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A NOVA ALDEIA CARLOTA Conta Edison Carneiro (1964) que no período de decadência das minas de Vila Bela ocorreu a repressão de dois quilombos do alto Guaporé. Um deles, o do rio Piolho, foi destruído duas vezes, em 1770 e 1795. A segunda expedição repressora, que ia também à procura de novos sítios para mineração, encontrou no quilombo a pequena população de 6 negros, 8 índios, 19 índias e 21 caborés, sendo 10 do sexo masculino e 11 do feminino. É que os negros quilombolas tinham aprisionado mulheres indígenas nas lutas contra os "cabixês" (cabixis) e com elas tido seus filhos mestiços, os ditos "caborés". Os indígenas que viviam com os negros já conheciam alguma doutrina cristã ensinada por estes. Os prisioneiros foram levados para Vila Bela, onde, na
presença do capitão-general, foram batizados. Em seguida foram reconduzidos
ao quilombo, agora chamado de Nova Aldeia Carlota, nome dado em homenagem à
princesa de Portugal (certamente D. Carlota Joaquina), comprometendo-se a
manter comércio com Vila Bela, atrair os índios cabixis assim como dar
notícia de ouro, se o viessem a encontrar. Quanto ao outro quilombo destruído, o de Pindaituba, ao que parece habitado somente por negros, teve parte de seus moradores aprisionados, enquanto os restantes fugiram. Os presos foram devolvidos a seus senhores, enquanto os fugitivos acabaram por vir gradualmente a eles se entregarem. |