, devido à crise da exportação da
borracha, ao aparecimento de outras alternativas de ligação da Bolívia com o
oceano, como a construção da estrada de ferro Noroeste do Brasil (: 223), sem
contar a invenção da rádio-telegrafia.
A situação dos
trabalhadores indígenas se foi agravando, principalmente após a extinção da
comissão Rondon em 1930. À medida que os funcionários brancos iam abandonando a
região, a transmissão de mensagens e o cuidado da manutenção das linhas iam
ficando nas mãos dos índios, cada vez mais assoberbados de trabalho,
abandonados, com seus salários entregues a procuradores em Cuiabá,
transformados em parcos mantimentos pelos comerciantes que de lá os forneciam. Assim,
pouco a pouco as estações telegráficas foram sendo desativadas e abandonadas,
desaparecendo no início da década de cincoenta. No final dos anos oitenta, os
antigos parecis das linhas telegráficas, seus filhos e netos somavam mais de
250 pessoas em Cuiabá (Machado 1994: 286), lugar para onde aqueles tinham
migrado.
No final dos anos
trinta, já estavam se instalando os missionários jesuítas, que terão papel
destacado nas relações com os índios da área em tempos mais recentes (Machado
1994: 258-266). Ao transferirem a sede da missão de Juruena para Utiariti, os
índios nambiquaras que acompanhavam os missionários foram vitimados pelo
sarampo: uma maloca de cem índios foi reduzida à sua quinta parte (: 264). Os
parecis de Utiariti foram então retirados pelo SPI e transferidos para o Posto
Fraternidade Indígena, hoje chamado Umutina. Atualmente filhos e netos dos
casamentos de parecis com umutinas falam português e não mostram vestígios
culturais indígenas (: 55-57). Por sua vez, o internato criado pelos jesuítas
em Utiariti reuniu inicialmente algumas crianças levadas de uma aldeia do rio
Verde (: 281).
No auge da ação da
comissão das linhas telegráficas, em 1912, a região foi visitada por Roquette
Pinto, pesquisador que veio a se tornar famoso por sua atividade e influência
em diferentes áreas intelectuais: antropologia física, etnologia, literatura,
educação, pioneirismo na rádio-difusão e no cinema educativo. Seu livro Rondônia
teve várias edições. O etnólogo alemão Max Schmidt, visitou a região em 1910,
1924 e em 1927-1928 (Machado 1994: 61, 179, 329). Os parecis foram um dos
poucos grupos em que fundamenta seu trabalho sobre os aruaques (Schmidt 1917).
Já na época da decadência da linha telegráfica, a região volta a ser objeto de
atenção de um outro etnólogo, jovem professor da Universidade de São Paulo, que
mais tarde viria a se tornar conhecido mundialmente: Claude Lévi-Strauss.
A cultura pareci
Os parecis, cuja
auto-denominação é Halíti, dividiam-se pelo menos em cinco grupos, muito
provavelmente de caráter regional: Warére, Káwali, Kazíniti,
Wáimare e Kozárini. Os dois primeiros contam hoje com apenas
alguns remanescentes (Costa 1985: 50). Os dois seguintes foram aqueles que
tiveram suas terras invadidas pelos extratores de borracha e os recrutados como
trabalhadores da comissão Rondon; eles é que foram transferidos para o posto
Umutina e migraram para Cuiabá com a decadência das linhas telegráficas. O
último, os Kozárini, também conhecidos como cabixis, mantiveram-se
relativamente afastados, começando a serem trazidos a um contato mais próximo
com os brancos a partir da instalação da missão jesuítica. Hoje, conforme Costa
(1985: 57), os Kozárini constituem 80% da população pareci. Dos 23
grupos locais parecis, eles não são majoritários apenas em três, onde o são os Wáimare
(: 73). A partir do século XIX, a população regional estendeu o termo cabixi
aos nambiquaras (: 54).
