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Actualidade
A Cidade espera agora pela cidadania
O
tempo, o espaço e a opção
O tempo, o
espaço e a opção |
Nota Pastoral do Bispo da Diocese
VALE A PENA FREQUENTAR AS AULAS DE EDUCAÇÃO MORAL E RELIGIOSA CATÓLICA?A esta pergunta, que hoje se põe aos pais, encarregados de educação e alunos, pessoal docente e não docente das escolas, não se deve, nem se pode fugir. Vale ou não a pena? É ou não um bem para os alunos e para a escola? Certamente que a resposta pressupõe, por parte de quem se interroga ou se deve interrogar, saber o que se pretende da escola; o que se entende por educar; que lugar tem, de modo concreto, a formação moral e religiosa na construção da personalidade; que sentido tem a aula de EMRC nas escolas portuguesas, no contexto do sentido sistemático e do acesso normal ao nosso património cultural; que significa a vertente religiosa no diálogo intercultural; que iluminação podem ter os problemas mais sérios das pessoas e da sociedade com o contributo da mensagem evangélica ...
Chegamos, de novo, ao período de matrículas e, consequentemente, também da matrícula na aula de EMRC.
Deste facto não podem estar distraídos os pais que pensam no bem, presente e futuro, dos seus filhos menores, nem os alunos do secundário quando encaram a sua vida com seriedade e lhe pretendem dar um sentido progressivo e fundamentado, demarcando-se assim, deliberadamente, da superficialidade reinante.
A aula de EMRC não resolve tudo, mas certamente que, sem ela, o aluno, adolescente ou jovem, terá mais dificuldade em encarar problemas pessoais sérios e em encontrar, para a sua solução, uma luz e uma força moral mais adequada.
Quem se empenha verdadeiramente no bem dos alunos e na missão da escola, não poderá nunca, de modo consciente, fazer qualquer espécie de obstrução à matrícula dos alunos na aula de EMRC. Antes, se empenhará, em ajudar os pais dos alunos mais novos e os alunos mais velhos, a que aproveitem, na escola, tudo quanto nesta ajudar a sua formação e a sua capacidade de encarar e viver o futuro, com utilidade, determinação e esperança.
A Igreja Diocesana, que tem responsabilidade na aula de EMRC, fará tudo quanto está ao seu alcance para a qualificar e qualificar os seus professores, porque tem consciência da sua importância e alcance no processo educativo.
Neste final de ano escolar, desejo a todos os alunos das nossas escolas o melhor êxito nas suas provas e exames, e recomendo-lhes, a eles e a seus pais, com muita estima e amizade, que encarem a matricula na aula de EMRC, como uma opção séria e uma oportunidade válida a favor da formação integral e responsável.
António Marcelino, Bispo de Aveiro
A Cidade espera agora pela cidadania
S er elevada à categoria de cidade é um orgulho para todos nós. No entanto, se a conduta de todos os habitantes da Gafanha da Nazaré não for um comportamento cívico e em cidadania, de nada nos vale este título.De facto, há critérios materiais e numéricos que julgam a erecção das localidades ou das instituições a um grau ou a uma categoria mais elevados. Desses critérios nenhum apela para o sentido abstracto e subjectivo do comportamento emocional e social do ser humano. Ser cidade por ter um número significativo de habitantes ou de eleitores, e um número significativo de habitações e rede viária, não é mais importante do que ser cidade onde as pessoas vivem em conformidade com as razões da cidadania: respeito, entreajuda, responsabilidade, partilha, disponibilidade, cultura, trabalho, compreensão, ética.
Vejo que há quem se esforce por educar as gentes desta terra. São os professores, os sacerdotes, os catequistas, as autoridades... e quantas vezes vejo reacções de repulsa, de rejeição e de condenação a quem tenta ser pedagógico, a quem procura ensinar, a quem procura melhorar a cultura e a vida do próximo. Na verdade, há quem diga que os "Gafanhões" são estúpidos, brutos e incultos.
De facto, a própria palavra "gafanhão" já, por si só, é um termo pejorativo, negativista, condenatório. Quem nos chama de gafanhões está, até certo ponto, a ir beber ao passado o preconceito existente acerca do habitante da Gafanha da Nazaré (ou de outras Gafanhas). Há que lutar contra este preconceito histórico que teima em desaparecer enquanto manifestarmos as atitudes de rejeição face à cidadania.
