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Adelaide
Scarcez, filha de belgas, nasceu em Londres, Inglaterra, em
1854. Aos 22 anos, estava à bordo de um navio quando conheceu
o grande ilusionista Alexander Herrmann, que havia visto atuar
no Egyptian Hall, em Londres. Adelaide estava indo para a América
para se casar com um ator americano, mas antes de chegar ao
destino resolveu desistir do noivado. Acabou se casando com
Alexander em 27 de março de 1875, em Manhattan, numa cerimonia
celebrada pelo prefeito de Nova York.
Adelaide
Herrmann apaixonou-se pelas artes mágicas. Dançarina, com uma
natural inclinação ao mundo dos espetáculos, iniciou-se no campo
da mágica como assistente do marido. Foi assistente de Herrmann,
o Grande até o dia 17 de dezembro de 1896, quando um súbito
ataque cardíaco a tornou viúva.
O casal
morava numa bonita mansão em Whitestone Landing, em Long Island
e vivia entre a mais refinada elite social. O imperador Dom
Pedro II era um de seus famosos admiradores. O imperador assistiu
dezenove vezes o show dos Herrmanns quando estiveram no Rio
de Janeiro, Brasil, em 1883. A impresa constantemente noticiava
seus magníficos espetáculos e suas andanças junto às celebridades
da época.
Alexander
ganhou muito dinheiro, mas gastou tanto que quase faliu. Adelaide
assumiu o controle da situação e conseguiu evitar a ruína financeira.
Alexander havia nomeado Leon, seu sobrinho, como seu sucessor,
mas após sua morte foi a esposa que brilhou profissionalmente.
Adelaide e Leon chegaram a lançar uma nova Herrmann the Great
Company, em que ambos atuavam, mas a sociedade teve curta duração,
por causa de desentendimentos. Para o desgosto de Adelaide,
Leon continuou sua carreira independente como "Herrmann, o Grande"
até 16 de maio de 1909, quando morreu.
Adelaide
fez muito sucesso dentro e fora dos EUA. Apresentou-se no Folies-Bergères,
em Paris, no Hippodrome, em Londres, e no Wintergarten, em Berlim.
O número The Haunted Studio de Alexander (uma versão do The
Artist's Dream, de David Devant) era seu preferido. A ilusão
era uma das muitas heranças deixadas pelo marido. Em Coney Island
(EUA), no Luna Park, ela criou o Temple of Magic.
Os cenários
que utilizava eram suntuosos e as ilusões finamente adornadas.
Suas apresentações contavam com dezenas de animais amestrados.
Em setembro de 1926, um incêndio em Manhattan matou quase 60
dos animais e destruiu a maioria dos equipamentos deixados por
Alexander. Todos pensaram que era o fim da carreira da notável
"Rainha da Mágica", mas menos de dois meses depois ela estava
de volta, aos 73 anos de idade, com o espetáculo Magic, Grace
and Music.
Adelaide
era uma mulher inteligente e de grande tenacidade. Sua aparência
jovial chamava a atenção de todos. Quando já havia ultrapassado
os 60 anos, o semanário artístico Billboard dizia que ela havia
"descoberto a fonte da juventude". Adelaide Herrmann estrelou
sozinha nos palcos por 31 anos. Somente problemas de saúde a
obrigaram a se aposentar aos 75 anos. Viveu seus útlimos tempos
numa suíte de hotel em Manhattan, toda decorada com recordações
de sua luminosa carreira mágica. Começou a planejar um livro
biográfico, mas não chegou a materializá-lo. Faleceu em 19 de
fevereiro de 1932, vitimada por pneumonia e arterioesclerose.
Referência:
The Illustrated History of Magic de Melbourne e Maurine
Christopher - Heinemann - USA - 1996.
Fonte:
Boletim de Artes Mágicas,
Nº 11 - Março de 2000.
Autor: Mahatma
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