Homilia do dia da Festa de Nossa Senhora da Nazaré,

Padroeira da Gafanha da Nazaré,

proferida pelo nosso Prior, Padre José Sardo Fidalgo

Irmãos no Presbiterado

Caros Paroquianos

Cristãos que nos visitam

A paz de Deus, e a benção da Senhora da Nazaré estejam convosco.

Há noventa anos, os nossos antepassados, pediram ao Rei D. Manuel II que elevasse, um pequeno lugar da Península da Gafanha, a freguesia. Tal aconteceu, por Decreto Real, no dia vinte três de Junho de mil novecentos e dez. Aos trinta e um de Agosto do mesmo ano D. Manuel de Bastos Pina, Bispo Conde de Coimbra emanou o seguinte despacho – "Julgamos legitimamente erecta e canonicamente instituída a referida freguesia, tendo como orago Nossa Senhora da Nazaré." A partir deste momento este pedaço da Península da Gafanha, com sabor a sal e moliço, ficou com um novo nome, Nazaré. Aqui nasceu esta nova família que foi desabrochando em novas filhas. E a realidade de pedaço geográfico jamais se iria esquecer da Mãe do Redentor: Senhora da Nazaré, da Encarnação, do Carmo e da Boa Hora. Assim nascemos e assim desejamos continuar.

Não se pode falar da Península da Gafanha sem se referir à Mãe do Redentor. Como não se pode falar da Gafanha da Nazaré, sem referência a Nazaré.

Os nossos antepassados escolheram bem: Nossa Senhora da Nazaré. Nascida das terras de Vagos e de Mira deixámos São Tiago e São Tomé, dois apóstolos, oragos de Vagos e Mira e abrimos esta ria à bênção de Maria, Nossa senhora da Nazaré. Não tenhamos medo ou vergonha de ser Nazarenos como foi Maria Santíssima e seu Filho Jesus Cristo.

Ao iniciarmos um ano de comemorações que encerrará no próximo dia 31 de Agosto de Dois Mil e Um, sentimos a emoção de continuar a trabalhar, burilando e aprofundando a memória que nos foi legada pelos nossos antepassados. Saibam ser dignos dos nossos avós. Todos somos chamados a construir, de uma forma sempre renovada e renovadora, esta Comunidade da Gafanha da Nazaré.

Mergulhando na Palavra de Deus, vemos como São Paulo, na Carta aos cristãos da Galácia, coloca a Mãe do Redentor: "Quando chegou a plenitude dos tempos, Deus enviou o seu Filho, nascido de uma mulher e sujeito à Lei, para resgatar os que estavam sujeitos à Lei e nos tornar seus filhos adoptivos. E porque somos filhos, Deus enviou aos nossos corações o Espírito de seu Filho, que clama: Abbá! Pai!"

É assim que gostamos de ver a Mãe de Deus e nossa Mãe. Está colocada no seu lugar, conforme o plano de Deus.

Nossa Senhora da Nazaré é a mulher do Evangelho. Ela indica o caminho.

No Evangelho de S. João, no capítulo segundo, a Sua Palavra é muito esclarecedora: "Fazei tudo o que Ele vos disser". Ele é Jesus Cristo, o único Caminho, a única Verdade, a autêntica Vida.

O Evangelista S. João soube colocar, muito bem, boca de Nossa Senhora da Nazaré, a palavra proferida pelo Povo de Israel, quando Moisés os interrogou sobre a sua disposição para cumprirem o que o Senhor Deus tinha ordenado.

Colocar Nossa Senhora da Nazaré, na Igreja, Povo de Deus, é a melhor homenagem que todos podemos prestar à Mãe do Redentor. Separá-la de da Igreja é não entender a Missão da Senhora da Nazaré.

Nossa Senhora é Mãe da Paz. Paz que transforma e que desafia. É essa Paz que os devotos de Maria devem comunicar, na família, no trabalho e na Comunidade Paroquial. É essa paz que faz calar o ódio, a guerra, a vingança, a agressividade.

Lembro-me ainda daquela notícia que correu o mundo. Não eram baptizados, mas tinham o espírito de Jesus Cristo: «Foi no começo da guerra do Vietname. Um pelotão americano estava atascado num arrozal, envolvido numa violenta batalha com o Vietcong. Subitamente, caminhando por cima das divisórias de terra que separavam os campos de arroz uns dos outros, surgiu uma fila de seis monges budistas. Perfeitamente calmos e imperturbáveis, avançaram direitos à linha de fogo. Não olharam para a direita, não olharam para a esquerda. Avançaram a direito", recorda David Busch, um dos soldados americanos. "Foi perfeitamente estranho, porque ninguém disparou contra eles. E depois de eles passarem, senti-me de repente sem vontade de lutar. Não estava capaz de continuar com aquilo, pelos menos naquele dia. Todos devem ter sentido o mesmo, porque todos pararam. O combate pura e simplesmente acabou ali." O poder da tranquila calma dos monges de pacificar aqueles soldados envolvidos no calor da batalha ilustra um dos princípios básicos da vida social e da vida religiosa: as emoções são contagiosas. Esta história representa, evidentemente, um caso extremo.»

O acontecimento histórico, deste seis monges budistas, é um desafio a todos os que se dizem Marianos. Afinal o Povo da Gafanha da Nazaré tem uma boa Mestra, Nossa Senhora da Nazaré e muitos exemplos, mesmo que venham doutros quadrantes.

Que a Paz da Senhora da Nazaré esteja convosco e habite na vossa Família e na Nossa Comunidade Paroquial.

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