Igreja Católica - Santos católicos
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São Paulo
 
          A atitude revolucionária de Paulo modificou a orientação seguida pelos primeiros apóstolos e apontou a cruz como o caminho da salvação, o que levou os cristãos a uma situação-limite, expressada pela única escolha possível: Cristo ou o farisaísmo. A imensa importância histórica do "apóstolo dos gentios" fez com que ele chegasse a ser apontado como o fundador do cristianismo. 
          Paulo nasceu na cidade de Tarso, na Cilícia (hoje uma região da Turquia) por volta do ano 10 da era cristã, de uma família judaica da tribo de Benjamim. Recebeu o nome de Saulo ("desejado"), que alterou para Paulo (do latim paulus, "pequeno") depois da conversão e do batismo, provavelmente em homenagem ao pró-cônsul convertido Sérgio Paulo. Membro da seita ortodoxa dos fariseus, como seu pai, recebeu desde a infância, em Jerusalém, uma sólida formação religiosa do célebre escriba Raban Gamaliel. Tudo indica que foi influenciado também pelas idéias helênicas que predominavam em Tarso, centro de ensino estóico. 
          Fiel à formação judaica, Paulo passou a perseguir os cristãos. Esteve presente, embora sem participação ativa, ao martírio de Estêvão, membro da comunidade cristã de Jerusalém que foi apedrejado após julgamento pelo Sinédrio. Por volta do ano 35, em viagem para Damasco, onde pretendia efetuar novas prisões de cristãos, Paulo teve a visão na qual Jesus o convocou para seu serviço. Temporariamente cego, foi guiado pelo Espírito Santo até Damasco, onde Ananias o curou e batizou. Mudou então radicalmente de vida e começou a pregar na própria cidade, para admiração dos cristãos, habituados a vê-lo como perseguidor. Viajou para a Arábia, de onde voltou a Damasco e tornou a pregar para os judeus, que decidiram matá-lo. Fugiu então para Jerusalém, onde conheceu Pedro e Tiago. 
          Nas três grandes viagens missionárias que a seguir empreendeu, narradas no livro dos Atos dos Apóstolos, Paulo expandiu o cristianismo e criou igrejas na Síria, Cilícia, Chipre, Macedônia e Atenas, e fixou-se em Corinto por algum tempo. No ano 53 voltou à Ásia, foi a Éfeso, depois a Corinto e à Macedônia. Fez três viagens missionárias, e entre a primeira e a segunda, no ano 49, participou do Concílio de Jerusalém, quando opôs-se aos judeu-cristãos e até ao próprio Pedro, que queriam impor a circuncisão e a observância da lei judaica aos gentios convertidos. No retorno a Jerusalém, para onde levava o resultado de uma coleta para os pobres, foi preso e submetido a julgamento pelo Sinédrio. Alegou então sua condição de cidadão romano e foi levado para Roma, onde viveu em relativa liberdade. Preso novamente em 66, foi morto alguns anos depois. 
          Epístolas. Paulo escreveu a maioria de suas 14 epístolas durante as viagens. Escritor de talento, dono de rico vocabulário e sólido conhecimento da língua grega, embora não fosse um retórico, alcançou momentos de sublime eloqüência graças à emoção e ao fervor de seus pensamentos e sentimentos. As epístolas, como escritos ocasionais, não devem ser vistas como tratados de teologia, mas como respostas a situações concretas. Traçadas sem preocupação literária, destinadas a leitores concretos em situações específicas, as cartas de Paulo constituem orientação específica a pastores de comunidades, com a finalidade de orientá-los em seu trabalho junto aos fiéis. Mesmo assim, deixam ver claramente uma doutrina fundamental, centrada em Cristo. Para ele só há o Cristo crucificado, nascido segundo a carne e constituído em virtude como Filho de Deus. 
          As epístolas paulinas estão dispostas na seguinte ordem: Romanos; Primeira e Segunda Coríntios; Gálatas; Efésios; Filipenses; Colossenses; Primeira e Segunda Tessalonicenses; Primeira e Segunda Timóteo; Tito; Filemon; Hebreus. 
          A concepção teológica de Paulo ensina que os homens são por natureza filhos de Adão e herdeiros de seu pecado, mas por adoração tornam-se filhos de Deus e participam das bênçãos de Cristo, o segundo Adão. Tal participação, porém, está vinculada à morte e à ressurreição de Cristo e é uma dádiva voluntária de Deus, uma graça imerecida que ele dá a quem quer e cuja resposta é a fé. 
          Para Paulo, o vocábulo igreja designava tanto a congregação local quanto a corporação inteira de todos os fiéis, que ele chamava "o Corpo de Cristo", do qual os fiéis são os membros. Em sua cristologia, ensinava a unidade de caráter entre Cristo e Deus, atribuindo-lhe preexistência e pós-existência na glória. Paulo desenvolveu também uma nova concepção da lei e de seu lugar nos planos de Deus. Sua importância, ao contrário do pensamento judaico, era episódica e apenas preparatória, como está dito em Romanos 3:27: "Em força de que lei? A das obras? De modo algum, mas em força da lei da fé." Paulo opõe a lei "escrita em tábuas" e a fé, lei interior que está gravada no coração e age pelo amor, que é a lei do Espírito. À preocupação primordial do judaísmo histórico opunha novo tipo de relacionamento com Deus, através da fé em Cristo, cuja morte na cruz satisfazia as exigências da lei e estabelecia um novo pacto. Com esta doutrina, Paulo evitou que o cristianismo se tornasse uma seita judaica e deu-lhe dimensão  não legalista, universal e cristocêntrica. 
          Evolução. A evolução de Paulo até o cristianismo não parece ter-se realizado em Jerusalém, nem foi resultado de seu contacto com os demais apóstolos. É muito provável que seu pensamento se tenha desenvolvido em Antioquia, ponto de partida da igreja dos gentios, onde estabeleceu-se, pela primeira vez, uma igreja cristã desligada do judaísmo, e também onde Paulo se formou definitivamente. Nesse ponto ele se distancia de Tiago e de Pedro, para os quais a nova fé seria um judaísmo reformado. As doutrinas de Paulo e suas idéias sobre Cristo -- sobretudo sua ênfase no contraste entre a carne e o espírito (1Cor 15:30), a vitória de Cristo "sobre os principados e potestades" (Ef 6:12), um Cristo "homem do céu" em oposição ao primeiro homem, "formado da terra" (1Cor 14:47) -- fortaleceram o ensino dualístico dos gnósticos, que consideravam Paulo o apóstolo principal. 
          Marcião, gnóstico que viveu em Roma no século II e foi um dos principais reformadores da igreja primitiva, dizia-se discípulo de Paulo, para ele o único apóstolo que entendeu realmente o Evangelho. Cristo foi um elemento doutrinário definido para a teoria gnóstica de um conhecimento superior, pois revelava os mistérios da gênese do mundo, a origem transcendente da situação do homem e a natureza da salvação, que são os temas principais do gnosticismo. 
          Paulo sempre foi considerado a maior figura da história do cristianismo, de vez que foi o executor da vontade de Jesus de transformar a mensagem evangélica em religião universal. A insistência da Reforma na doutrina especificamente paulina da justificação pela fé contribuiu para sua exaltação historiográfica. A teologia dialética também contribuiu para a revalorização da doutrina paulina da justificação pela fé, que não é mero apêndice de sua teologia. Segundo a tradição, Paulo foi decapitado em Roma, no ano 67 ou 70. É festejado pelos cristãos em 29 de junho, juntamente com são Pedro.
 
 
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