Site Línguas Indígenas Brasileiras, de Renato Nicolai < knewman@altavista.net >
Capítulo 21
AMAZÔNIA ORIENTAL
por Julio Cezar Melatti
Revisto em 7-8-97
| Voltar ao Sumário de Índios da América do Sul |
O traçado desta área resulta de uma opção entre algumas alternativas. Nela se incluíram os grupos indígenas da família tupi-guarani desde os rios que correm para a baía de São Marcos até o médio Xingu. Milita a favor dessa escolha uma antiga observação de Darcy Ribeiro (1974: 33-34), segundo a qual as genealogias dos índios caapor, do ocidente maranhense, apontariam para uma migração oeste-leste, da margem esquerda para a direita do Gurupi. E também um breve texto de Roque Laraia (1984/85), mais recente, que sugere uma pesquisa que averigúe as conexões históricas entre tupis do médio Tocantins e os do Gurupi, de um lado, e os do médio Xingu, de outro, apresentando algumas pistas a serem seguidas.
Uma outra alternativa teria sido propor, no lugar desta, duas áreas, de leste para oeste: a) a área Pindaré-Gurupi, de Eduardo Galvão; e b) os grupos tupis-guaranis do médio Tocantins, que Galvão incluiu junto com os jês em sua área Tocantins-Xingu e mais os grupos tupis-guaranis do médio Xingu, desconhecidos na época em que Galvão traçou suas áreas. Essa alternativa, de duas áreas, uma de cada lado do Tocantins, nos conduziria também à consideração das articulações entre índios tupis e jês: a leste, índios tupis-guaranis que têm contato com os brancos há bastante tempo (com exceção dos caapor e principalmente dos guajás) e que se relacionam com os timbiras; a oeste, tupis-guaranis que entraram em contato amistoso com os brancos mais recentemente e que se relacionam com os caiapós. Os jês ao sul e os tupis ao norte não eram detidos por nenhuma barreira que os impedisse de se encontrarem tão efetiva quanto o Tocantins-Araguaia, que dificultava os jês e tupis do leste de contatarem os de oeste.
Peculiaridades
Apesar de serem todas falantes de línguas da mesma família, a tupi-guarani, as sociedades desta área não são uniformes culturalmente: diferem sensivelmente tanto no que se refere a tradições como no que tange à situação de contato interétnico.
Assim, os teneteharas, no seu secular contato com os brancos, há muito conseguiram um modus vivendi. Seus vizinhos caapor fizeram esse contato na década dos anos 20 do corrente século e sofreram as inevitáveis (ou inevitadas) perdas populacionais. Por sua vez os guajás, vizinhos de ambos os anteriores, só vieram a fazer o contato com os brancos nos anos 70. Estamos nos referindo a contatos amistosos, pois, geralmente eles são precedidos de um período, que pode durar muito tempo, de relações hostis. Assim, no médio Tocantins, os assurinis atacavam a linha férrea que permitia vencer por terra a grande corredeira de Alcobaça, hoje submersa nas águas da represa de Tucuruí. Seus vizinhos paracanãs, optaram por um meio pacífico de obter o que queriam dos regionais e funcionários do Serviço de Proteção aos Índios, deixando, em retribuição aos artigos industrializados que recebiam ou apanhavam, animais silvestres, sobretudo jabutis.
O fato de falarem línguas muito conhecidas também não os obrigava a
manterem relações amigáveis entre si. Os caapor faziam incursões guerreiras
sobre os guajás, inclusive motivados por frustrações pessoais. As relações
entre os tupis do médio Xingu também não eram amigáveis, apesar dos caiapós,
que ameaçavam a todos.
As diferenças culturais se fazem sentir já no próprio cultivo da terra:
vão desde a ausência de agricultura entre os guajás, até a preferência pelo
milho — ao contrário da mandioca, como nos outros grupos — entre os arauetés.
Quanto à organização social, os suruís se distribuem em clãs
patrilineares, o que não parece ocorrer com nenhum dos outros grupos da área.
Como tradição tupi também presente em outras áreas, alguns desses grupos fazem
o casamento do tio materno com a sobrinha (filha da irmã), mas enquanto os
suruís admitem o casamento com a prima cruzada matrilateral, os assurinis do
Tocantins preferem a união com a prima cruzada patrilateral, o que fez Roque
Laraia extrapolar os diferentes graus de solidariedade interna implicados num e
noutro tipo de matrimônio para as relações interétnicas, admitindo que as
reações mais agressivas dos assurinis aos brancos poderiam ter a ver com seus
sistema de casamento. Viveiros de Castro, por sua vez, a partir de seu trabalho
de campo com os arauetés e da comparação, baseada na bibliografia, com outros
grupos, admite uma grande plasticidade, para não dizer mesmo um certo
amorfismo, dos tupis no que se refere à estrutura social.
Também no referente à antropofagia, as crenças e atitudes variam. Em
certos grupos não há nenhuma referência, como os teneteharas, que, se a
praticaram no passado, dela esqueceram completamente. Os caapor, que talvez a
fizessem antes do contato com os civilizados, atribuem-na aos vizinhos, mas não
a si mesmos. Já os arauetés fazem do canibalismo um comportamento dos deuses e
o ser canibalizado uma passagem obrigatória para se passar a imortalidade, se
é que assim se pode denominar um estado que não dura para todo o sempre.