Em 1981, os parecis eram
em número de 553 pessoas distribuídas em 23 aldeias; em 1910 eram 340 em 12
aldeias (Costa 1985: 113). Por conseguinte, apesar de a população ter
aumentado, a média por aldeia se manteve a mesma, até diminuiu um pouco. Cada
aldeia tem em geral duas casas, além da casa das flautas, também conhecida como
"casa da jararaca", entre as quais se estende um pátio. O grupo
doméstico que ocupa cada casa se distribui em três gerações, sendo que o casal
mais velho pode ter junto a si tanto genros como noras, uma vez que após o
casamento tanto o marido pode ir morar na casa da esposa, como o contrário. Os
parecis distinguem duas categorias de parentes, os verdadeiros ou legítimos e
os de longe ou de consideração (Costa 1985: 88-94), isto é, os próximos e os
distantes. Os primeiros sabem traçar entre si as relações genealógicas,
repartem entre si os alimentos, concedem-se mutuamente hospitalidade, cooperam
na subsistência, na construção de casas e emprestam uns aos outros instrumentos
de trabalho. Os parentes próximos casam-se preferencialmente entre si,
apoiam-se mutuamente nos jogos de bola de mangaba, consomem juntos num ritual a
primeira mandioca colhida de uma roça, ajudam-se nos preparativos dos demais
ritos. As aldeias que surgem da fragmentação de uma aldeia anterior mantêm
entre si a relação de parentesco próximo, de modo que é possível identificar
conglomerados de aldeias irmanadas, como Costa faz numa mapa (: 115). Cada
aldeia é dirigida por um líder, o primeiro a construir casa ali, e, no passado
havia líderes que presidiam a conglomerados de aldeias (Costa 1985: 157-166).
Costa (1985: 94-98)
considera a terminologia de parentesco pareci como dravidiana, o que significa
admitir uma divisão da sociedade em parentes e afins, de tal modo que o afim de
um afim seja um parente. Como, entretanto, o casamento de faz entre parentes
próximos, é possível que estejamos diante da situação muito freqüente entre
sociedades indígenas sul-americana, como os trabalhos de Eduardo Viveiros de
Castro têm mostrado, em que a dicotomia rígida parentes/afins é matizada pela
gradação de proximidade.
Costa descreve com
detalhes a festa de chicha (: 167-192), nome regional, certamente de origem
boliviana, aplicado a uma bebida fermentada feita de polvilho torrado de
mandioca brava e água. De iniciativa dos moradores de uma aldeia, a eles vêm se
juntar, nos preparativos os moradores de aldeias do mesmo conglomerado. Além da
mandioca e da carne de caça, é preciso fumo de rolo, que é comprado na cidade.
As aldeias onde se concentram os parentes distantes são as convidadas. O número
de convites vai depender da quantidade de alimento e bebida que vierem a ser
obtidos. Vários atos da festa lembram seus similares em áreas etnográficas
próximas: o recebimento cerimonioso do mensageiro que traz o convite, a espera
dos convidados a alguma distância da aldeia anfitriã até serem buscados com a
oferta de bebida e cigarros, a agressão ritual às casas da aldeia anfitriã, o
oferecimento de chicha aos homens convidados até que tenham de vomitar (as
mulheres podem atirar fora o restante depois de terem bebido um pouco). Nestas
festas de chicha pode se realizar o ritual de nominação de um homem por um
parente próximo da segunda geração ascendente; pode ocorrer também o final da
reclusão de uma moça que esteja passando pelo rito de puberdade. Se a festa de
chicha se realiza para marcar uma primeira colheita, ela tem porte menor e
somente os parentes próximos são convidados, sendo omitidas as agressões
rituais.
Os aruaques
É digno de nota que
autores de gerações sucessivas vêm mantendo acesa uma discussão de problemas relativos
aos tupis. Desde os anos quarenta também há uma série de questões relativas aos
jês. A discussão sobre os caribes se iniciou nos anos Setenta. E mais
recentemente há um debruçar sobre os problemas panos. Mas sobre os aruaques
parece haver apenas o trabalho de Max Schmidt de 1917; depois dele, não mais se
voltou a discutir os aruaques como um todo. Certamente o trabalho de Schmidt se
ressente da precariedade dos dados da época. Mas o importante a apontar aqui é
que ele está baseado principalmente em sua própria experiência pessoal com os
parecis. É certo que ele recorre a dados sobre os aruaques do noroeste da
Amazônia, do Chaco, do alto Xingu, da área Juruá-Purus, porém o faz de modo
parcimonioso.
