Islamismo - Filosofia Islâmica 
A
Seitas e escolas teológicas 
          Em seus primórdios, a filosofia árabe foi principalmente uma filosofia de teólogos, que devem tudo às crenças e tradições religiosas muçulmanas. Até o século IX, as especulações filosóficas do mundo árabe restringiam-se às discussões teológicas das primeiras seitas e escolas ascéticas, cuja suprema preocupação residia no exame de questões éticas e morais. O primeiro grande representante dessa época e notável cultor da reflexão moral de índole teórica foi Hasan al-Basri, que integrou o grupo chamado Companheiros do Profeta, responsável pelo início da maioria das discussões teológicas que logo se cristalizariam na constituição de seitas e escolas teológicas, como as de Antioquia (século III), de Nasibim, em comunidade de fala síria, e de Nasibim-Edessa, a principal delas, que floresceu entre os séculos IV e V e reuniu os nestorianos condenados como heréticos pelo Concílio de Éfeso (431). A esses nestorianos somaram-se depois outras seitas igualmente heréticas, como as dos monofisistas (responsáveis pela introdução do misticismo e dos ideais neoplatônicos), dos zoroastrista persas, dos pagãos de Harran e até mesmo dos judeus. 
          Tais seitas e escolas -- no interior das quais se destacavam os nomes de Alfarabi, Avicena, Avempace, Abubaker e Averroés, os três últimos já na Espanha -- dedicaram-se inicialmente a debates de questões como os atributos divinos e os conflitos entre a predestinação e o livre-arbítrio. Contribuíram consideravelmente para a concretização de uma reflexão filosófica que já se poderia dizer autônoma, cujo expoente supremo foi Alkindi, que viveu no século IX. Toda essa estratificação orgânica da filosofia árabe tornou-se possível, em grande parte, graças à transmissão ao universo muçulmano de consideráveis vertentes dos sistemas gregos, sobretudo o aristotelismo e o neoplatonismo, o que se deve à versão síria do helenismo, à atividade filosófico-religiosa dos nestorianos, ao misticismo dos teólogos monofisistas egípcios, e finalmente, às traduções muçulmanas das versões sírias dos textos gregos.
 
 
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