Enfim, talvez seja possível apontar em cada grupo da área algo de
bastante particular, como, por exemplo, a arte plumária dos caapor, cujas
"jóias de penas", no dizer de Raimundo Lopes (apud Darcy &
Berta Ribeiro 1957: 34), não encontram nada semelhante nos demais integrantes
da área.
Do Mearim ao Tocantins
Esta área começou a ser conhecida etnograficamente de leste para oeste.
Os estudos mais antigos, anteriores a 1950, se fizeram no Estado do Maranhão.
Na década de Sessenta tiveram início as pesquisas sobre os índios do Tocantins.
E só mais recentemente foram abordados os tupis do médio Xingu. Das sociedades
indígenas que vivem de um e de outro lado do Gurupi, somente duas receberam
atenção mais demorada dos etnólogos: os teneteharas e os caapor.
Autodenominam-se teneteharas tanto os guajajaras do Maranhão como os
tembés do Pará. Entretanto, foi sobre os primeiros que incidiram os trabalhos
etnográficos de maior envergadura, representados pela etnografia de Charles
Wagley e Eduardo Galvão (1961) e pela tese de Mércio Gomes (1977).
Wagley, o pesquisador sênior, acompanhado de Galvão e outros estudantes
do Museu Nacional em treinamento, realizou trabalho de campo em 1942-3 junto
aos teneteharas do rio Pindaré; Galvão e um dos outros estudantes a eles
retornaram em 1945, com um antropólogo físico. O livro resultante constitui uma
descrição das mudanças por que passava a cultura dos teneteharas na primeira
metade do século XX. Mostram os autores que, apesar de seu aspecto exterior de
sertanejos, no que tange a vestuário, abandono das marcas tribais de tatuagem,
mas ainda com a prática eventual do apontamento dos incisivos, e apesar de sua
inserção no mercado através da extração do óleo de copaíba, coleta de coco
babaçu, venda de couros de animais silvestres e farinha de mandioca, os
teneteharas mantinham viva a sua língua e pautavam sua vida orientados por suas
tradições indígenas.
O contato dos teneteharas com os brancos era muito antigo, pois já em
1616 uma expedição de Bento Maciel Parente hostilizava os guajajaras do alto
Pindaré e em 1653 os jesuítas iniciavam entre eles o trabalho catequético
(:24). No final do século XIX os civilizados começaram a entrar no alto
Pindaré, mas a queda dos preços da borracha e os freqüentes ataques dos caapor
os fizeram se retirar em 1913 (: 26).
No tempo das pesquisa de Wagley e Galvão os guajajaras do rio Pindaré
pouco conheciam dos que habitavam o Zitiua, o Grajaú, o Mearim, e menos ainda
dos tembés que viviam no Gurupi e no Guamá. Cada aldeia era autônoma, embora os
habitantes de cada uma pudessem ter parentes ou casarem nas vizinhas (: 31).
Por precaução contra inundações, as aldeias ficavam em sítios elevados, a meio
quilômetro dos rios. Suas casas se dispunham em fileiras ou "ruas".
Já não tinham mais a casa cerimonial para a festa do mel, que pouco se
realizava (: 32-3). Quando as roças ficavam muito distantes, certas famílias
para elas se deslocavam, onde moravam, embora continuassem nominalmente
pertencentes à aldeia. Nas roças tinham os apetrechos para fazer farinha. A
vizinhança de núcleos civilizados, que possibilitavam as trocas comerciais também
constituiam fatores de escolha do local de ereção da aldeia (: 33-5). Os
"capitães" eram meros intermediários entre a aldeia e o órgão
protecionista, que geralmente os nomeava; em muitos casos só lideravam
realmente sua própria família e agiam apenas no sentido de atender aos
interesses dela. Havia, entretanto um deles, Camirang, que realmente comandava
sua aldeia, e coordenava a extração do óleo de copaíba, cuja venda era
intermediada pelo SPI (: 35-7).
A maioria das casas que compunham uma aldeia era ocupada por famílias
elementares, mas elas faziam parte de famílias extensas, que geralmente viviam
em edificações contíguas. A formação e permanência de uma família extensa
dependia dos esforços de um líder, que procurava reter junto a si o maior número
de mulheres parentas possível de modo a puxar para seu comando os homens que
viessem a casar com elas: filhas, filhas de irmãos falecidos, irmãs, netas.
Também procurava reter parentes do sexo masculino. Segundo o costume, logo após
o casamento, o genro devia de morar junto com o sogro e prestar-lhe serviços. O
sogro procurava fazer com que o genro escolhesse ficar com ele de modo
definitivo, construindo a sua casa ao lado da dele. Mas era possível também,
depois desse período de serviço-da-noiva, que o genro optasse por uma outra
solução residencial, indo integrar a família extensa de um outro parente. Na
composição da família extensa também entravam os casamentos poligínicos, que
muito raramente eram sororais, sendo mais comum um homem tomar como esposa a
filha de sua própria mulher. O SPI, entretanto, combatia a poliginia (: 37-43).
Os teneteharas plantavam mandioca e o milho. O arroz, semeado no meio da
mandioca, mas colhido antes desta, servia para a venda. Tabaco e maconha para
consumo próprio também eram cultivados. Em 1945, devido às demandas da Segunda
Guerra Mundial, aumentaram a coleta do coco babaçu em detrimento da
agricultura. Na coleta para uso próprio destacavam-se a bacaba e o açaí. A caça
tinha mais importância que a pesca. Nas caçadas era preciso estar atento a três
tipos de espíritos: os espíritos dos animais, maléficos no caso de o caçador
ter a mulher grávida ou o filho recém-nascido; o "dono da mata", que
punia os que abatiam animais em excesso; e o "dono da água", que não
tolerava quem turvasse as corrente d’água com o sangue dos animais (: 45-70).
