Mito e mitologia
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Mitologia do Oriente Médio
          Berço da civilização, o Oriente Médio foi palco também do surgimento das primeiras religiões e sistemas mitológicos. Por sua antiguidade, caberia destacar em primeiro lugar as mitologias mesopotâmicas -- dominadas pelos problemas da criação, o lugar do homem no mundo e a vida no além--, cujo desenvolvimento refletiu a sucessão de povos que dominaram a Mesopotâmia até pouco antes da era cristã. Aos sumérios se deveu a evolução dos primeiros cultos à natureza até a criação de um complexo panteão antropomórfico encabeçado por Anu -- deus dos céus a quem os acádios chamariam Anum -- e a primeira redação do célebre Poema de Gilgamesh, herói que quis alcançar a imortalidade, cujo mito foi depois reelaborado por acádios e assírios.
          O caráter sincrético das religiões mesopotâmicas, que determinaram decisivamente a organização política e social daquelas culturas, fica patente também no poema babilônico da criação -- relativo à ascensão ao trono divino da divindade acádia Marduk -- e se transmitiu às religiões da Síria e da Palestina, elaboradas por cananeus, fenícios, hititas etc. Baal, por exemplo, originalmente um deus cananeu, deu nome a diversas divindades da região -- razão pela qual seu nome está identificado na Bíblia com o culto a todos os falsos deuses -- e foi adotado pelos fenícios como senhor dos céus.
         A religião egípcia, praticada durante três mil anos quase livre de influências externas, distinguia-se por seu estrito caráter teocrático, que vinculava o faraó à divindade, e pela importância dos ritos funerários, cujo objetivo era assegurar a imortalidade e o favor divino após a morte. Assim, mesmo quando o panteão mitológico sofreu diversas mudanças em sua estrutura hierárquica, permaneceram inalteráveis durante esses três milênios as concepções religiosas essenciais, baseadas na absoluta subordinação de todos os níveis da existência ao mundo sobrenatural.
          Os primeiros faraós consideravam-se encarnações do deus Horus, filho de Ísis e do grande Osíris, senhor e juiz dos mortos, objeto de um completo ciclo mítico centrado em sua perpétua morte e ressurreição. Junto dele se conservariam, no entanto, inúmeras divindades locais, e assim a figura de Osíris, que dominou o panteão durante o Médio Império, cedeu sua preeminência no Novo Império a Amón-Rá, fruto da simbiose entre o antigo deus solar Rá e a divindade tebana Amón. Apesar da definição de Amón-Rá como "único criador" e de algumas isoladas tentativas para implantar o monoteísmo, a religião egípcia manteve sempre um politeísmo oficial traduzido na inesgotável elaboração de relatos mitológicos sobre as relações entre os diversos deuses.
          Merece menção entre as religiões do Oriente Médio o zoroastrismo persa, formulado por Zoroastro no século VI sobre a base do antigo masdeísmo politeísta. Embora o zoroastrismo reconhecesse um único deus supremo, Ormuz, senhor da verdade e da luz, sua doutrina fundamental se centrava na perpétua oposição entre o bem e o mal, dualismo registrado no livro sagrado Avesta, por meio de uma cosmogonia marcadamente mitológica e politeísta.
     
 
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