Os habitantes da Gafanha da Nazaré (gafanhonazarenos) vêm reclamando por algumas instituições úteis e fundamentais nesta terra: mais farmácias, uma extensão dos correios na Cale-da-Vila, uma ambulância permanente, um serviço médico mais alargado e com mais profissionais da saúde, mais efectivos de segurança e a funcionar 24 horas por dia (efectivamente), patrulhamento assíduo das ruas pelas forças da autoridade, uma extensão da repartição de finanças, mais infantários e creches, um posto de informação ao cidadão, parques e jardins a sério, espaços de cultura, transportes públicos mais acessíveis e mais pontuais, zonas de estacionamento de automóveis, iluminação correcta das ruas, construção dos muitos passeios que faltam fazer, colocação do nome das ruas, etc, etc.
Todavia, julgo ser mais importante os gafanhenses reclamarem para si a dignidade de uma conduta cívica, tal como todos nós pensamos e criticamos os outros por não o serem.
LS
E os deputados foram para férias. Coitados. Trabalham tanto e ganham pouco. E todos nós temos tanta pena deles. Há algumas profissões que são apelidadas constantemente de terem muitas férias. Mas há outras que têm o proveito, enquanto que as anteriores têm a (má) fama. Num país que está cada vez mais pobre e cada vez mais atrasado, onde há a urgência de trabalhar afincadamente pelo bem de todos, há a necessidade de fazer sacrifícios e, colectivamente, abraçar a missão de edificar as estruturas de uma nação. Vemos a insegurança a alastrar, vemos a educação em crise, vemos a saúde que não existe, vemos a justiça a injustiçar, vemos as famílias a desaparecer, vemos os políticos a atacar a Igreja, vemos os políticos a desvirtuar a família e a tradição do casamento... enfim, e os senhores que nos governam dão-se ao luxo de fazerem umas pequenas férias. Curiosamente, esses senhores atrevem-se a condenar aqueles que aproveitaram os dias da quadra Pascal para descansar ou mudar de ares, como que conotando a população portuguesa em classes ou ordens, advogando que uns têm direitos que outros não têm. Naturalmente, sempre aprendi que em situações de dificuldade são os responsáveis a dar o exemplo, tal como num barco a afundar-se é o capitão o último a abandonar a embarcação. Não podemos criticar os outros quando fazemos a mesma coisa, agravada ainda pela posição administrativa ou funcional que ocupamos e pela responsabilidade que temos. Por isso, considero grave o facto de, lamentavelmente, Portugal estar a passar por dificuldades e os senhores de Lisboa continuarem a dizer que não se passa nada, que está tudo bem, que as pessoas vivem bem e que há apenas uns problemazitos que são distorcidos com números. Desta maneira estamos a preparar gerações irresponsáveis, falaciosas, mentirosas, egoístas. E as novas gerações precisam grandemente de exemplos de bons valores, de bons comportamentos e de boas atitudes. As novas gerações precisam de modelos, pois é assim que formam os pilares de uma boa sociedade e se garante um futuro correcto. Por tudo isso, o exemplo vem de cima. Mas parece que, neste país, é tudo ao contrário, são os pobres e humildes a dar o exemplo aos governantes. LMS
Portugal veste-se de vergonha com a justiça que (não)
tem
Não há nada mais injusto do que uma justiça inoperante e que consome as populações com o atraso, com a demora e com sentenças injustas. Neste país são cada vez mais as pessoas que sentem na pele o estado do sistema jurídico: a demora exagerada, o constante adiamento das sessões, o protelar dos casos, e decisões que tendem profundamente para a veia política e pouco têm de ético e de jurisprudência. Sente-se também que o recurso à justiça é apenas feito por quem tem muito dinheiro, por quem tem poder institucional ou político ou por quem sabe como funciona as catacumbas do sistema. Além disso, e o mais grave, os criminosos e os burlões são quem tem menos medo da justiça. Isto significa que a Justiça não impõe respeito neste estado de direito, e uma Justiça que não sabe respeitar-se também não sabe respeitar as populações e os cidadãos deste país. Assiste-se a casos de bradar aos céus em termos de sentenças que são duvidosas. Casos de crianças e bebés que são retirados dos pais verdadeiros por abuso e mau trato, acabam por voltar a eles sempre que estes o exigem com a consequência brutal e, muitas vezes, fatal para as crianças e os bebés. Infelizmente, há imensos casais sem ou com filhos que desejam adoptar crianças e bebés, prometendo-lhes e assegurando-lhes um futuro decente e correcto, mas são negados os seus requerimentos e pedidos, em favor dos pais que pouca diferença têm de certos animais selvagens. Casos de grupos ou indivíduos que roubam e matam e acaba-se-lhes por dar uma amnistia, ou perdão político ou ter “peninha” das suas famílias destroçadas. É estranho um indivíduo receber