As três principais cerimônias teneteharas já estavam em decadência no
tempo da pesquisa de Wagley e Galvão: a festa do milho e a festa do mel eram
preteridas às atividades com fins comerciais (: 106), enquanto o ritual de
iniciação de rapazes e moças já não incluía a tatuagem e seu período de
reclusão fora abolido ou simplificado (:89-90).
A festa do mel, realizada no final da estação seca, dependia da coleta e
estocamento do mel ao longo desta mesma estação, numa casa especial, e no seu
encerramento contava com a participação de outras aldeias convidadas (: 126-9).
A festa do milho realizava-se ao longo do período de crescimento desta planta,
durante a estação chuvosa. Era o tempo em que os xamãs exibiam suas
habilidades. Uma parte desta festa coincidia com o rito de iniciação dos
jovens. Os autores, ao descrevê-la, não fazem referência à presença de
moradores de outras aldeias (: 129-31).
O xamã tenetehara, para atuar, entra em transe com ajuda da ingestão de
fumaça de grandes cigarros de folhas de tabaco enroladas. Nesse estado é
possuído por seres sobrenaturais. Para efetuar a cura precisa ter uma idéia
prévia do possível ser que a provocou pela introdução de um objeto no corpo do
doente. Se bem entendemos o texto de Wagley e Galvão, é este ser que o xamã
deve receber para que possa retirar o objeto. Com baforadas de fumaça,
massageando a parte afetada, conduz o objeto a um ponto de onde possa sugá-lo.
Muito da atividade xamanística tem um caráter ostentatório. A esposa do xamã
tem participação importante no preparo do cigarro, bem como é considerada
co-responsável nos casos em que o marido é acusado de prática de feitiçaria (:
114-26).
A coleção de mitos que Wagley e Galvão apresentam é das mais
interessantes, pois dela fazem parte narrativas nitidamente tupis, como o mito
dos gêmeos (: 141-4), outras que têm um quê de timbira, como a origem da festa
do mel (: 148-9), e ainda outras que são modificações dos contos de fada
ocidentais, como a gata borralheira (: 164-6).
Já a pesquisa que Darcy Ribeiro realizou seis anos depois entre os
vizinhos caapor tem pelo menos uma semelhança com a de Wagley e Galvão: teve
vários participantes. Em 1949-50 ele se fez acompanhar pelo lingüista Max
Boudin e pelo cinegrafista Heinz Forthmann; em 1951 levou consigo Francis
Huxley, então doutorando de Oxford (Ribeiro 1955). Os resultados de sua
pesquisa, apresentou-os em quatro trabalhos, sendo o último, Diários Índios,
publicado cerca de quarenta anos depois dos demais.
O primeiro deles foi um pequeno artigo sobre o ciclo anual das
atividades de subsistência dos caapor (Ribeiro 1955). Teve boa repercussão,
sendo publicado quatro vezes, como indica a bibliografia deste capítulo.
Descreve as atividades indígenas ao longo das diferentes estações, tal como se
manifestam na região: a da chuva, seguida do alagamento e a do estio, seguida
pela seca. Mostra como esses estados que se sucedem favorecem ou impedem o deslocamento dos indígenas, facilita ou
dificulta as pescarias e caçadas. Boa parte do artigo se constitui do
arrolamento das plantas cultivadas, dos vegetais coletados (conforme suas
partes aproveitadas: frutas; cipós e enviras; folhas e palmas; madeiras;
resina, látex e óleo), dos itens proporcionados pelos animais (mamíferos,
répteis, aves, insetos e peixes). Como o foco é o caráter utilitário desses
recursos, o artigo não nos dá a saber se o tabaco, cujas folhas são amarradas
em cigarros com tauari, tal como fazem os teneteharas, tem também para os caapor
o caráter importante que aqueles lhe dão no xamanismo; também não aponta se o
milho e mel constituem motivos de grandes cerimônias, como fazem os
teneteharas. Comparando-se o texto de Darcy Ribeiro com o de Wagley e Galvão,
nota-se que o início das chuvas e o do estio para os caapor tem um atraso de
três meses com relação ao que acontece entre os teneteharas, ou mais
precisamente os guajajaras, que estão mais ao sul (o outro ramo dos
teneteharas, os tembés, estão na mesma latitude dos caapor). Como Wagley e
Galvão se omitem a respeito, é provável que entre os guajajaras as chuvas não
cheguem a gerar um período de tal alagamento que impeça os deslocamentos a
longa distância, mas é digno de nota que é a festa do mel, do final do estio,
que recebe convidados de fora, não referidos na festa do milho, realizada na
estação chuvosa.
