Religião grega
 
Religião romana
Mito e mitologia
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Mitologia greco-romana
          A riquíssima mitologia grega evoluiu como integração progressiva dos antigos deuses e cultos pré-helênicos, estreitamente vinculados aos ciclos agrícolas, e de outros elementos extraídos das cosmogonias orientais, ao sistema mítico introduzido pelos invasores indo-europeus e dominado por Zeus, deus atmosférico e protetor dos clãs guerreiros. Fruto desse processo foi a cristalização de uma complexa cosmogonia, sistematizada por Hesíodo, e de um panteão politeísta que adquiriu caracteres definidos na obra de Homero. 
          No que se refere a outras mitologias anteriores da antiguidade, a grega, e conseqüentemente a romana, introduziu aspectos vinculados à natureza que eram elementos renovadores nesse campo e deram origem a uma ampla série de entidades mitológicas, cuja dimensão seria determinante para o conhecimento do espírito dos povos mediterrâneos até a Idade Média. Embora sejam numerosas as teorias sobre a procedência inicial da tradição mitológica greco-romana, uma das interpretações mais aceitas é a que defende as origens cretenses, no seio das civilizações minóica e micênica. Os que elaboraram e alimentaram essa tese de linha evolutiva se basearam provavelmente no componente iconográfico comum em certos aspectos plásticos, que haveriam de encontrar complemento adequado com a penetração de referências dóricas e aquéias na cultura grega clássica. 
           Segundo Hesíodo, o mundo surgiu do caos primigênio graças à separação de Urano, o céu, e Géia, a Terra, por obra de Cronos, filho de ambos e rei dos Titãs, Cronos foi derrotado por seu filho Zeus, cuja ascensão ao trono do universo deu origem aos deuses do Olimpo. Além de Zeus -- chamado pelos romanos de Júpiter -- o panteão incluía uma plêiade de grandes deuses, entre os quais se destacavam: sua irmã e esposa Hera (Juno), protetora do matrimônio; seus irmãos Poseidon (Netuno), senhor do mar; Hades (Plutão), rei do mundo subterrâneo: Hestia (Vesta), guardiã do lar, e Deméter (Ceres), deusa da terra e da colheita, e seus diversos filhos: Apolo, personalidade multiforme adotado pelos romanos com o mesmo nome, que encarnava a beleza e a arte, e cujo filho, Asclépio (Esculápio), era venerado como deus da medicina; Ártemis (Diana), gêmea de Apolo e deusa da natureza agreste; Atena (Minerva), portadora do valor e da inteligência: Afrodite (Vênus), que juntamente com seu filho Eros inspirava e protegia o amor sexual; Ares (Marte), encarnação da guerra; Hefesto (Vulcano), deus do fogo; e outros de menor importância. As relações entre os deuses e suas respectivas atribuições variavam com freqüência, no entanto, segundo as diferentes tradições. 
          Características comuns a todos os deuses gregos eram sua relação com os fenômenos da natureza, cujas forças regiam, e sua figura antropomórfica, baseada em modelos e costumes humanos. Talvez por essa razão, apesar da solenidade dos cultos oficiais em templos e cerimônias -- Jogos Olímpicos -- e da veneração mostrada pelas diferentes cidades por seus deuses protetores, os filósofos gregos mostraram-se céticos com relação ao panteão mitológico, que consideravam como símbolo da vida humana e fonte de inspiração para artistas e escritores. 
          Após a conquista da Grécia, Roma assimilou a suas práticas religiosas, que eram fruto da herança etrusca e latina, o panteão helênico, e concedeu especial importância à tríade capitolina formada por Júpiter, Juno e Minerva. 
          A riqueza do mundo mitológico grego não se esgota certamente nos relatos sobre os deuses olímpicos e suas freqüentes intervenções nos assuntos humanos. Em suas lendas aflora toda uma vasta trama de divindades menores, freqüentemente relacionadas com a natureza, como as ninfas, os sátiros e o deus Pan; animais fabulosos, como a harpia e o pégaso; seres monstruosos, como a Medusa e o Minotauro; e outras inumeráveis figuras representativas de diversas concepções míticas. Figuras de destaque são, com certeza, os heróis, descendentes ou protegidos dos deuses, cujas façanhas são narradas em ciclos individuais ou em relatos genéricos como a Ilíada, a Odisséia; as lendas sobre a viagem de Jasão e os Argonautas e, na esfera romana, a Eneida, de Virgílio. Embora em seu tempo estivessem freqüentemente associados a diferentes cidades, hoje se aprecia neles sobretudo o símbolo de qualidades como o valor (Aquiles), a força irrefreável (Hércules) e a prudência (Ulisses). Suas figuras, a que os dramaturgos atenieneses atribuíram muitas vezes uma auréola trágica, revelam ao leitor atual, com o conjunto da mitologia grega, um fascinante e vívido espelho da multiforme natureza humana. 
           "O nascimento de Vênus", quadro de Sandro Botticelli que representa a deusa do amor. Na mitologia greco-romana, os oceanos são fonte da vida de algumas divindades. (Galleria degli Uffizi, Florença.)
 
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