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Carter, o Grande


Charles Joseph Carter, nasceu em New Castle, na Pennsylvania, EUA, em 14 de junho de 1874. Descendente da família que fundou a cidade de Cartersville, no Estado de Maryland, iniciou sua carreira de mágico aos 10 anos, em Baltimore. Com apenas 17 anos, se apresentava numa casa de ópera no Texas como "Mestre Charles Carter, o mais jovem prestidigitador da América".

Formado em Direito, casou-se aos 20 anos com Corinne e, em 1894, estrelaram o espetáculo The Escape from Sing Sing no Casino Frank Hall, em Chicago. Corinne era algemada e trancada numa jaula por membros da platéia. Carter cobria a jaula com um tecido e, em menos de trinta segundos, sua esposa aparecia livre na entrada do teatro. Na jaula, no lugar de Corinne, surgia um suposto criminoso, enfurecido por ter sido capturado pela magia de Carter. No ano seguinte, com o nascimento do filho Lawrence, em 5 de março, o casal decidiu parar com o número de escapismo. Em julho, Carter lançou outro espetáculo, The Phantom Bride, no qual suspendia Corinne a quase dois metros do chão, amarrada a uma cadeira. O mágico disparava uma pistola contra a esposa, mas esta desaparecia, deixando a cadeira cair vazia ao solo.

Carter, "o Grande", foi um dos mágicos dos EUA que parece ter feito muito mais sucesso no Exterior. Tinha 31 anos quando partiu em sua primeira turnê mundial. Seus espetáculos no Oriente, na América do Sul, na África, na Europa e na Austrália tinham público garantido. Conquanto dependesse de trens e carroças para transportar seus equipamentos, Carter conseguia levar pelo mundo afora um show bonito e sofisticado, elogiado pelos críticos. Seus coloridos cartazes promocionais, de dimensões gigantescas, conquistavam a curiosidade do público. O artista dizia que tinha percorrido o equivalente à "três vezes a circunferência da Terra". Para tanto, cruzou perigosas regiões isoladas, enfrentou epidemias e sobreviveu a violentos acidentes.

Carter estava sempre em busca de números sensacionais e, em alguns momentos, agiu de modo nada elogiável para conseguí-los. Em 1909, contratou os serviços do mecânico Fritz Bucha, que trabalhara como diretor de palco de Harry Kellar (1849-1922). Carter convenceu o mecânico a reproduzir a complexa técnica de levitação que Kellar havia lançado nos EUA. No Havaí, Carter incluiu a reprodução não autorizada em seu show, sem que Kellar e seu sucessor, Howard Thurston (1869-1936) soubessem.

Em 1917, o iliusionista estava em excelente situação financeira e poderia ter se aposentado. Vivia confortavelmente numa luxuosa mansão em São Francisco (EUA), adornada com belas antiguidades e obras de artes, onde Carter construiu um teatro particular. Na época, o mágico tentou vender seu espetáculo por US$ 25 mil, mas não apareceu nenhum comprador. Adquiriu a Martinka & Company, em Nova Iorque, que era o mais antigo fornecedor de artigos mágicos dos EUA. Carter pretendia abrir uma rede de lojas e uma agência para empresariar artistas, mas seus planos não deram certo. Meses depois, vendeu a loja, voltou aos palcos e criou a empresa cinematográfica Carter Film Corporation, em São Francisco. Foi o astro principal de seus filmes, mas a aventura como ator não deu bons resultados.

Muitos pensaram que Carter não voltaria a atuar após ter comprado a loja, mas ele permaneceu firme na profissão até morrer. Em 1935, em Hong Kong, durante sua oitava e última turnê internacional, sua saúde começou a fraquejar. Carter passou a fazer apenas os números de mentalismo e seu filho Larry assumiu a apresentação das ilusões. Muitos diziam que o mentalismo de Carter era muito mais impressionante que suas grandes ilusões. Na passagem do show pela Índia, um forte ataque cardíaco fez com que fosse hospitalizado em Bombaim. No hospital, Carter fez seu filho prometer que o espetáculo seria feito normalmente naquela noite. No dia seguinte, 13 de fevereiro de 1936, o audacioso ilusionista faleceu aos 61 anos de idade.

"Carter, o Grande" refletiu muito de si e de sua experiência profissional no livro Magic and Magicians (1903).

Fonte: Boletim de Artes Mágicas, 2º Ano - Nº 14 - Junho de 2000.
Autor: Mahatma

 
 

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