O segundo artigo reconstitui a comovente história de Uirá, o caapor que
saiu acompanhado da mulher, um filho e uma filha em busca do herói mítico Maíra
(Ribeiro 1957), inconsolado com a morte de um filho mais velho. Caminhando na
direção do mar, foi sendo maltratado pelos sertanejos que encontrava, seja por
se sentirem ameaçados por possíveis batedores de uma invasão indígena, seja por
não poderem entender a razão da insistência dessa pequena família, que não
falava português e que para eles estava nua, apesar de trazer seus melhores
ornamentos, em prosseguir. São finalmente conduzidos ao SPI de São Luís, que
providencia seu retorno à aldeia. Decepcionado com o desfecho de sua procura, Uirá,
na viagem de volta, suicida, atirando-se ao rio, para ser devorado pelas
piranhas. Esse episódio, que serviu de tema a um filme de Gustavo Dahl,
torna-se referência inevitável em qualquer exame que se faça das relações entre
os caapor e os brancos, dado o seu caráter de fulcro para o qual convergem
vários fatores: combina, além da confiança no herói mítico de vários grupos
tupis, a crença na Terra sem Males, mais evidente entre os guaranis, as
soluções buscadas pelos caapor para fazer face às grandes decepções da vida,
como o ataque aos guajás, a reação psíquico-cultural de iñaron tudo
dentro de um contexto novo criado pelo envolvimento dos civilizados.
Vale abrir um parêntesis para notar que Wagley e Galvão (1961: 27) não
deram a mesma atenção a um episódio igualmente dramático e que envolveu um
número bem maior de pessoas que marcou o contato dos teneteharas com os
brancos: o massacre de Alto Alegre, em 1901. Foi Mércio Gomes (1977: 109-21)
que examinou com mais detalhes este caso. Os capuchinhos italianos criaram em
1895 um Instituto Indígena em Barra do Corda, Maranhão, para índios de idade
inferior a 14 anos, recebendo meninos teneteharas e timbiras (canelas e
mateiros), que em 1900 alcançavam o número de 58. Como os brasileiros regionais
amedrontavam os índios, dizendo-lhes que os alunos do Instituto seriam
recrutados pelo exército e como os missionários estavam impedidos por um
decreto de ensinarem catecismo nas escolas públicas, os capuchinhos compraram
36 km2 de terra junto a várias aldeias teneteharas e fundaram em
1897 a missão de Alto Alegre para jovens acima de 14 anos de idade, embora a
maioria dos arrebanhados parecessem de idade inferior à prescrita. Aos três
capuchinhos (um dos quais leigo) juntaram-se de cinco a sete irmãs da mesma
ordem. Três aldeias teneteharas e uma de mateiros (txocamecrás) instalaram-se
por perto. O regime capuchinho era muito severo, negando o batismo a qualquer
índio que se julgasse propenso a voltar a seu tradicional modo de vida,
combatendo a poliginia e o casamento não-católico, regendo a missão com uma
agenda diária de atividades e exercícios religiosos, com aplicação de castigos
corporais e recompensas em dinheiro para os alunos aplicados, que somente o
receberiam no final do curso. Informantes civilizados vigiavam o comportamento
dos índios. Por outro lado, os capuchinhos instalaram um engenho de açúcar e
empregaram um sapateiro e um ferreiro. Se o regime autoritário dos capuchinhos
desagradava aos índios, por outro lado o sucesso econômico da missão gerava a
hostilidade dos proprietários e comerciantes regionais, que se julgavam
prejudicados na competição pela mão-de-obra indígena. Além disso, uma epidemia
em janeiro de 1900 matou pelo menos 28 dos 82 meninos indígenas de Alto Alegre.
Agravou este estado de coisas a prisão de um índio, João Caboré, pelos
missionários, que o encadearam por quatro semanas por ter abandonado sua
esposa, à qual estava ligado por casamento religioso, por outra mulher. Em 13
de abril de 1901, João Caboré, acompanhado de 34 chefes de família e homens
jovens, matou todos os que estavam em Alto Alegre, frades, freiras e
brasileiros, quiçá umas duzentas pessoas. Apesar de haver indícios de
participação de timbiras no massacre, índios canelas foram recrutados para se
juntarem às forças policiais que reprimiram os índios de Alto Alegre. João
Caboré, condenado à prisão perpétua, morreu no mesmo ano na cadeia. Um outro
líder, Manuel Justino, aprisionado, foi morto numa alegada tentativa de
escapar. A perseguição aos teneteharas durou poucos meses. O episódio teve como
resultado o arrefecimento do processo de acamponesamento dos teneteharas,
tornando os índios mais atentos à manutenção de suas terras, evitando que
famílias isoladas resultantes de cisões de aldeias continuassem a se incorporar
aos regionais. De tudo isso ficou a lenda de Perpetinha, menina civilizada de
Alto Alegre que teria sido levada pelos índios em fuga e que registrava sua
passagem pela floresta escrevendo nos troncos da árvores.
Voltando a Darcy Ribeiro, vale notar ainda o livro que preparou com
Berta Ribeiro (1957) em que examina e divulga a delicadeza dos adornos
plumários feitos pelos caapor reproduzidos em pranchas coloridas. Eduardo
Galvão, por sua vez, incluiu na tradução para o português do livro que escreveu
com Charles Wagley um apêndice em que descreve artefatos teneteharas.
Entretanto, dos 36 desenhos em preto-e-branco do apêndice, somente dois
retratam adornos de penas, o que talvez indique que os artefatos plumários dos
teneteharas não sejam tão numerosos e nem se imponham à atenção do pesquisador.