o rendimento mínimo garantido e ter todo o apoio do estado quando passou e passa a sua vida a roubar e a atentar contra o património e segurança física das pessoas. Ao invés, uma vítima tem muito mais dificuldades em ser indemnizada dos prejuízos ou dos danos que sofreu. Da mesma forma, uma pessoa honesta e trabalhadora nunca conseguirá um apoiozinho do estado para o seu projecto de trabalho ou para solucionar as dificuldades que atravessa. É estranho porque dá a nítida sensação que a lei está do lado de quem protela, de quem faz mal, de quem ofende, de quem comete crime. Nesta óptica, não é de admirar os números que têm vindo a aumentar assombrosamente, ano após ano, da criminalidade e da delinquência. Cada vez mais cedo se pratica um crime. Cada vez mais grave é o crime praticado. E porquê? Porque há muito maior propensão para haver esse cometimento, é caso para dizer “a ocasião faz o ladrão”, nesta situação “a justiça inexistente faz o crime presente”. Como consequências imediatas deste fenómeno social (que muitos dizem que é alarmista e não é caso para se ficar preocupado!) é as pessoas sentirem-se mais inseguras e recorrerem a serviços de segurança privados, a aquisição de armas de defesa e, muito mais grave, a constatação e construção de uma mentalidade e de um estado de espírito de agressividade e de violência. Tudo contrário ao que se pretende com o Cristianismo. Nem vou mencionar aqui alguns casos públicos de arquivamento de processos em catadupa por razões políticas ou por força de lobbies importantes, nem vou sequer referir os casos de tantos terroristas e criminosos portugueses que são absolvidos por razões políticas e por precedentes jurídicos. Quem quiser que pense neles. Mas não será motivo para Portugal se sentir envergonhado da justiça que tem? LMS
O Homem, como ser humano que é, faz-se pelo sentido de construção da sua pessoa. Essa construção implica uma dignificação da sua honra, da sua ontologia, e um aperfeiçoamento da consciência, motor da moral e da liberdade.
O trabalho é um forte contributo para o crescimento da pessoa humana, enquanto tal. Além da presença do outro como elemento identificador da personalidade e do carácter, o trabalho, o serviço é o germinador do progresso do ser humano. O Homem no seu trabalho, na sua actividade, encontra-se com a função historicamente assistida da sua existência, pois remonta aos primórdios da humanidade a invenção do trabalho como factor decisivo para o desenvolvimento das civilizações.
Vejamos, por exemplo, a divisão das tarefas no trabalho, a aprendizagem das habilidades, a aquisição de conhecimentos, o aperfeiçoamento das acções, tudo isto contribui fortemente para a construção da pessoa e para o enriquecimento da sua personalidade, indo consequentemente alimentar o sucesso das sociedades e das civilizações. Retirando o Homem do trabalho, do exercício de uma função, este Homem sente-se angustiado, deprimido, vazio de si, como um elo oco numa corrente imensa que acaba por sucumbir.
Temos claras demonstrações práticas e vivenciais deste fenómeno: se fecharmos uma pessoa, a retirarmos de toda a função activa (a acamarmos, por exemplo) essa pessoa perde faculdades mentais, perde destrezas físicas, entra numa amargura pessoal que a leva a um pseudo-isolamento que a fecha progressivamente do contacto do mundo e dos outros. Daí a importância do trabalho e da actividade humana como enormes factores de identificação da personalidade do ser humano e de pilares fundamentais para o bem estar social e o equilíbrio ontológico.
Assistimos em Portugal, hoje, a uma atitude contrária a estes princípios. Hoje paga-se para não trabalhar, paga-se para não produzir, paga-se para mandriar... Neste pressuposto, podemos facilmente antecipar a sociedade que vamos ter daqui a alguns anos, uma vez que esta mentalidade de preguiça, de não fazer nada, de inacção, de inoperância, esta mentalidade está a propagar-se lentamente, mas eficazmente, como um cancro que corrompe e que mata.
Portugal está a transformar-se num país que não produz, que não trabalha, que se deixa amofinhar. Portugal está a receber enormes quantidades de pessoas advindas de outras regiões do mundo, umas com o intuito de trabalhar, outras com o intuito de receber sem trabalhar. O pior de tudo isto é que uma política de rendimento mínimo garantido, que parecia ter nobres intuitos (contra a exclusão, combater o isolacionismo social e a criminalidade) acaba por criar situações de alguma injustiça social e por não desenvolver estruturas de trabalho. Cria injustiça social porque nem todos têm acesso a esses dinheiros, nem todos têm os mesmos critérios ou direitos. Não desenvolve estruturas de trabalho porque o fundamental não é alimentar indefinidamente uma família com subsídio sem lhe exigir trabalho, produtividade, educação, formação.
