Mito e mitologia
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Mitologias pré-colombianas
          As religiões da América pré-colombiana, à época do descobrimento, variavam desde formas animistas primitivas, com cultos estreitamente ligados à natureza, até sofisticados panteões mitológicos que, nos casos mais avançados -- impérios asteca e inca --encontravam-se provavelmente próximos do monoteísmo. A evolução maior ocorreu fundamentalmente em duas grandes regiões culturais -- América Central, o México inclusive, e regiões andinas --, cujas sucessivas civilizações tenderam a integrar de maneira sincrética, em novos sistemas, os deuses e concepções religiosas preexistentes. Cabe notar, no entanto, que povos da América do Norte e outras regiões sul-americanas criaram mitologias próprias originais.
          No que se refere ao México e à América Central, as manifestações religiosas arcaicas adquiriram firmeza nos panteões das grandes culturas teocráticas -- dirigidas por sacerdotes que controlavam os calendários e os ritos -- do horizonte clássico e especialmente no centro sagrado de Teotihuacan, que, entre os séculos I e VI d.C., difundiu por toda a região o culto ao deus civilizador Quetzalcóatl, criador do homem. No século VII, a chegada dos toltecas -- povo guerreiro cujo sanguinário deus Tezcatlipoca, o Sol noturno, expulsou Quetzalcóatl, segundo conta a lenda -- provocou a destruição de Teotihuacan.
          Sua cultura, no entanto, perdurou em grande parte na civilização maia do Yucatán, que sofreu também o influxo de grupos toltecas fiéis a Quetzalcóatl, conhecido pelos maias com o nome de Kuculkán. Outras importantes divindades maias eram Itzamná, senhor dos deuses e filho do primeiro criador Hunab-Ku; e Chac, deus da chuva equivalente ao Tlátoc asteca. O texto sagrado em língua quiche Popol-Vuh constitui uma fonte de inapreciável valor sobre a mitologia maia, cuja variedade se ampliava ainda mais ao se desdobrar cada divindade em quatro figuras relacionadas aos pontos cardeais.
          A integração das culturas anteriores conferiu extraordinária riqueza à mitologia asteca, correspondente a um regime teocrático dominado pela figura do rei em que as concepções guerreiras, políticas e religiosas formavam um todo unitário. A cosmogonia asteca, de caráter fatalista, considerava que o mundo se achava em seu quinto estado, após a destruição dos quatro anteriores, crença que fundamentava, a prática de sacrifícios humanos, cujo propósito era proporcionar sangue ao Sol para que sua luz não se apagasse. Veneravam-se popularmente inúmeros deuses menores, com o objetivo de alcançar sua proteção frente aos desastres naturais. As três divindades principais do panteão eram Quetzalcóatl, Tezcatlipoca, protetor dos jovens guerreiros e feiticeiros, e Huitzilipochtli, o Sol diurno, deus supremo das antigas tribos astecas, senhor da guerra e adorado também pelos camponeses como protetor das colheitas. Além deles, existiam divindades próprias das diversas classes sociais e profissões, e outras que encarnavam forças cosmogônicas, embora se tenha observado que durante o século XV começaram a se desenvolver algumas tendências dualistas e, em menor medida, monoteístas.
          As civilizações andinas também desenvolveram complexos sistemas religiosos, embora seus panteões mitológicos não tenham alcançado a multiformidade dos da América Central. As manifestações artísticas de culturas que floresceram durante o primeiro milênio antes da era cristã, entre elas a de Chavín, com suas representações de animais totêmicos e grotescas figuras antropomórficas, mostravam já acentuados traços de elementos religiosos e simbólicos associados a cultos da natureza que seriam depurados por civilizações posteriores, como as de Huari e Tiahuanaco, esta última centro de um importante movimento religioso.
          A religião inca, estatal e teocrática, divinizava o imperador como "filho do Sol". Soube, no entanto, assimilar as divindades e crenças dos povos conquistados para assegurar a unidade política do império, o que explica a convivência de ritos populares junto da religião oficial encarnada pelo panteão inca.
     
 
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