Isso nos leva a uma outra observação interessante: em apêndice de seu livro
sobre os tupis atuais, Roque Laraia (1986: 275-7) apresenta um mito caapor que
sem dúvida constitui uma outra versão do mito da origem da festa do mel dos
teneteharas (Wagley & Galvão 1961: 148-9). Ambas as narrativas têm por
protagonistas dois irmãos e se iniciam com caçadas para obtenção de material
para confecção de adornos: penas de arara para adorno de cabeça na versão
tenetehara; ossos de um ser que morava com as onças para confecção de contas de
colar na versão caapor. O irmão menos hábil é morto pelo ser que morava com as
onças, na versão caapor, e pelas próprias onças na versão tenetehara, sendo o
seu corpo, em ambas as narrativas, levado para o mundo subterrâneo. O irmão
mais hábil vai procurá-lo, vingando-o, na versão caapor, e esquecendo-o a ponto
de se casar com a filha de seu matador na versão tenetehara. O irmão
sobrevivente retorna à aldeia com o conhecimento da festa do mel, na versão
tenetehara, e com o cocar do matador, que a partir do qual os índios farão os
seus, na versão caapor. Em suma, são versões do mesmo mito que explicam a
origem de um dos elementos mais marcantes de cada cultura: festa do mel dos
teneteharas e plumária dos caapor.
Um outro grupo indígena tupi do Maranhão é o dos guajás, que ainda não
foi objeto de trabalho etnográfico mais demorado. O mesmo se pode dizer dos
grupos tupis que vivem do outro lado do Gurupi, no Estado do Pará, os quais
diferentemente dos guajás, têm contato bastante antigo com os civilizados. Se
os tembés formam, com os guajajaras, mais estudados, os teneteharas, é possível
que os turiuaras, os que têm a língua mais parecida com a dos caapor,
constituam com estes um único povo (Nimuendaju, apud Ribeiro 1955).
Aliás, Roque Laraia (1986: 265) nos conta que os caapor, que sabiam entoar os
cânticos do ritual antropofágico, atribuiam-nos aos "Kapiwan e os
Turiwar". Vale reparar que "Turiwar" também era o nome do irmão
que traz o cocar do mundo subterrâneo no mito caapor já referido.
Do Tocantins ao Xingu
Entre o Tocantins e o Xingu existem alguns parônimos e homônimos que
trazem alguma confusão para os leitores não familiarizados com essa sub-área.
Há, por exemplo, dois rios de nomes muito parecidos — o Bacajá e o Pacajá — e
importantes como referência para a localização de grupos indígenas. O Bacajá é
um afluente do Xingu: a cidade de Altamira fica na ponta projetada para o norte
do grande ziguezague do baixo curso deste rio, enquanto o Bacajá desemboca na
ponta seguinte, projetada para o sul. O rio Pacajá, por sua vez, não é afluente
do Xingu; ele desemboca junto à localidade de Portel, naquele braço do Amazonas
que passa pelo sul da ilha de Marajó, chamado de Rio Pará.
Além disso, alguns grupos indígenas desta sub-área são conhecidos por um
mesmo nome. É o caso dos assurinis que vivem entre o rio Xingu e seu afluente
Bacajá, que são distintos dos assurinis que vivem perto do rio Tocantins, junto
a um posto indígena chamado Trocará. Vieram morar junto a estes os assurinis
que moravam no rio Pacajá. Os dois grupos que agora moram junto ao posto do
Trocará apresentam pequenas diferenças dialetais, participam juntos em
cerimônias e intercambiam mulheres, o que já fariam antes do contato com os
brancos. A auto-denominação dos assurinis que vivem no Trocará é acuáua, nome
divulgado por Roque Laraia, mas hoje eles o tomam como pejorativo, no sentido
de "índios do mato". Assim, o mais adequado será aplicar-lhes a
designação de assurinis do Tocantins (inclusive os que vieram do rio Pacajá),
distinguindo-os dos assurinis do Xingu (que vivem entre o Xingu e o rio Bacajá)
(Andrade 1984/5: 115-6).
Os conhecidos como paracanãs, por sua vez, apesar de falarem uma mesma
língua, apresentam uma diferenciação entre si: os orientais, próximos ao
Tocantins, no aldeamento de Paranatinga, são tradicionalmente mais sedentários
e de agricultura mais diversificada; os ocidentais, em outros dois aldeamentos,
são mais caçadores, mais guerreiros, menos coesos, e admitem-se como parentes,
embora um esteja mais perto do Tocantins e o outro no Xingu (Fausto 1995: 61 e
63). Mas a história oral de orientais e ocidentais mostra claramente que uns e
outros se originaram de uma separação que ocorreu no final do século XIX (Fausto
1997).
Roque Laraia, o primeiro etnólogo a desenvolver pesquisa entre índios desta sub-área, chamou atenção para a necessidade de se reconstituir o processo de formação dos diferentes grupos nela presentes, que teriam tido uma origem comum. No primeiro trabalho seu a respeito do problema (1972) propõe que se lance mão de documentos, tradição oral, comparação etnográfica para dar conta do recado. Nessa época analisou alguns elementos que poderiam contribuir para essa reconstituição, tirados de sua etnografia dos suruís e dos assurinis do Tocantins. Vale lembrar que então os paracanãs não estavam contatados e os arauetés eram desconhecidos. Em seu segundo trabalho sobre a questão (1984/5), ele amplia a sua proposta, extendendo-a aos grupos tupis do outro lado do Tocantins. As semelhanças mais evidentes apresentadas pelo pesquisador entre os suruís e os assurinis do Tocantins são a maneira de confeccionar os arcos e as flechas, os termos de parentesco, o mito de ordenação dos caos inicial, a cerimônia realizada durante a queimada das roças, na fase de lua cheia, centrada numa casa ritual, quando os vivos entram em contato com seus ascendentes mortos. Em outros aspectos os dois grupos se mostram mais diferentes, como nas alianças matrimoniais em modelo de troca generalizada para os suruís e troca restrita para os assurinis; na existência de clãs patrilineares exogâmicos e com atribuições próprias entre os suruís e ausentes nos assurinis.