Há exemplos de pessoas que tiveram de se submeter a formação e a educação escolares como modo de garantir o seu rendimento. No entanto, muitas dessas pessoas faltam à formação deliberadamente e nada lhes acontece. Ou seja: não cumprem os seus deveres, irrompem contra as normas, não evoluem, e continuam na mesma ignorância, na mesma preguiça, na mesma inacção. Os responsáveis pelas estruturas de acção social e escolar deveriam ser rigorosos e impedir que este desleixo e esta mentalidade de anarquia se instalasse.
É mais um, dos muitos exemplos, de que este país se está a tornar, aos poucos, num caos. L.Simões
Semana após semana, assistimos a situações de grande falta de vergonha por parte dos políticos, sejam eles do governo central ou local.Sucedem-se factos de crise, empresas que fecham de modo estranho e lançam no desemprego centenas de pessoas, pontes que caem, estradas que acabam por ruir, muralhas que definham, diques que partem, escolas que desabam, hospitais que matam, tribunais que culpam as vítimas, e, com o maior desplante e liquidez de honra, os políticos vêm defender a democracia, o estado de direito em que vivemos. Isto não é democracia nem é estado de direito.
A democracia é o estado trabalhar para as pessoas e ajudar as comunidades a melhorar a sua qualidade de vida. A democracia é o estado usar convenientemente os dinheiros dos impostos e aplicá-los para o bem das populações. A democracia é o estado defender as suas gentes e criar sistemas justos, céleres, eficazes. A democracia é o estado não segregar as pessoas pela sua cor partidária ou clubística, nem fazer acepções de pessoas pelo nome ou pelo título profissional. A democracia é o estado não criar guetos nem discriminar pessoas. A democracia é o país não viver na miséria e tentar mostrar que é capaz de organizar eventos mundiais que poucos assistem ou dão valor. A democracia é o estado dividir justa e uniformemente a riqueza produzida e por aqueles que mais precisam.
A democracia não é lançar a confusão na sociedade, não é culpar o S. Pedro pela queda da ponte, não é dar dinheiro só para Lisboa, não é ouvir só os presidentes das Câmaras Municipais do partido do governo, não é defender só os ricos, não é pensar em Portugal como um país só com litoral, não é processar e culpar uma população por querer encerrar uma ponte que não tem condições, não é fechar institutos que trabalham e abrir fundações que não fazem nada, não é ser teimoso e obstinado nas ideias e nos projectos que não levam a nada...
A política, a nobre forma de gerir a cidade, parece que se está a tornar na nobre forma de ganhar dinheiro e fama e conseguir uma carreira que permita angariar contactos e conhecimentos para ser beneficiado em relação aos outros.
Por que não são culpabilizados e condenados aqueles que governam mal o dinheiro dos contribuintes? Por que não são presos aqueles que governam mal e decidem mal atentando contra a vida e o bem-estar das populações? Por que não têm os mesmos aumentos salariais que o trabalhador normal português? Por que não sofrem mais na pele e na sua responsabilidade pessoal e profissional os que desempenham cargos políticos, em vez de simplesmente se demitirem, tudo se esquece e nada lhes acontece? Será que assim os políticos não teriam mais prestígio?
Por isto, cada dia que passa, pergunto: quem confia nos políticos portugueses?
LMS
Um novo século e um novo milénio aí estão!
O tempo, o espaço e a opção são marcos importantes e até fundamentais da vida humana.
O tempo é alicerce para sedimentar o bem e purificar o menos bom. O espaço é enquadramento único e adequado ao desenvolvimento específico da pessoa humana. A opção é visualização de tudo o que o tempo e o espaço proporcionam a cada ser humano.
As comunidades vão tomando consciência do "comum" ao longo do tempo e enraizadas num espaço. É pois muito importante que todos conheçam e amem as suas raízes. As raízes de um povo têm a importância das raízes para as árvores. Desejar substituí-las é fazer "secar", "desaparecer" tais realidades.
Hoje falarei um pouco sobre a Igreja. Perderam-se os fundamentos. Há muitas vezes, acções religiosas quase sempre dirigidas aos Santos ou à Virgem Maria. Isso até pode ser interessante, no entanto perdem-se os fundamentos. É um Deus que é Pai e nos criou; é um Deus que é Filho e é o único Salvador e é um Deus Espírito Santo que nos vivifica e transforma. Estas é que são raízes da Fé.
Quando se esquece este fundamento cristão a Igreja fica reduzida ao religioso, ao espectáculo, às rezas, às peregrinações, às consagrações e a tudo o mais, que é mais interessante ou menos interessante, mas nunca chega ao plano de Deus sobre a Igreja, ou melhor, o Reino de Deus.
O tempo é um grande mestre, saibamos escutá-lo.
