As menções do Antigo Testamento ao espírito de Deus apresentam uma ambigüidade que permite interpretar essas alusões como um artifício literário para designar a ação de Deus sobre os homens e os povos. No Novo Testamento, a identificação do Espírito Santo como pessoa diferenciada aparece de modo mais preciso: sua manifestação no batismo de Jesus no Jordão, a fórmula do batismo, a promessa do envio do Espírito Santo depois da ascensão de Cristo. A diferenciação precisa do Espírito Santo como pessoa divina não havia sido estabelecida na igreja primitiva. Não é possível determinar em que momento a igreja formulou essa distinção. O reconhecimento de Cristo como Deus verdadeiro diferente do Pai foi a chave para a reflexão teológica sobre a unidade de Deus e a diversidade das pessoas divinas na revelação cristã. O primeiro Concílio de Constantinopla, em 381, afirmou explicitamente a divindade da terceira pessoa da Trindade. Cada pessoa da Trindade se dá a conhecer mediante determinadas ações. Ao Espírito Santo se atribuem dois tipos de intervenções na salvação dos homens: a santificação e os carismas. É nas epístolas de São Paulo e nos Atos dos Apóstolos que se trata mais precisamente desses dois tipos de intervenção. Paulo apresenta o Espírito Santo como santificador, como comunicador da vida divina ao homem por meio de sua presença interior. O mesmo Paulo, assim como Lucas, autor dos Atos dos Apóstolos, identifica a ação do Espírito Santo com os dons carismáticos - extraordinários - que conferem novos impulsos e vitalidade à comunidade cristã: dom de fazer milagres, dom de línguas, profecia, sabedoria, ciência, fé, cura e discernimento. As interpretações abusivas da intervenção carismática do Espírito Santo, origem de numerosas heresias, provocaram a desconfiança da igreja, que, não obstante, foi sensível ao risco que implicava negar as autênticas intervenções do Espírito Santo.
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