A decadência da velha capital sob o domínio dos bárbaros, a divisão do império e as pretensões do imperador de Bizâncio, que se considerava o herdeiro único do império -- de toda a cristandade -- acentuaram o antagonismo entre as igrejas, e iniciaram um processo de crescente afastamento, do século V ao século XI, em meio a fracassadas tentativas de reunificação. O conflito político e a diversidade de idioma, costumes e ritos litúrgicos sublinharam as divergências teológicas, que passaram a ser resolvidas, nos concílios ecumênicos, com a participação dos bispos do Oriente e do Ocidente. No ano 867, Fócio, patriarca de Constantinopla, suscitou grave ruptura, ao condenar o papa Nicolau I pelo acréscimo da expressão Filioque ("e do Filho") na versão ocidental do credo de Nicéia, para indicar que o Espírito Santo procede do Pai e do Filho, e por sua determinação em tornar a sede episcopal de Roma cabeça de todas as igrejas cristãs. Deposto a pedido de Roma, o patriarca foi reintegrado depois no posto e, finalmente, confinado num mosteiro armênio. A ruptura decisiva, o cisma entre Oriente e Ocidente, deu-se no século XI, quando o patriarca Miguel Cerulário reproduziu as acusações de Fócio contra Roma, e desafiou o papa Leão IX, sendo por ordem deste excomungado (1054). As cruzadas, organizadas pela cristandade latina, e especialmente a tomada de Constantinopla pelos cruzados, em 1204, além do estabelecimento do império latino de Constantinopla, consumaram a separação entre as igrejas oriental e ocidental. Missionários da igreja oriental converteram os búlgaros no século IX, os sérvios e os russos nos séculos X e XII, e criaram novos patriarcados. Numerosas tentativas de união foram feitas. Entre os atos de reunificação, todos com resultados efêmeros, foram importantes o Concílio de Lyon (1274) e o de Ferrara-Florença (1438-1439). Com a tomada de Constantinopla pelos turcos, em 1453, por falta de ajuda militar substancial do Ocidente, a união também se tornou politicamente inviável. Nos últimos séculos, a Igreja Ortodoxa, cuja ação se concentrava na Ásia e na Europa oriental, expandiu-se para o Ocidente e incluiu o continente americano e a Austrália. No século XX, os ortodoxos participaram do movimento ecumênico para a restauração da unidade cristã, e para a orientação da ação evangélica e social comum. A partir da fundação do Conselho Mundial de Igrejas, em 1948, foram organizados estudos conjuntos e formas de cooperação para descobrir caminhos que possam expressar a unidade entre ortodoxos e anglicanos e entre ortodoxos e católicos. O patriarca de Constantinopla (em Istambul), no fim do século XX guiava dois milhões de fiéis, dos quais um milhão na Turquia, Grécia, outros países europeus e Austrália, e um milhão nos Estados Unidos. Os patriarcas de Alexandria, Antioquia-Damasco, Moscou, Sérvia, Romênia e Bulgária são independentes. As igrejas da Grécia, Chipre, Sinai, Geórgia, Polônia e Albânia são autocéfalas, ou seja, independentes e sem patriarcas. Já as igrejas da Finlândia, República Tcheca, Hungria e Ucrânia são autônomas e seus arcebispos, eleitos, são confirmados pelo patriarca de Constantinopla. A igreja do Japão está ligada à dos Estados Unidos. No Brasil, o maior número de igrejas ortodoxas pertence ao patriarcado antioquino. |