José Sardo Fidalgo
Computadores, telemóveis, carros de marca, vivendas, roupa de marca, ... tudo isto faz parte da vida do homem contemporâneo. Pouco, muito pouco para mostrar verdadeiramente aquilo que o homem é.
O homem só é aquilo que é pelos actos dignos que o mostram na sua essência. Convém retirar todas essas artificialidade actuais e, talvez, se note que o homem enquanto ser não é nada disto, ele é apenas um ser e, simplesmente deve alegrar-se por isso.
Sê simples e assim és tu mesmo.
-Um ser digno.
Regina Fidalgo.
Sente-se seguro na Gafanha da Nazaré?
Têm vindo a público inúmeras queixas de situações de assalto, de furtos, de roubo, de vandalismos, de invasão da propriedade alheia, de ofensas corporais, de abuso de direito... São vários os temas de conversa nos cafés, nas pastelarias, nos locais de trabalho, entre os vizinhos. Paira no ar, e na consciência das pessoas, um certo clima de suspeição e de insegurança, pois, a dado momento surge o crime, e também a qualquer momento, uma pessoa pode ser vítima.
É curioso que existam zonas de assaltos em determinada época e em determinada rua e essa situação depois transita para outra rua. É curioso que muita gente saiba de locais onde há crime, onde se trafica droga, onde se recolhem objectos roubados, mas nada se faz. É curioso uma vítima de um furto ou assalto ter de prestar esclarecimentos de forma brusca acabando por preencher uma quantidade infindável de papelada e ser ainda motivo de gozo por parte das autoridades. É curioso uma pessoa deslocar-se até junto das autoridades para saber como evoluiu o caso do seu objecto roubado e ser-lhe dito que desistisse. É curioso as autoridades afirmaram que não podem fazer nada porque os juízes voltam a soltar os criminosos e ainda são os agentes da autoridade quem ouve reprimendas por parte do tribunal. É curioso um agente passar horas de dia e noite, ao frio e à chuva, pronto para testemunhar um crime, capturar o criminoso, e depois vê-lo em liberdade no dia seguinte. É curioso um agente da autoridade ser gozado e perder toda a autoridade. Mas o mais curioso de tudo isto, é cada pessoa, trabalhar e procurar melhorar a sua vida, pagar os seus impostos, e ver a sua casa e a sua família afectadas e molestadas, sem que nada se possa fazer para responsabilizar os culpados.
Estamos num país que se está a tornar algo estranho. Parece que só quem tem posses monetárias é que tem segurança, e os restantes... E nesta nossa terra, a Gafanha da Nazaré, onde a especulação imobiliária está ao rubro, a explosão demográfica é galopante, e onde as assimetrias e as diferenças entre pobres e ricos se começa a acentuar cada vez mais, esta nossa terra está a sofrer de falta de policiamente e de segurança.
Muitas pessoas, para colmatar a lacuna de policiamento e de segurança enveredam por sistemas de alarme nas suas habitações e nos seus veículos. Mas outras pessoas, pensando que isso é ineficaz, acabam por adquirir armas de fogo. Assistimos então, a um crescimento cada vez mais acentuado na procura de armas como método de defesa. E porquê? Porque as pessoas não se sentem seguras...
E tudo isto é um ciclo vicioso: o sentimento de insegurança causa medo que leva a reacções violentas; a falta de acção das autoridades possibilita um aumento da criminalidade e esta fomenta-se a si própria; o desregramento e o desaparecimento das famílias na vida de muita gente tende a formar delinquentes progressivos, vomitados para as ruas e para o mal da sociedade que, para sobreviverem, não encontram outra alternativa senão a de conseguir o que querem à força e de provocar estragos, dando largas aos instintos humanos de animalidade e de agressividade.
E a solução para tudo isto? Acho que primeiro terá de haver uma sociedade mais calma, com emprego para as pessoas, escolas a formar cidadãos, famílias completas no lar em diálogo, grupos de jovens, associações, e uma relação da autoridade com os cidadãos mais estreita e mais íntima. A adicionar a isto tudo, um sistema jurídico mais actualizado que permita punir sempre quem comete erro, e responsabilizar sempre e de forma célere quem irrompe contra o outro seu semelhante.
Acho que teríamos muito a aprender se soubéssemos ler a Bíblia.
A
Educação Sexual nas Escolas
- vantagens e inconvenientes -
Os pais pretendem que nas escolas a disciplina de Educação Sexual passe a ser ministrada. Os alunos fazem força para que isso venha a ser realidade. As autoridades da educação nacional "torcem o nariz", duvidando da eficácia de tal disciplina.