Atualmente, os aruaques
mais setentrionais são os guajiros, na península que tem seu nome, no extremo
norte da América do Sul (outrora ainda havia aqueles mais ao norte, nas
Antilhas); os mais meridionais são os terenas, de Mato Grosso do Sul; os mais
ocidentais são aqueles que vivem onde a parte mais a sudoeste da floresta
Amazônica toca os Andes, no Peru (estes não são nem uma vez referidos no
trabalho de Schmidt); e os mais orientais são os do alto Xingu. São bem
diferentes culturalmente uns dos outros, mas Schmidt explica essas diferenças
atribuindo aos aruaques a propensão dominarem outros grupos econômica e
administrativamente inserindo-se como uma camada hierarquicamente superior,
deixando os subalternos manterem as peculiaridades culturais que lhes fossem
adaptativas e não desafiassem sua dominação. Tal propensão dos aruaques parece
ter derivado de uma interpretação equivocada de Schmidt de certas relações que
se davam no seio dos parecis, entre chefes de grupo local e demais moradores,
ou de homens com mulheres capturadas dos nambiquaras. Outras características
comuns aos aruaques seriam segundo ele uma agricultura bem desenvolvida e a
navegação.
É provável que hoje, com
a multiplicação das etnografias seja possível tentar uma retomada da problemática
aruaque. De qualquer modo, o trabalho de Max Schmidt valeu como uma crítica à
teoria dos círculos culturais, prestigiada na época, sobretudo pelo abandono da
idéia da difusão da cultura pelo deslocamento de grandes massas de migrantes.
Os nambiquaras
Conforme David Price
(1978a), os nambiquaras falam três línguas ininteligíveis entre si, mas
interrelacionadas, isto é, da mesma família: nambiquara do norte, nambiquara do
sul e sabanê. No começo do século XX, a primeira se estendia pelos afluentes da
margem direita do alto Guaporé, no atual estado de Mato Grosso, e pelos
afluentes da margem esquerda do rio Juruena; a segunda, pela fronteira atual
dos estados de Rondônia e Mato Grosso, desde os rios Cabixi e Piolho, afluentes
do Guaporé, até o Roosevelt e o Tenente Marques, ou seja, alcançando o que é
hoje a parte meridional do complexo terras indígenas do Aripuanã; a terceira,
nas cabeceiras dos formadores do Ji-Paraná. Cada uma dessas línguas se
manisfestava em dialetos mutuamente inteligíveis que se distribuiam conforme as
ramificações da rede hidrográfica, que orientava também o relacionamento entre
os grupos locais. Os nambiquaras não davam nomes aos seus grupos locais ou a
seus agregados regionais, de modo que as denominações que depois surgiram o
foram devido às exigências do contato com os brancos. No quadro sinótico da
família lingüística nambiquara fazemos um resumo da classificação de Price,
assinalando também aquelas denominações que estão presentes em Povos
Indígenas no Brasil — 1991/1995 (PIB). Vale notar que nessa publicação
aparecem denominações não presentes no trabalho de Price: erihitaunsu,
idalamare, ilaklore, kalunhwasu, qualitsu, sayulikisu, uaihlatisu, waikisu,
alakatesu, hoskokosu (PIB: 578). Há também o termo katitawlu (PIB: 578), que
parece corresponder a katditulhú, autodenominação dos nambiquaras do rio Sararé,
conforme Price (1987: 23, nota 11), em artigo no qual usou uma outra grafia
para escrever os nomes nambiquaras.
Price (1978a: 31), numa
inspeção simples comparou o sabanê com línguas de grupos vizinhos
não-nambiquaras e achou 37% de cognatos comuns com o massacá, 32% com o canoê,
28% com o salamãi e 13% com o cinta-larga. Com base nisso, considerou que não
será surpreendente se no futuro, o massacá, o canoê e o salamãi vierem a ser
incluídos na família nambiquara.
Os nambiquaras se
contavam por milhares no começo do século, mas, no tempo em que Price escreveu
seu artigo (1978a: 32), eram por volta de 550, dos quais 380 falavam a língua
nambiquara do sul, 150 a do norte e apenas 20 o sabanê. Os dialetos incluídos
no grupo manduca estavam quase extintos (: 30).
