Noventa anos de Paróquia e onze de Prior

 

Entrevista conduzida pela jornalista Maria do Céu Lopes ao Padre José Sardo Fidalgo, por ocasião da celebração dos 90 anos de Paróquia e de 11 anos como Prior da Gafanha da Nazaré.

1 – Como Prior da Gafanha da Nazaré, qual o significado destes 90 anos de Paróquia?

É um tempo de análise, de reflexão e projecto.

É importante a "Memória". Não no sentido de uma recordação revivalista mas de conseguir, com capacidade crítica, construir um projecto que honre os antepassados e dignifique os presentes.

2 – Em pleno ano de Jubileu, como caracteriza a paróquia da Gafanha da Nazaré?

É uma paróquia em mutação e busca permanentes de identidade que torna específico um povo. Esta identidade deve ser consubstanciada entre o cívico, o religioso e o cristão. É pois um desafio de grande acuidade, para esta terra de sabor a sal e a moliço.

Neste momento, a Gafanha da Nazaré, plurifacetada na origem das suas gentes e por consequência de vivências culturais diversas, necessita de um plano de convergência, animado por todas as Instituições e Associações existentes, nesta comunidade de Gafanhonazarenos.

3 – A comunidade da Gafanha da Nazaré, soube ao longo dos anos adaptar-se às mudanças necessárias à sua própria evolução?

Esta questão, é muito complexa. Entendo que a resposta a esta problemática, só é válida quando existem fundamentos científicos. Neste momento não há nenhum trabalho elaborado, cientificamente válido, para que me possa pronunciar.

Na celebração destes 90 anos, lanço um desafio aos sociólogos Gafanhonazarenos: investiguem e publiquem uma análise sociológica sobre a adaptação às mudanças operadas pelo progresso, pelo religioso, pelo político, pelo social, pelo económico e pelo cultural, que tanta influência tiveram e continuam a ter, nestas terras da Senhora da Nazaré.

4 – Como perspectiva o futuro da Gafanha da Nazaré, em termos religiosos?

Neste aspecto religioso, a paróquia da Gafanha da Nazaré tem óptimas perspectivas. Ao longo dos anos, especialmente nestes últimos onze anos, os baptizados praticantes têm sido solicitados para uma formação cristã que torne consciente a vida do discípulo de Cristo. A adesão aos cursos, pregações, semanas de estudo, Escola Básica da Fé, reuniões matrimoniais, baptismais e de catequese, têm mostrado esta ânsia do Gafanhonazareno para se formar, passando de religioso para o cristão. É pois, com alegria, que classifico esta adesão de excelente. Dizer-se cristão sem vida onde não existe a paz, a verdade, a justiça, a concórdia, o perdão, não tem a marca de Jesus Cristo e de Sua Mãe Senhora da Nazaré.

5 – Que mensagem se pode deixar a todos os paroquianos neste período de festa?

A mensagem que ofereço aos Gafanhonazarenos baptizados é de que a vida de cada um no específico da família e da comunidade deve espelhar o sentido da profundidade evangélica que os nossos antepassados viveram e desejaram comunicar.

Tenho a certeza de que a celebração destes 90 anos da instituição da Paróquia e da Freguesia irão ajudar a remoçar as vidas de cada um, na consciência sempre renovada e renovadora de uma resposta ao desafio proposto por Jesus Cristo: "Sede perfeitos como o vosso Pai do Céu é perfeito".

6 - No dia 17 de Setembro fez onze anos que é Prior da Gafanha da Nazaré. Indique três ou quatro questões já realizadas e quais as mais importantes para o futuro.

A primeira e que me dá muita alegria foi a formação. Realizámos dezenas de conferências, semanas de formação, pregações e oito anos de Escola Básica da Fé.

A segunda foi a conclusão do Lar Senhora da Nazaré e o lançamento do funcionamento. Esta Instituição vai-se afirmando na sua área específica. Ainda o ano passado fomos indicados pelo Ministro da Tutela como o Centro Social modelo, no Distrito de Aveiro.

A Terceira foi a restruturação dos campos litúrgico, profético e hodegético. A dignidade da celebração dos Sacramentos (desde o canto aos objectos litúrgicos). O lançamento da campanha para as Obras da Igreja Matriz e das obras nas Capelas Mor, Santíssimo, Senhora da Nazaré, Senhora de Fátima e Santos Óleos. Restruturação dos serviços do Cartório, Timoneiro e das festas religiosas.

A quarta foi a Fundação Prior Sardo e a construção em bronze das estátuas Prior Sardo e Senhora da Nazaré. Quando criei a Fundação Prior Sardo esperava que alguns problemas sociais fossem resolvidos. Tal aconteceu.

No campo económico estas e outras realizações, até ao momento, já se gastaram várias centenas de milhares de contos. O povo, os meus amigos e algumas Instituições Governamentais e Autárquicas foram excelentes na sua colaboração.

Para o futuro julgo de importância o seguinte.

Obras da Igreja Matriz e anexos, dando beleza, segurança e funcionalidade ao edifício.

A conclusão do Centro de Acolhimento e Convívio – Mãe do Redentor, situado na Colónia Agrícola da Gafanha da Nazaré.

Reformulação dos serviços ligados à Pastoral profética, pedindo a ajuda a uma congregação religiosa e ainda a constituição de um secretariado paroquial de todos os departamentos ligados à acção social e ainda a criação de um serviço dedicado à cultura.

NOTA

O padre José Sardo Fidalgo, formou-se em Teologia no Seminário Patriarcal, em Lisboa, licenciou-se em Ciências Religiosas, na Universidade Católica, foi professor nos Seminários de Bissau, Senhora da Apresentação e Santa Joana. Director dos Cursilhos de Cristandade e de jovens na Diocese. Coordenador da Alfabetização do distrito de Aveiro em 1975-1976. Tem alguns livros publicados e muitíssimos outros como coordenador. Foi ainda Capelão militar, na Guiné e ainda professor da Educação Moral e Religiosa Católica durante 30 anos, 25 dos quais, em Aveiro, na Escola Secundária José Estevão. É o Prior da Gafanha da Nazaré, há 11 anos.

 

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