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Islamismo -
Filosofia Islâmica
A
De Avicena e Algazali
Herdeiro das tradições
aristotélico-platônicas de Alkindi e, principalmente, de Alfarabi,
Avicena foi o mais ilustre dentre todos os muçulmanos orientais.
Segundo ele, o conhecimento forma-se a partir da realidade dos objetos
conhecidos, desde a consciência dos princípios primordiais
até a revelação escatológica, passando pelos
princípios universais ou ideais. Sua sistematização
da especulação interior é de capital importância
para a filosofia escolástica, que absorveu de Avicena pelo menos
três noções básicas: a da existência enquanto
acidente que se associa à essência; a que se relaciona ao
conceito da unidade do intelecto agente, constituída à custa
da ascensão da potência no ato do entendimento; e a da distinção
entre a essência e a existência nos seres criados, equivalente
à união destes em Deus. Além da contribuição
de ordem metafísica, o avicenismo proporcionou ainda significativas
modificações no campo da lógica, em que conciliou
diversos aspectos dos modelos aristotélicos e estóicos.
Como os predecessores, Avicena tentou
harmonizar, em suas várias obras, as formas abstratas da filosofia
com as tradições religiosas do islamismo. Tal pretensão,
porém, falhou em muitos pontos, o que deu origem às críticas
movidas contra ele por Algazali, cujo ceticismo racionalista, particularmente
visível em sua Tahafut al-falasifa (Autodestruição
dos filósofos), opõe-se tanto ao aristotelismo avicenista
quanto ao neoplatonismo dos demais filósofos árabes. Em outras
palavras, Algazali não admite racionalização helenizante
das crenças religiosas. Seu Deus é o Deus do homem religioso,
e não o do intelectualismo avicenista.
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