Em um outro trabalho, em
que faz uma reconstituição de sua organização geopolítica na época que precedeu
imediatamente a instalação das linha telegráfica, diz Price (1987: 4) que os
nambiquaras então ocupavam uma área de cerca de 50.000 km2, com uma
população de 5 a 6 mil indivíduos. Habitavam o que ele chama de Campo, onde
predominava o cerrado, cortado pelos afluentes do Juruena, o Vale do Guaporé,
onde predominava a floresta, e o Norte, nas florestas ribeirinhas dos altos
cursos do Ji-Paraná e do Roosevelt (: 4). Neste último setor, onde hoje está o
complexo de reserva indígenas do Aripuanã, eles perderam terreno para os
cintas-largas. Por conseguinte, a língua nambiquara do sul se estendia pelo
Campo e pelo Vale do Guaporé, tanto em ambiente de cerrado como de floresta,
enquanto o Norte era o setor das línguas nambiquara do norte e sabanê. Havia
uma diferenciação nas edificações: no sul as casas eram grandes e oblongas como
as dos vizinhos parecis; no norte eram cônicas, como as dos índios do sul de
Rondônia; no Campo eram pequenas e hemisféricas (: 4, 6). Os nambiquaras, que
dormiam no chão, sobre areia fina e branca, faziam suas casas no cerrado, mas próximo
à floresta, onde tinham suas roças, e junto a uma corrente ou fonte d’água
perene (:6). Mas os nambiquaras somente consideram um lugar verdadeiramente
como casa a partir do momento que um deles é sepultado ali (: 6). Os sítios
habitados pelos nambiquaras mostravam duas formas de distribuição: distantes de
cinco a sete quilômetros uns dos outros, com uma média de cerca de 10
habitantes por sítio; ou então distantes de vinte a cincoenta quilômetros uns
dos outros, com uma população média de 33 moradores por sítio. No primeiro
caso, duas ou três famílias extensas viviam em casa separadas por uns poucos
quilômetros; no segundo, duas ou três famílias extensas viviam em casas
edificadas no mesmo lugar (: 7).
O que Price dá entender
nesse trabalho é que existe um hiato entre os grupos que o pesquisador
distingue e aqueles que os nambiquaras reconhecem. Por exemplo, àqueles que
dormem em torno do mesmo fogo, o etnólogo é levado a aplicar o termo família,
mas os nambiquaras não reúnem sob um mesmo rótulo o pai, a mãe e os filhos,
sendo-lhes a tradução mais próxima os "filhos de Fulano". Para o
grupo de moradores de uma casa com dois ou três fogos não haveria um termo
semelhante a grupo doméstico, mas seria possível a expressão "aqueles que
vivem na casa de Fulano". O mais próximo de grupo local seriam as expressões "aqueles que
partilham com Beltrano" ou os "netos de Sicrano". Os moradores
de aldeias e agregados de aldeias não se auto-aplicavam denominações.
Tinham-nas somente para os outros e tanto mais abrangentes quanto mais
distantes e desconhecidos eram aqueles a quem as aplicavam (: 10-15).
Num outro trabalho, em
que tentou complementar criticamente o artigo muito conhecido de Lévi-Strauss
(1944) a respeito da chefia entre os nambiquaras, David Price (1981: 690)
começa por discordar da admissão, por aquele, de duas diferentes maneiras de
viver dos nambiquaras conforme as estações: concentrados em aldeias maiores
durante a estação chuvosa, tempo de plantio e colheita, e dispersos em bandos
de caçadores-coletores durante a estação seca. Price acentua que eles viviam
continuamente na mesma aldeia, embora fizessem visitas a outras, durante a
estação seca, após a coivara, e também durante a estação chuvosa, após o
plantio. Quanto à liderança, Price mostrou como o chefe de aldeia nambiquara
geralmente faz parte do grupo de irmãos adultos mais numeroso que constitui o
seu núcleo; pôs em dúvida que o acesso do chefe a mais de uma mulher chegasse a
privar certos homens de esposa, e sobretudo a ponto de fazer alguns homens
recorrerem ao homossexualismo. Ao ver de Price, os jogos entre cunhados que
Lévi-Strauss tomou como homossexuais, constituem brincadeiras que, embora mais
presentes entre os jovens, também são realizadas entre homens maduros, que têm
esposas e filhos, portanto não privados de mulher. Price também reparou uma
presença mais acentuada de chefes mais autoritários nos grupos do norte, o que
se deveria à necessidade de reação imediata aos ataques dos cintas-largas, e
mais igualitários nos grupos meridionais. E ainda viu no xamanismo um modo de
alcançar algum status para os homens que, não pertencendo ao núcleo fraternal
do grupo, não têm possibilidade de ser chefes, ou ainda um modo de o próprio
chefe reforçar sua posição. Por outro lado, no seu artigo de 1987 (: 17-18),
Price concorda com Lévi-Strauss quanto à importância do líder para a coesão do
grupo.