No tempo em que Roque Laraia fez a pesquisa com os suruís, eles enfrentavam
sua crise mais aguda a ponto de recorrer aos arranjos poliândricos (Laraia
1963) devido ao drástico desequilíbrio demográfico, que reduziu, entre os
adultos, o número das mulheres à metade do número dos homens. Lograram, porém,
superar esse estado, e fazendo crescer novamente sua população e reagindo com
energia aos avanços dos regionais sobre suas terras.
Os assurinis do Tocantins (Andrade 1992) e do Xingu (Müller 1990),
arauetés (Viveiros de Castro 1986) e paracanãs (Magalhães 1982 e 1994; Fausto
1991 e 1997), tanto orientais como ocidentais, foram objeto de pesquisas
etnográficas mais recentes.
A pesquisa com os arauetés permitiu a Viveiros de Castro retomar uma
série de problemas relativos aos tupis-guaranis, como o do canibalismo — que os
arauetés remetem para a camada celeste — o xamanismo, a relação matador-vítima.
Dir-se-ia que, de um lado, Viveiros de Castro dialoga com aqueles que, como
Florestan Fernandes, se debruçaram sobre os textos dos cronistas que
descreveram os tupinambás, por muito tempo tomados como paradigma das
sociedades tupis atuais. Por outro, contrasta os arauetés e os demais
tupis-guaranis, com os jês, cujos estudos haviam passado por uma renovação. Ao
contrário das oposições polares dos jês, do tipo dia/noite, seca/chuva, leste/oeste,
vivos/mortos, homem/mulher, as oposições arauetés, e tupis-guaranis, seriam
presididas pela idéia de devir: aquele que está hoje de um lado deverá passar
para o outro; os humanos de hoje deverão tornar-se deuses, depois de passar
pela morte e serem comidos pelas divindades; os deuses, por sua vez, não são
eternos, pois o céu está fadado a desabar e eles cairão neste mundo. Se para os
jês nos basta a oposição Natureza/Cultura, para os tupis é preciso considerar a
tríade Natureza/Cultura/Sobrenatureza.
Por sua vez, um dos pontos altos da pesquisa de Fausto é a
reconstituição da história dos dois blocos paracanãs, a partir da memória de
seus membros e dos documentos administrativos do órgão protecionista. Pode-se
dizer que ele realizou de modo exemplar e convincente, no que tange aos
paracanãs, aquela reconstituição histórica que Laraia sugeriu que se fizesse
para toda a área. O que surpreende na sua reconstituição é que certos itens
sócio-culturais, que costumamos considerar como resultantes de uma decantação
por um longo lapso de tempo — por exemplo, as metades e grupos unilineares do
bloco ocidental ou a existência de um pátio de reuniões no oriental — surgem
num período não superior a um século.
Mas o foco do trabalho de Fausto é a guerra paracanã, que não se
limitaria a uma forma de predação. O sistema paracanã não estaria voltado para
produção de bens, mas para a produção de pessoas. A guerra não se destina à
conquista territorial, sobretudo numa área que foi esvaziada de sua população
no início do período colonial, nem à captura de cativos como mão-de-obra, mas
sim à apropriação da pessoa do inimigo, que servirá de catalisadora dos itens
necessários à construção da pessoa do predador. Ao invés de senhor-escravo as
relação com o inimigo abatido seria de senhor-xerimbabo. Xerimbabos são animais
silvestres criados nas aldeias, geralmente filhotes apanhados nas caçadas,
tratados com alimento e estima, mas que também podem ter suas penas arrancadas
para a produção de adornos. A comparação jocosa do cativo com xerimbabo, feita
pelos tupinambás, já fora objeto de sugestivos comentários de Viveiros de
Castro (1986: 661-4). O xerimbabo é assim um dos aspectos do caráter
familiarizante da predação, como a qualifica Fausto, que também presidiria a
relação com o inimigo entre outros grupos tupis e até de outras sociedades
ameríndias de línguas e culturas mais distantes: o cativo abatido ritualmente
na praça tupinambá, as cabeças preparadas pelos mundurucus, araras, jívaros, os
escalpos na área do Chaco. Fausto (1997: 291-8) aponta como nesses diferentes
ritos de tratamento do inimigo aprisionado ou de seus despojos há sempre uma
fase em que ele é tratado como espírito familiar, parente, afim, o que faz
parte de todo o rendimento simbólico que dele se pode extrair.
Ou nivelar pelas semelhanças, ou sistematizar as diferenças
Apesar de haver sem dúvida um nexo entre todas as sociedades da área
Amazônia Oriental, atestado pela proximidade lingüística, pertencentes que são
todas elas à família tupi-guarani, longe se está de poder ordenar de modo
sistemático as diferenças culturais que apresentam entre si, o que talvez fosse
um pouco mais fácil se todas tivessem sido examinadas através de pesquisas com
os mesmos critérios e profundidade. Mas a etnografia de algumas é extremamente
rala ou inexistente, como as daquelas que estão entre o Gurupi e o Tocantins. É
possível apontar presenças e ausências de elementos culturais e suas
combinações, mas não como suas diferentes transformações se manifestam em cada
sociedade.
O canibalismo presente na memória dos caapor contrasta com a sua
ausência entre os teneteharas (para os quais as onças ensinaram a festa do mel)
e só vai reaparecer com nitidez no outro extremo da área entre os arauetés, mas
deslocado para a região celeste, como prática dos deuses.