Acontece, no entanto, que existe um diploma que estabelece a educação sexual nas escolas públicas de ensino regular, seja através de uma disciplina específica com esse nome, seja através de uma condução multi-disciplinar e transversal. Isto é: os conteúdos da temática relacionada com a educação sexual seria estudada em várias disciplinas como por exemplo Ciências Naturais, Língua Portuguesa, História, Físico-Químicas, Educação para a Cidadania, Educação Visual,...
Mas quais são as vantagens e os inconvenientes de uma educação sexual nas escolas?
Como vantagens podemos ver que a existência de tal disciplina ou de tais conteúdos iria facilitar (mais uma vez) o trabalho educativo que os pais realizam (ou não realizam) junto dos seus filhos. Aliviando os pais desse fardo responsável e penoso, a escola iria, porventura, ajudar os alunos a tomarem as atitudes e as resoluções mais acertadas e mais sábias face a certas situações da vida que tenham a ver com as temáticas da educação sexual. Desse modo, e como a escolaridade é obrigatória, universal e gratuita (pelo menos na lei), todos os alunos teriam acesso a melhor informação, sem erros presumivelmente, e teriam um melhor apoio informativo e formativo na sua vida sexual. E isto também se aplica aos conhecimentos que se devem ter face a doenças, higiene, prevenções de gravidezes precoces e não desejadas e, possivelmente, um melhor conhecimento do ser humano face ao acto sexual e à realidade do mundo sexual de cada organismo.
Mas isto tem inconvenientes. Por certo, uma mais informação e formação iriam falsear o espírito do jovem, levando-o, implicitamente, a ter um sentido de segurança falaciosa que lhe garantisse um início na vida sexual mais cedo. Ora, este arrancar e este despertar para uma actividade sexual mais precoce iria fomentar algo que se pretende, decididamente, acabar. Pergunta-se também, e com muitas reservas, se um aluno está mais confortável e mais disponível com o professor do que com os pais. Sabe-se que muitos jovens, a grande maioria, aprende a sua educação sexual a partir da comunicação social e dos grupos de amigos, não existindo grande fiabilidade nestas fontes. O facto de ser um professor a transmitir os conhecimentos e a orientar o aluno pode deixar o aluno algo inibido, ou levá-lo a repudiar a informação e a formação.
De uma maneira geral, acabamos por desaguar no típico de uma situação destas: quando se fala em educação, sobretudo de seres humanos, e de educação primordial à vida do ser, é essencial que a família, os pais, tenham uma palavra a dizer, se não mesmo, a palavra a dizer.
Reflexão de um grupo de
catequizandos do 11º ano ![]()
É costume neste país darem-se condecorações em grande quantidade. Para aqueles que não se recordam, basta lembrar o dia de Portugal (10 de Junho) ou o dia da Implantação da República (5 de Outubro) quando o Presidente da República dá, a "torto e a direito", montanhas de medalhas, insígnias, condecorações...
Ponho-me a pensar na dignidade de tais actos e na importância dos mesmos. As pessoas que recebem tais condecorações são gente que pouco de reconhecido fez pelo país, mas porque ocuparam um cargo relativamente notório durante algum tempo, acha-se por bem recompensar essas pessoas com medalhas valorosas e de honra. Muitas vezes, as pessoas que são agraciadas não são mais do que membros do partido, amigalhaços, compadres de carteira, ou familiares distantes... e mais uma vez, o país vive de conhecimentos, de relações de cor e sangue, e não de verdadeiro valor das pessoas em causa.
Naturalmente, há aqueles que merecem as agraciações e as medalhas.
Mas não será injusto e algo profano dar medalhas da nação a pessoas que, muitas vezes, praguejaram e exploraram o país? Não será inglório doar medalhas e diplomas a quem não fez nada pela vida do estado? Não será esquecer tantas pessoas inocentes, anónimas, que trabalham décadas, de sol a sol, lutando por transformar a sociedade, as suas famílias e o país em algo melhor? Não merece mais o pobre trabalhador que se esforça arduamente por incrementar a produção, por melhorar a sua empresa, por trabalhar pela comunidade, por se entregar totalmente, com honra e valores, a uma vida feita de trabalho?
Muitas vezes, quando observo a infindável lista de entes naquela sala do Palácio de Belém, à espera de receberam a sua cruz, a sua medalha, o seu diploma, a sua agraciação, fico com pena e com vergonha do país onde vivo, quando se esquecem estupidamente os homens e mulheres que viveram uma vida inteira de trabalho, sem receberem nada do estado, nem sequer, muitas vezes, um obrigado.
Para quando alguém mais justo? Para quando um país que saiba olhar para os seus verdadeiros homens e mulheres? Jesus demarcou-se dos homens poderosos e dos governantes porque compreendeu que ali vivia a corrupção sem sentido e sem arrependimento. E por isso Jesus juntou-se aos simples, porque viu neles a existência da verdadeira vida.