Parece que no que tange
ao casamento e as relações de parentesco, de um modo geral, não há discordância
entre os pesquisadores. Sem o reconhecimento explícito de metades exogâmicas,
os nambiquaras atuam com se as tivessem, pelo casamento com a prima cruzada
bilateral, fazendo a troca de "irmãs". Segundo Price (1981: 690-692),
essa troca, mais do que um assunto de irmãos, é um problema da aldeia; quando
não é possível encontrar cônjuge dentro da própria aldeia, é preciso que o
homem ou a mulher que dela sai pelo casamento seja substituído por alguém do
mesmo sexo; geralmente, se a mulher tem pai vivo, este faz questão que o genro
venha para o grupo dele. Quando a mulher não tem pai ou irmãos, é mais fácil
conseguir sua saída, a troco de um compromisso de reposição futura. Nesses
arranjos matrimoniais o grupo de irmãos que tem a hegemonia na aldeia evita
desagregar-se.
Os umutinas
Na década de quarenta,
Harald Schultz fez pesquisa entre os umutinas. Parte deles estava no posto
"Fraternidade Indígena" (hoje "Umutina"), na barra do rio
dos Bugres, um afluente da margem esquerda do alto rio Paraguai. Outros viviam
fora do posto, na mata da vizinhança.
Um de seus textos sobre
os umutinas, Schultz (1961/62) dedica-o inteiramente aos umutinas da mata,
ignorando quase inteiramente os do posto, a ponto de intitular "Os Umutina
vivos em 1944" o quadro em que enumera por rancho, nome pessoal, sexo e
idade, os 23 umutinas da mata (: 97), sem ao menos estimar quantos viviam no
posto. Os umutinas estavam em situação difícil, tanto que no mesmo quadro
assinala quatro deles que morreram no ano seguinte, sem fazer referência a
nascimentos. A crise demográfica parece que vinha de muito tempo, pois ele faz
uma referência a Max Schmidt, que, em 1924, só encontrara duas aldeias, com um
total de 22 habitantes (: 108). Refere-se Schultz a dois informantes seus que
moravam no posto; um deles resolveu voltar para a mata, mas estabelecendo-se com
sua família a um quilômetro da aldeia e vivendo à moda dos sertanejos (: 225-6).
Esse trabalho de Schultz
ganha importância pelo fato de nada mais haver sobre os umutinas depois dele e
também pelo impacto que produz a riqueza de ornamentos e objetos rituais
mantidos por tão poucos índios. Entretanto, seu trabalho é prejudicado em dois
aspectos. Em primeiro lugar, seu texto é pouco trabalhado, constituindo-se
quase que das próprias anotações de campo, sem nenhuma análise ou reflexão. Em
segundo lugar, as fotos, que são o ponto forte de Schultz, conceituado
fotógrafo, não tiveram o tratamento gráfico que mereciam, talvez por falta de
equipamentos adequados na oficina em que foram impressas; além disso, por um
descuido de revisão, a série de 96 fotos umutinas é interrompida por fotos
suiás, pertencentes ao artigo seguinte, do mesmo autor.
Como a língua dos
umutinas é da mesma família (inclusa no tronco macro-jê) a que pertence também
a dos bororos (: 99-105), e como a etnografia deste últimos é bem mais trabalhada,
divulgada e discutida, quem lê o texto e vê as fotos de Schultz é tentado a
procurar as semelhanças com esta (ver Cap. 30).
Na verdade não se
encontram correspondências imediatas. Teriam tido os umutinas metades e clãs,
aldeias circulares com casa cerimonial no centro ou dois tipos de agentes
religiosos associados a princípios opostos, tal como os bororos? O texto em
exame disso não trata. Mas Schultz descreve um longo e complexo ritual dos
mortos, para o qual uma casa de máscaras é construída (: 258-311). É diferente
do rito funerário bororo, apesar de se sentir entre os dois um certo ar de
família. Não há referência, por exemplo, a sepultamento secundário. Mas há algo
que evoca os aroe bororos, dir-se-ia que de modo até mais concreto: os
tuiuius, gaviões, mutuns e araras que se criam junto às casas umutinas são
portadores de almas de mortos identificáveis. Uma ave pode abrigar até almas de
mais de uma pessoa (: 296). As almas podem habitar também os corpos de animais
não amansados, que vivem no mato: onças, antas, porcos selvagens (: 220-3). A
alma que habita um animal é uma das três que tem uma pessoa; a outra vai para o
céu; e sobre o destino da terceira Schultz não obteve informação (: 223).
Nenhuma referência à
vingança contra um ser sobrenatural responsável pela morte de um humano, como
fazem os bororos contra o bope, mas os couros de onça, ariranha e lontra
que os umutinas usavam às costas, secos e esticados, eram oferecidos aos
espíritos, eram portadores de almas (: 128-9, 224), evocando as partes do
animal abatido, não raro a onça, que o representante do morto bororo entregava
aos pais deste. Talvez tais representantes correspondam a certas máscaras
umutinas (: 292, 297 e prancha LXXXIII) ou dançarinos (: 260-1), que também se
punham no lugar de mortos individualizados.