Já a festa do mel tenetehara não se parece com nada que a lembre nas
outras sociedades. Entretanto ela culmina no final da estação seca, época em
que os suruís e assurinis do Tocantins constroem uma casa, não para estocar
mel, mas para receber seus ancestrais ou serem observados por eles. O nome que
dão a essa casa, Tokasa, talvez seja cognato da tukaya dos
assurinis do Xingu, que é uma das peças do ritual xamânico e abriga espíritos,
mas não os ancestrais e sim espíritos da floresta e dos rios, porcos-do-mato e
veados. Tocaia é também a choça em que o paracanã procura ver o que acontece
entre os inimigos. Seria o caso de se perguntar se a edificação em que os
índios mais próximos do Tocantins procuram entrar em contato com seus
ancestrais não teria mais afinidade com a construção oblonga dos assurinis do
Xingu, que além de servir de morada para algumas famílias, abriga sepulturas em
sua parte central. Aliás é curioso que, enquanto tais sepulturas consolidam o
lugar de morada dos assurinis, a morte é motivo para mudança de aldeia entre os
arauetés.
À estação seca e sua festa do mel, os teneteharas contrastam a estação
chuvosa e sua festa do milho, à qual associam a iniciação dos jovens, com o
qual, quem sabe, eles são comparados, e ao xamanismo. Mas, se os teneteharas
fazem a festa acompanhar o crescimento desta planta, entre os arauetés, que a
têm como um dos principais alimentos, ela só ganha importância ritual depois de
colhida, na elaboração de diferentes bebidas. Enquanto o milho cresce, os
arauetés acampam na floresta, onde os principais alimentos são o mel e jabutis.
BIBLIOGRAFIA
ANDRADE, Lucia M. M. de. 1984/85. "Xamanismo e
cosmologia Asurini". Revista de Antropologia 27/28: 115-125. São
Paulo.
ANDRADE, Lucia M.M. de. 1992. O corpo e os cosmos:
relações de gênero e o sobrenatural entre os Asurini do Tocantins.
Dissertação de Mestrado. São Paulo: USP.
ARNAUD, Expedito. 1984/85. "O direito indígena e a
ocupação territorial — o caso dos índios Tembé do alto Guamá (Pará)". Revista
de Antropologia 27/28: 327-342.
BALÉE, William. 1994. Footprints
of the forest: Ka’apor Ethnobotany. New York: Columbia University press.
DINIZ, Edson Soares. 1984/85. "Os
Tenetehara-Guajajara — convívio e integração". Revista de Antropologia
27/28: 343-353.
DINIZ, Edson Soares. 1994. Os Tenetehara-Guajajara e a
sociedade nacional: flexibilidade cultural e persistência étnica. Belém:
UFPA-Editora Universitária (apoio do CNPq).
FAUSTO, Carlos. 1991. Os parakanã: casamento avuncular
e dravidianato na Amazônia. Dissertação de mestrado. Rio de Janeiro:
UFRJ-Museu Nacional-PPGAS.
FAUSTO, Carlos. 1995. "De primos e sobrinhas:
terminologia e aliança entre os Parakanã (Tupi) do Pará". Em Antropologia
do Parentesco: Estudos Ameríndios (Eduardo Viveiros de Castro, org.). Rio
de Janeiro: Editora UFRJ. pp. 61-119.
FAUSTO, Carlos. 1997. A dialética da predação e
familiarização entre os Parakanã da Amazônia Oriental: Por uma teoria da guerra
ameríndia. Tese de doutorado. Rio de Janeiro: UFRJ-Museu Nacional-PPGAS.
[2ª diagramação].
GOMES, Mércio Pereira. 1977. The ethnic survival of
the Tenetehara Indians of Maranhão, Brazil. Tese de doutoramento por The University of Florida (Xerox Microfilms
International, 78-6699).
LARAIA, Roque de Barros. 1963. "Arranjos
poliândricos na sociedade Suruí". Revista do Museu Paulista (Nova
Série) 14.
LARAIA, Roque de Barros. 1967. "O homem marginal
numa sociedade primitiva". Revista do Instituto de Ciências Sociais
4 (1). Rio de Janeiro.
LARAIA, Roque de Barros. 1972. "Akuáwa-Asurini e
Suruí: análise de dois grupos Tupí". Revista do Instituto de Estudos
Brasileiros 12: 7-30.
LARAIA, Roque de Barros. 1984/85. "Uma etno-história
tupi". Revista de Antropologia 27/28: 25-32. São Paulo.
LARAIA, Roque de Barros. 1986. Tupi: índios do Brasil
atual. São Paulo: USP-FFLCH (Antropologia, 11).
LARAIA, Roque de Barros & Roberto DAMATTA. 1979. Índios
e castanheiros: a empresa extrativa e os índios no médio Tocantins. 2ª
edição. Rio de Janeiro: Paz e Terra.
MAGALHÃES, Antonio Carlos. 1982. Os parakanã: quando o
rumo da estrada e o curso das águas perpassam a vida de um povo.
Dissertação de mestrado. São Paulo: USP.
MAGALHÃES, Antonio Carlos. 1988. "O povo indígena
Parakanã". Em As hidrelétricas do Xingu e os povos indígenas
(Leinad Ayer O. Santos & Lúcia M. M. de Andrade, orgs.). São Paulo:
Comissão Pró-Índio de São Paulo. pp. 185-189.