O ano lectivo inicia-se:
muitos pais suspiram de alívio
O ano lectivo começa. Para muitos pais isso é um grande alívio e uma grande benesse. Já passaram as férias, já passou aquele tempo em que ter os filhos em casa só traz preocupações e faltas de paciência... e os pais não sabem o que lhes fazer nem sabem como devem ocupar os seus filhos... e sentem que educar dá muito trabalho e é extremamente difícil.
Para muitos pais, as escolas deveriam estar sempre abertas e funcionar como uma espécie de creche em tamanho grande. Aliás, a proposta das associações de pais junto do Ministério da Educação caminha nesse sentido. Os pais já não querem os filhos em casa, nem durante o período de aulas, nem durante as férias. E porquê? Porque educar é uma actividade trabalhosa que requer tempo, recursos, paciência. E os pais trabalham nos seus empregos e querem viver a sua vidinha de forma tranquila. Assim, pode ser que um dia, quando os responsáveis pela educação deste país o entenderem, a escola contenha actividades para todo o ano, quer actividades lectivas, extra-lectivas, curriculares, de aplicação de tempos livres, etc, e os alunos só tenham de vir de manhã e ir embora ao fim do dia. As famílias não são necessárias para dar educação. Os lares passam a ser uma espécie de pensões, onde os filhos jantam e dormem.
É evidente que há imensos pais que assumem a sua posição e o seu papel de verdadeiros pais: são educadores, participam na educação dos filhos, visitam a escola regularmente para conhecer o percurso e o desempenho do seu filho, acompanham a vida académica dos seus filhos... Mas será que estes pais são tão diferentes dos outros que enveredam por uma atitude mais irresponsável? O que é que estes pais têm mais do que os outros?
Há situações curiosas da vida parental. Muitas vezes, os pais que nunca conversaram com os seus filhos de forma séria e comprometida dizem que conhecem melhor do que ninguém os seus filhos. E em situações de conflito, defendem sempre os filhos chegando a ofender os outros que tentam culpabilizar a atitude daqueles que fizeram mal ou cometeram erros. São estes os pais que nunca vão conhecer os seus filhos e que um dia, ao acordar, vão perceber que os seus filhos já não lhes pertencem, fazendo parte de outros esquemas, de gangs, de drogas, de outras coisas. São estes os pais que nunca vão conhecer os filhos e que um dia, quando envelhecerem, terão o justo retorno envolto num abandono dos seus filhos.
Assim, neste início do ano lectivo é altura para começar a fazer projectos. Não prometer prémios loucos, nem prometer resultados inatingíveis, nem exigir coisas bizarras, mas comprometer-se numa atitude séria de cumprimento das obrigações e dos deveres, sejam eles para filhos ou para pais.
Pode ser que o arranque deste ano
lectivo seja também o arranque de um novo projecto familiar, com resultados
mais positivos e mais correctos. ![]()
1- Apresenta-te na escola com o sentido de que vais aprender e de que vais viver a tua vida com uma construção e uma formação que te trarão benefícios futuros.
2- Sente cada passo que dás como se fosse o subir de uma escada e assegura-te de que esses passos são os correctos; por isso não faças nada de que te venhas a arrepender no futuro.
3- Integra-te na escola como se fosse um prolongamento da tua família: os teus professores são teus amigos e não adversários que urge abater, os teus colegas são companheiros de trabalho e de uma vida e faz deles parte do teu percurso escolar, e a escola não é um ghetto ou uma prisão mas um lugar de aprendizagem cognitiva e sócio-afectiva.
4- Cumpre os teus deveres institucionais de aluno e segue as tuas obrigações morais como pessoa que busca algo de bem sucedido e de benéfico.
5- Relaciona-te com os outros como se gostasses que os outros se relacionassem contigo, respeitando os direitos e os espaços dos outros, respeitando as convicções de cada um e os projectos de vida de cada um, rejeitando imposições ou restrições da tua liberdade ética.
6- Cumpre o que te é pedido. Não te prendem, não te matam, não te torturam se fizeres algo que a tua consciência diz que está certo apesar dos teus colegas afirmarem o contrário. Em situação de dúvida, fala com os teus pais e com os teus professores, eles estão sempre presentes para te ajudar e para te apoiar.
7- Pensa antes de dizer, pondera antes de fazer, não julgues antes de meditar.
8- Conhece a lei e os teus direitos e deveres, lê e consulta o regulamento da tua escola, e estabelece sempre uma relação correcta com todos os que trabalham na escola.