Uma semelhança mais
direta entre os dois grupos indígenas se manifesta na presença do fecho
peniano, no caso umutina uma tira de folha de palmeira cujo laço apertava o
prepúcio enrolado para dentro e empurrando a glande para trás (: 193).
Além de estar presente
em um número significativo de pratos com ele elaborados (: 178-81), o milho tem
um mito de origem (: 236-7) semelhante ao que dele contam os bororos, cuja
versão inclui também o algodão, o tabaco e o urucu: surgiu de um ser gerado
numa mulher a partir de uma cobra. Do mesmo modo o mito bororo que ficou famoso
por iniciar as Mitológicas de Lévi-Strauss faz eco entre os umutinas (:
250-3), ainda que não exclusivamente aí, pois é contado também pelos camaiurás
do alto Xingu.
Quanto à mandioca, os
umutinas faziam a farinha de modo sui generis: ralada a raiz, da massa
fresca faziam pães circulares, que colocavam no moquém e defumavam muitos dias.
Para consumi-la, quebravam um pedaço de um desses pães, duros e secos,
trituravam-no no pilão e depois passavam pela peneira (: 182).
Apesar de Schultz
afirmar que os umutinas desconheciam a pesca com tapagens, covos, engodos e
outras técnicas (: 153), posteriormente se desdiz, pois fala de cercas de
folhas de palmeiras para diminuir a superfície da água onde aplicavam o timbó,
feitas pelas mulheres, que também punham, em algumas aberturas da mesma, bocas
circulares de redes armadas sobre aros redondos e flexíveis (: 155, 161, 246 e
prancha XXV). Cada homem, ao aplicar o timbó à água, entoava um cântico em que
dirigia palavras a cada espécie de peixe (: 155-158). Também eram hábeis na
pesca com arco e flecha, desprezando os anzóis.
Os animais de caça
estavam ficando raros (: 162). Ao contrário da fingida indiferença que aparenta
o caçador bem sucedido em várias sociedades indígenas, o umutina mostrava
sinais de regozijo, adornando os braços com tiras verdes de folhas de palmeira
e pondo um raminho de folhas no coque (: 166).
A ornamentação corporal
umutina era então bastante rica. Entre as peças usadas por indivíduos de ambos
os sexos destacava-se uma que Schultz tomou como marca tribal, ou étnica, que
consistia de uma camada flexível de resina, onde se prendiam pelas pontas das
hastes pequenas penas de mutum, arara ou outras aves, colada no alto de cada um
dos braços (: 118-9 e pranchas III e IX). Usavam também cordões de cabelos
humanos, como colares e nos braços (: 115-6). Tinham também colares de dentes
de porcos selvagens. Aos anéis de tucum enfiados nos furos das orelhas prendiam
pencas de grandes penas de diversas aves (: 114-5 e prancha VIII).
Os homens traziam os
cabelos compridos, presos como que num coque no alto da cabeça em torno do qual
enrolavam uma fita tecida em algodão de cerca de um metro de comprimento (:
114). Usavam um diadema de penas de arara (: 124). Traziam um batoque labial
confeccionado daquela parte em que o caule brota da raiz de algumas musáceas (:
120-1). No início do rito dos mortos esse batoque era substituído
temporariamente por outro, de osso de veado, mais fino que um lápis e de dez
centímetros de comprimento (: 121). Possuiam colares de dentes de onça (: 116).
Os velhos usavam uma coroa de aro de madeira e trançado de tucum, que lhes
adornava as cabeças também após a morte (: 129-31 e fig. 7).
As mulheres cortavam
toda a cabeleira rente à cabeça e usavam uma saia-tubo semelhantes às das
parecis (: 123-4). Tinham colares de dentes de macaco (: 116).
Entre os artefatos,
Schultz acentua a importância simbólica da esteira, que nos mitos aparece com o
poder transformar aqueles que nela são envolvidos ou de recuperar-lhes a vida
(: 139-40).
Talvez também não seja
desprovido de significado o fato de os bastões de cavar femininos serem
confeccionados a partir de arcos quebrados, masculinos, por serem incapazes de
matar caça (: 148). Aliás, com respeito às relações homem-mulher, é digna de
nota a existência de um mito segundo o qual os homens é que menstruavam no
passado. Ao ser provocado por uma mulher, um homem sujou-a com o sangue de sua
menstruação, transferindo-a assim para o outro sexo (: 201, 255-6).