MAGALHÃES, Antonio Carlos. 1994. Os Parakanã: espaços
de socialização e suas articulações simbólicas. Tese de doutorado. São
Paulo: USP.
MÜLLER, Regina Polo. 1984/85a. "Asuriní do
Xingu". Revista de Antropologia 27/28: 91-114. São Paulo.
MÜLLER, Regina Polo. 1984/85b. "Asurini do Xingu:
arte gráfica". Revista de Antropologia 27/28: 415-424. São Paulo.
MÜLLER, Regina Polo. 1988. "Os Asuriní do
Xingu". Em As hidrelétricas do Xingu e os povos indígenas (Leinad
Ayer O. Santos & Lúcia M. M. de Andrade, orgs.). São Paulo: Comissão
Pró-Índio de São Paulo. pp. 173-177.
MÜLLER, Regina Polo. 1990. Os Asuriní do Xingu:
história e arte. Campinas: Editora da UNICAMP. (Originalmente tese de
doutorado pela USP-FFLCH De como cincoenta e duas pessoas reproduzem uma
sociedade indígena: os Asuriní do Xingu, 1987).
RIBEIRO, Darcy. 1955. "Os Índios Urubus: ciclo anual
das atividades de subsistência de uma tribo da floresta tropical". Anais
do XXXIº Congresso Internacional de Americanistas, vol. 1, págs. 127-157.
São Paulo: Anhembi. Republicado em Boletim Geográfico, vol. 20, nº 169,
Rio de Janeiro, 1962; em Uirá Sai à Procura de Deus: Ensaios de Etnologia e
Indigenismo, de Darcy Ribeiro, Rio de Janeiro: Paz e Terra., 1974, págs.
31-59; e em Leituras de Etnologia Brasileira, organizado por Egon
Schaden, São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1976, págs. 23-43.
RIBEIRO, Darcy. 1957. "Uirá vai ao encontro de Maíra
— As experiências de um índio que saiu à procura de Deus". Anhembi,
vol. 26, nº 76. São Paulo. Republicado em Uirá Sai à Procura de Deus:
Ensaios de Etnologia e Indigenismo, de Darcy Ribeiro, Rio de Janeiro: Paz e
Terra., 1974, págs. 13-29.
RIBEIRO, Darcy & Berta G. RIBEIRO. 1957. Arte
plumária dos índios Kaapor. Pranchas de Georgette Dumas. Rio de Janeiro:
[patrocínio dos Laboratórios Silva Araújo-Roussel S.A.].
VIDAL, Lux. 1984/85. "Os Parakanã". Revista
de Antropologia 27/28: 197-202.
VIVEIROS DE CASTRO, Eduardo. 1986. Araweté: Os Deuses
Canibais. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, São Paulo: ANPOCS.
VIVEIROS DE CASTRO, Eduardo. 1992. Araweté — O povo do
Ipixuna. São Paulo: Centro Ecumênico de Documentação e Informação (CEDI,
atualmente assimilado pelo ISA, Instituto Socioambiental).
VIVEIROS DE CASTRO, Eduardo & Lúcia M. M. de ANDRADE.
1988. "Os povos indígenas do médio Xingu". Em As hidrelétricas do
Xingu e os povos indígenas (Leinad Ayer O. Santos & Lúcia M. M. de Andrade,
orgs.). São Paulo: Comissão Pró-Índio de São Paulo. pp. 135-145.
WAGLEY, Charles & Eduardo GALVÃO. 1961. Os índios
Tenetehara (uma cultura em transição). Rio de Janeiro: MEC-Serviço de
Documentação.
HOME PAGES
ANDRADE, Lúcia. "Asurini do Tocantins": http://www.socioambiental.org/website/epi/asuri_to/asuri_to.htm.
Verbete para a futura Enciclopédia Povos Indígenas no Brasil.
São Paulo: Instituto Socioambiental.
BALÉE, William. "Ka’apor": http://www.socioambiental.org/website/epi/kaapor/kaapor.htm. Verbete para a futura Enciclopédia Povos Indígenas no
Brasil. São Paulo: Instituto Socioambiental.
FORLINE, Louis Carlos. "Guajá": http://www.socioambiental.org/website/epi/guaja/guaja.htm.
Verbete para a futura Enciclopédia Povos Indígenas no Brasil. São Paulo:
Instituto Socioambiental.
ISA, equipe de redação do. "Anambé": http://www.socioambiental.org/website/epi/anambe/anambe.htm.
Verbete para a futura Enciclopédia Povos Indígenas no Brasil. São Paulo:
Instituto Socioambiental.
LARAIA, Roque de Barros. "Suruí": http://www.socioambiental.org/website/epi/surui/surui.htm.
Verbete para a futura Enciclopédia Povos Indígenas no Brasil. São Paulo:
Instituto Socioambiental.
SCHRÖDER, Peter. "Guajajara": http://www.socioambiental.org/website/epi/guajajar/guajajar.htm. Verbete para a futura Enciclopédia Povos Indígenas no
Brasil. São Paulo: Instituto Socioambiental.
VIVEIROS DE CASTRO, Eduardo. "Araweté": http://www.socioambiental.org/website/epi/arawete/arawete.htm.
Verbete para a futura Enciclopédia
Povos Indígenas no Brasil. São Paulo: Instituto Socioambiental.
Voltar ao Sumário de Índios da América do Sul
Voltar para menu de Línguas Indígenas Brasileiras