Desde os primeiros textos, escritos em rolos de papiro, até às modernas edições comentadas do século XX -- ao longo de cerca de trinta séculos --, o texto bíblico manteve uma surpreendente vitalidade e alimentou a fé de muitos povos e nações. Essa força decorre do permanente diálogo entre o livro, que interpela a consciência dos homens, e os homens, que o interrogam em busca de respostas a suas indagações transcendentes. A Bíblia é uma coleção de textos, divididos em duas partes: o Antigo ou Velho Testamento, reunido por etapas nos dez séculos anteriores ao nascimento de Jesus Cristo; e o Novo Testamento, escrito durante o século posterior a sua morte. A palavra "testamento" (testamentum na tradução latina da Vulgata) traduz o grego diatheke, que por sua vez é tradução do termo hebraico berith, "aliança". O uso do termo diatheke -- testamentum nos Evangelhos (p. ex. Lc 20,22) e nas Epístolas (p. ex. Rm 9,1-11; Hb 8 e 9), que aludem a textos como Gn 9 e 15 e Ex 24, 8, estabelece uma unidade espiritual entre os escritos cristãos e a coleção judaica. A palavra Bíblia corresponde ao plural grego de biblion e significa "os livros". Refere-se aos livros que a compõem, também denominados Sagradas Escrituras, devido a seu caráter canônico, isto é, enquadrados em um cânon, ou padrão, como livros sagrados, diretamente inspirados por Deus. Entretanto, o conjunto não é o mesmo para todas as religiões, pois o critério de canonicidade difere de religião para religião. Assim, no Antigo Testamento só são canônicos, para os judeus, os livros cujo original hebraico foi encontrado, o que exclui Judite, Tobias, I e II Macabeus, Sabedoria, Eclesiástico e Baruc, que são canônicos para os cristãos; e os livros do Novo Testamento, que testemunham a vida de Jesus Cristo e de seus apóstolos, são canônicos apenas para os cristãos. Além desses livros, existem outros, que formam a chamada literatura intertestamentária, e englobam: (1) os livros apócrifos -- alguns deuterocanônicos (ou seja, de canonicidade só reconhecida posteriormente) para a Igreja Católica; outros, canônicos para a Igreja Ortodoxa; e ainda outros não-canônicos para o judaísmo e o protestantismo; (2) os pseudepigráficos (erroneamente atribuídos a autores bíblicos), não-canônicos para todas as religiões; e (3) os manuscritos do mar Morto, também considerados não-canônicos, embora ainda em estudo por parte de especialistas de todas essas religiões.
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