|
Entre 1975
e 1984, o canal de televisão norte-americano NBC apresentou,
anualmente, memoráveis shows de mágica com uma hora de duração.
Ao todo, foram realizados oito programas que levaram ao mundo
alguns dos mais sensacionais números de ilusionismo vistos até
então. O primeiro, intitulado The World of Magic, apresentado
por Bill Cosby e Gene Kelly, foi ao ar em 26 de dezembro de
1975 e foi visto por 50 milhões de pessoas. O grande sucesso
do show levou ao planejamento do segundo da série, que passou
a trazer no título o nome de seu astro principal: Doug Henning's
World of Magic.
Em maio
de 1974, o mágico canadense Doug Henning causou uma reviravolta
ao lançar no Cort Theater, na Broadway, o espetáculo mágico-musical
The Magic Show. A produção ficou quatro anos e meio em cartaz,
tendo sido uma das de maior duração na história da Broadway.
Rompendo com a tradicional imagem do mágico de casaca e cartola,
Doug apresentou-se ao mundo como um sorridente "hippie", de
cabelos compridos e aderentes roupas coloridas. Introduziu o
rock nas performances mágicas de palco e trouxe um revigorante
clima de modernidade na cenografia, na iluminação e na dinâmica
dos espetáculos. Muitos de seus números eram inovadores, em
especial sua versão da Metamorfose, que se tornou muito popular.
A conceituada
revista MAGIC, concluiu que Doug foi o quinto mágico que mais
influiu sobre os caminhos das artes mágicas nos EUA neste século;
O primeiro foi Harry Houdini. Sem dúvida alguma, foi o mágico
mais conhecido no mundo entre as décadas de 70 e 80.
Douglas
James Henning nasceu em Winnipeg, Manitoba, no Canadá, em 3
de maio de 1947. Seu interesse pela mágica surgiu aos seis anos
de idade, quando viu um mágico levitar uma mulher num programa
de televisão. Logo adquiriu um kit de mágicas e começou a ler
livros especializados na biblioteca local. Aos 14 anos fez sua
primeira apresentação como mágico na festa de aniversário de
um amigo. Ficou tão entusiasmado com a reação positiva do público
que resolveu lançar-se na carreira.
Doug queria
ser médico. Entrou para a Universidade McMaster com este propósito.
Lá estudou a psicologia da percepção que o ajudou a compreender
o poder da sugestão e o inspirou a criar algumas de suas grandes
ilusões. Ele acabou não concluindo o curso para se dedicar às
artes mágicas. Conseguiu uma bolsa de estudos do governo canadense
no valor de US$ 4 mil e assim pode viajar para aprender mágicas
com alguns dos maiores mestres de todos os tempos, tais como
Dai Vernon e Slydini.
O primeiro
grande show do mágico, chamado Spellbound, foi realizado no
Royal Alexander Theater, em Toronto, Canadá, graças a um empréstimo
bancário de US$ 5 mil, mais US$ 40 mil obtidos com a ajuda do
amigo Ivan Reitman, um ex-colega da faculdade. O arriscado investimento
foi um recorde de bilheteria e atraiu atenção dos produtores
da Broadway.
Em 1973,
Doug começou a praticar Meditação Transcendental com o fim de
reduzir tensões e adquirir maior controle mental. Em 1975 conheceu
pessoalmente o iogue indiano Maharishi Mahesh, criador da técnica
e ex-guru dos Beatles. Os excelentes resultados que obteve com
a prática da meditação fizeram com que se aprofundasse no estudo
da milenar ciência védica (dos Vedas). A riqueza da cultura
védica inspirou o mágico a se dedicar a um gigantesco projeto:
a criação de um enorme parque temático de US$ 1.5 bilhão, denominado
Maharishi Veda Land, que combinaria os ensinamentos védicos
com sofisticadas ilusões mágicas e alta tecnologia de entretenimento.
Em dezembro
de 1981, Doug se casou com Debby Douillard em Fairfield, Iowa,
EUA. Ela o acompanhou em várias performances e, como desenhista,
idealizou a programação visual dos espetáculos.
Apesar de
ter colecionado grandes prêmios por seus magníficos espetáculos
e de ter sido o único artista a entreter a festa de Natal da
Primeira Dama Nancy Reagan, na Casa Branca, em 1986, Doug retirou-se
do mundo mágico profissional para se dedicar ao projeto do parque
temático. Seus equipamentos mágicos foram leiloados. A brilhante
carreira do mágico tinha chegado ao fim.
O número
de outubro de 1999 da revista MAGIC trouxe uma entrevista com
Doug, 12 anos após sua saída do cenário mágico. Muitos cogitavam
sobre sua possível volta aos palcos, mas um câncer no fígado
apagou as esperanças dos seus milhões de admiradores. Doug Henning
faleceu aos 52 anos, em 7 de fevereiro de 2000.
Doug escreveu
o livro Houdini - His Legend and his Magic (Warner Books, 1977)
em parceria com Charles Reynolds, um respeitado historiador
das artes mágicas. Curiosamente, ele morreu com a mesma idade
de Harry Houdini (52 = o número de cartas no baralho).
Fonte:
Boletim de Artes Mágicas,
Nº 10 - Fevereiro de 2000.
Autor: Mahatma
|