A clava-espada masculina era sempre levada, sobretudo nas visitas (: 148). Característica também era a saudação agressiva, quando as cordas dos arcos eram puxadas e largadas, mas sem despedirem a flecha.
BIBLIOGRAFIA
ARRUDA,
R.S.V. 1992. Os Rikbaktsa. Mudança e tradição. Tese de doutorado em
CIências Sociais. São Paulo: PUC.
ASPELIN, Paul L. 1975. External articulation
and domestic production: the actifact trade of the Mamaindê of northwestern Mato
Grosso, Brazil. Ithaca: Cornell University Latin American Studies Program.
ASPELIN, Paul L. 1979. "Food distribution
and social bonding among the Mamainde of Mato Grosso, Brazil". Journal
of Anthropological Research 35 (3): 309-327. Albuquerque: The University of
New Mexico.
ASPELIN, Paul L. 1976. "Nambicuara economic
dualism: Lévi-Strauss in the garden, once again". Bijdragen
Tot de Taal-, Land- en Volkenkunde 132: 1-31.
CARNEIRO,
Edison. 1964. "O quilombo da Carlota". Em Ladinos e crioulos:
estudos sobre o negro no Brasil (de Edison Carneiro). Rio de Janeiro:
Civilização Brasileira. pp. 77-83.
COSTA,
R.R. 1985. Cultura e contato. Um estudo da sociedade Paresí no contexto das
relações interétnicas. Dissertação de Mestrado. Rio de Janeiro: UFRJ —
Museu Nacional.
COSTA
FILHO, Aderval. 1996. "Mansos por natureza" — Situações históricas
e permanência paresi. Dissertação de Mestrado. Brasília:
UnB-ICS-Departamento de Antropologia.
DORNSTAUDER,
Pe. João Evangelista. 1975. Como pacifiquei os Rikbáktsa. São Leopoldo:
Instituto Anchietano de Pesquisas (Pesquisas [História 17]).
GONÇALVES,
M.A. 1982. A frente extrativista da poaia e o grupo indígena Paresí: uma
reflexão sobre a frente extrativista. Dissertação de mestrado (?). Rio de
Janeiro: UFRJ — Museu Nacional.
HAHN, Robert. 1976. Rikbacka categories of
social relations: an epistemological analysis. Tese de
doutorado pela Universidade de Harvard.
LÉVI-STRAUSS, Claude. 1944. "The social and
psychological aspect of chieftainship in a primitive tribe: the Nambikuara of
northwestern Mato Grosso". Transactions of the New York Academy of
Sciences, Series II, 7 (1): 16-32.
LÉVI-STRAUSS, Claude. 1948. "La vie familiale et sociale des indiens
Nambikuara". Journal de la Societé des Américanistes 37:
1-132. Paris.
LISBÔA,
Pe. Thomaz de Aquino. 1979. Entre os índios Münkü: a resistência de um povo.
São Paulo: Loyola.
MACHADO,
Maria Fátima Roberto. 1994. Índios de Rondon. Rondon e as
linhas telegráficas na visão dos sobreviventes Wáimare e Kaxíniti, grupos
Paresí. Tese de Doutorado. Rio de janeiro: UFRJ — Museu Nacional.
MOURA,
José de. 1960. Os Munkü, 2ª contribuição ao estudo da tribo Iranche. São
Leopoldo: UNISINOS-Instituto Anchietano de Pesquisas (Pesquisas, Antropologia,
10).
MOURA,
José de. 1957. "Os Iranche. Contribuição para o estudo etnológico da
tribo". Pesquisas 1: 143-180 e 293-295. São Leopoldo:
UNISINOS-Instituto Anchietano de Pesquisas.
PEREIRA,
Adalberto Holanda & José de MOURA E SILVA. 1975. História dos Mùnkù
(Iránxe). São Leopoldo: UNISINOS-Instituto Anchietano de Pesquisas
(Pesquisas, Antropologia, 28).
PEREIRA,
Adalberto Holanda. 1973. Os espíritos maus dos Nanbikuára e quinze lendas
dos Rikbáktsa. São Leopoldo: UNISINOS-Instituto Anchietano de Pesquisas
(Pesquisas, Antropologia, 25).