9- Tenta impingir nos teus pais um sentido de responsabilidade pelo teu trabalho na escola, fazendo com que eles participem mais na escola e se interessem mais pelo teu percurso.
10- Ser bom aluno não é pecado, ser responsável não é crime; procura ser tu próprio e aprender a crescer com os outros com regras, responsabilidade, dignidade e consciência.
Eis, finalmente, a promoção pública do ataque à privacidade, na modalidade mercantil.
Diariamente, a televisão entra em nossa casa, tentando captar e manter níveis de audiência, através de programas que pretensamente possam gerar grande impacte e sensacionalismo. Um dos casos mais flagrantes e actuais é o chamado Big Brother.
Apesar de estar na fase inicial, o estilo e os objectivos do programa são de tal modo evidentes que não podemos dispensar-nos de tomar posição sobre esse tipo de espectáculo e sobre as consequências da nossa passividade perante a sua exibição.
A guerra das audiências é um moderno fenómeno sócio-económico - menos sócio e mais económico - em que todos somos envolvidos: trava-se todos os dias e a todas as horas, na publicidade, nos jornais e revistas, na rádio e, sobretudo, na televisão.
É óbvio que o que está em causa é o preço das audiências, que se traduz em melhor e mais cara publicidade para o que ali se anuncia e vende.
Enquanto fenómeno ditado pela concorrência, a luta pelas audiências não é, em si mesma, um mal e dela podem e deveriam advir benefícios para o espectador, a quem é devida uma cada vez melhor informação, cultura e entretenimento.
O que está mal é que a luta tornou-se obsessiva, pela conquista das audiências a qualquer preço e, neste caso, pela oferta de um espectáculo desprovida de qualquer sentido e inaceitável, quer de um ponto de vista cultural, quer social, quer ético.
Deixemos de lado as motivações dos que aceitam fazer de cobaia e suportam a longa e estranha experiência deste novo programa, sem porventura haverem sopesado os danos morais e psíquicas, mediatos e imediatos, que a si mesmos se impõem.
O que se verbera é o mercantilismo da iniciativa, que reduz as pessoas a marionetas, colocando os seus rostos permanentemente sob os holofotes, vulgarizando os seus gestos, expressões e passos e fazendo-os viver dias e semanas sucessivas a representar uma farsa, tanto improvisada quanto medíocre.
Para que suscite e mantenha o interesse, o programa tem que invadir a privacidade dos intérpretes: ele assenta exactamente na particularidade de lhes negar toda e qualquer privacidade.
A desvalorização da privacidade torna-se mais intolerável quando à Renúncia autoassumida a esse direito, se junta a capacidade de "comprar" essa renúncia.
Vivemos uma era de contradições, em que se assiste a uma luta de afirmação/negação de valores que, há poucas décadas, não eram postos em causa.
Um dos exemplos mais significativos é precisamente o da luta pela defesa da privacidade: nunca, como nos últimos anos, a sociedade lhe dedicou uma tão cuidada protecção legal e nunca tivemos tanta consciência da sua importância. A defesa da privacidade vai desde a inviolabilidade do domicílio e da correspondência aos dados de cada um quanto à sua vida, saúde e situação familiar e económica. Alguns destes direitos e garantias sobre a privacidade beneficiam mesmo de reconhecimento constitucional.
Todavia, nunca, como agora, aconteceram tantos e tão graves atentados contra a privacidade. Como aconteceu ainda muito recentemente entre nós, vive-se um clima de "facilitismo" que leva a retirar "dignidade penal" a condutas anteriormente punidas como crimes e que são "despromovidas" a simples contra-ordenações.
Em matéria de ofensas à privacidade, um programa como este está a contribuir para a sua promoção a conduta autorizada, publicitada e aconselhada.
De facto, o Big Brother não é mais do que um "Big Negócio" em que uns tantos alienam a sua privacidade, para que seja usufruída calma e confortavelmente pelo maior número possível de telespectadores.
Eis, enfim, a promoção pública do ataque à privacidade, na modalidade mercantil, devidamente formalizado por contrato de tipo oneroso.
Seria, porventura, mais cómodo estarmos calados e assistir resignadamente a este programa que se aproxima perigosamente de um verdadeiro "zoo humano", como, no Reino Unido, apropriadamente o definiu o Bispo de Liverpool.
A CNJP entendeu, porém, tomar uma posição, com o objectivo de contribuir para uma acrescida consciencialização do balanço negativo gerado por programas como este. Os portugueses, com a sua sensatez e sabedoria, saberão encontrar uma resposta positiva e pedagógica face a este tipo de manifestações e não deixarão de ponderar a atitude de quem, através da publicidade, contribui para a sua emissão.
A Comissão Nacional Justiça e
Paz, Lisboa, 28 de Setembro de 2000