PEREIRA,
Adalberto Holanda. 1974. A morte a outra vida do Nanbikuára. Lendas dos
índios Nanbikuára. São Leopoldo: UNISINOS-Instituto Anchietano de Pesquisas
(Pesquisas, Antropologia, 26).
PEREIRA,
Adalberto Holanda. 1974. Lendas dos índios Iránxe. São Leopoldo:
UNISINOS-Instituto Anchietano de Pesquisas (Pesquisas, Antropologia, 27).
PRICE, David. 1972. Nambiquara society. Tese de
doutorado. Chicago: University of
Chicago (Anthropology Department).
PRICE, David. 1978a. "The Nambiquara
linguistic family". Anthropological Linguistics 20 (1): 14-37.
PRICE, David. 1978b. "Real toads in
imaginary gardens: Aspelin vs. Lévi-Strauss on Nambiquara nomadism". Bijdragen
Tot de Taal-, Land- en Volkenkunde 134: 149-156 (seguido de comentários por
Claude Lévi-Strauss [pp. 156-158] e Paul Aspelin [158-161]).
PRICE, David. 1980. "The Brazilian
capability for protecting the native population in the Guaporé valley from the
effects of project Polonoroeste". A report to the World Bank of fingings
obtained during a mission to Brazil undertaken in the company of Dennis J.
Mahar and Florent Agueh during the period Sept. 20 - Oct. 12, 1880. Ms.
PRICE, David. 1981. "Earth People". Parabola
6 (2): 15-22.
PRICE, David. 1981. "Nambiquara
leadership". American Ethnologist 8 (4): 686-708.
PRICE, David. 1982. "A reservation for the
Nambiquara". Em Involuntary migration and resettlement: the problems
and responses of dislocated people (Art Hansen & Anthony Oliver-Smith,
orgs.). Boulder (Colorado): Westview Press. pp. 179-200.
PRICE, David. 1983. "La pacificación de
los Nambiquara". América
Indígena 43 (3): 601-628.
PRICE, David. 1983. "Pareci, Cabixi,
Nambiquara: a case study in the Western classification of native peoples".
Journal de la Societé des Américanistes 69: 129-148. Paris.
PRICE, David. 1984. "Overstures to the
Nambiquara". Natural History 93 (10): 30-48.
PRICE, David. 1987. "Nambiquara
geopolitical organisation". Man (N.S.) 22: 1-24.
PRICE, David. 1989. "Miriam’s awakening: a
Nambiquara puberty festival". The World & I (maio): 678-689.
PRICE, David. 1989. Before de Bulldozer: the
Nambiquara indians and the World Bank. Cabin John (MD)/Washington (DC):
Seven Locks Press.
ROQUETTE
PINTO, Edgard. 1975 [1917]. Rondônia. 6ª edição. São Paulo: Companhia
Editora Nacional (Brasiliana, 39).
SCHMIDT, Max. 1917. Die Aruaken: Ein Beitrag
zum problem der Kulturver-Breitrung. Studien zur Ethnologie und Soziologie.
Herausgeben von A. Vierkandt, Heft 1. Leipzig. Existe uma versão para o
português, datilografada, sem indicação do tradutor: Os Aruaques. Uma
contribuição ao estudo da difusão cultural.
SCHMIDT, Max. 1943. "Los Paressis". Revista de la Sociedad Cientifica del Paraguay 6 (1).
SCHULTZ,
Harald. [1954]. Vinte e três índios resistem à civilização. São Paulo:
Melhoramentos.
SCHULTZ,
Harald. 1961/62. "Informações etnográficas sobre os Umutina". Revista
do Museu Paulista, Nova Série, 13: 75-313 (mais 96 fotos nas pranchas I a
X, entre as pp. 314 e 315 e nas pranchas XI a XCVI entre as pp. 332 e 333 — A
série de fotos, por falha de revisão, está interrompida por uma série suiá,
pertencente ao artigo seguinte, do mesmo autor).
HOME PAGES
ARRUDA,
Rinaldo. “Rikbaktsa”: http://www.socioambiental.org/website/epi/rikbak/rikbak.htm. Verbete para a futura Enciclopédia
Povos Indígenas no Brasil. São Paulo: Instituto Socioambiental.
VALADÃO,
Virgínia. "Enawenê Nawê": http://www.socioambiental.org/website/epi/enawene/enawene.htm. Verbete para a futura Enciclopédia Povos
Indígenas no Brasil. São Paulo: Instituto Socioambiental.
Voltar ao Sumário de Índios da América do Sul
Voltar para menu de Línguas Indígenas Brasileiras