GARIMPO-N.59

O Poder, Dá Quem Tem. E Mantém...

Quebrar as normas deve fazer parte das normas. Para isso, é indispensável a confiança que se dá através da delegação de poder, da liberdade de agir até para errar, se o objetivo sempre for a melhoria.

As normas... ah, as normas! Elas fizeram e ainda têm feito a glória íntima de muitos burocratas por aí, executivos ou não. Normas significam poder, aquele poder indiscutível, que se sobrepõe a qualquer discussão de bom senso quando minguam os argumentos de quem manda. “Pode ser que você tenha razão, mas as normas não permitem...” e pronto. “Pela lógica da nossa sociedade, quem infringe as normas tem que ser punido”, explica o consultor Júlio Lobos, do Instituto da Qualidade. “Está na nossa formação social e religiosa. Usamos a punição como forma de controle.”

Punição e controle - talvez por isso seja tão difícil para muitas empresas adotar a descentralização através da delegação de poder. Com tantas outras coisas, a delegação de poder ainda é um discurso muito bonito e uma prática muito rara. Vem daí a falta de espírito empreendedor de muitos funcionários de empresas aparentemente modernas. “O verdadeiro empreendedor não espera a delegação de poder, ele a toma”, diz João Bosco Lodi, da JB Lodi Consultores.

No best-seller “Vencendo a Crise”, Tom Peters conta uma história exemplar. Um boeing da SAS (Scandinavian Airlines) chega atrasado para a escala num aeroporto europeu. É noite e a viagem ainda terá três horas. O serviço de bordo informa que não há mais refeições. Diante da iminência de uma crise - e contrariando as normas da empresa - a comissária decide comprar comida na companhia concorrente. As normas foram quebradas, mas certamente os passageiros da SAS terminaram a viagem mais satisfeitos.

(Ricardo Mendes).


É melhor tentar, mesmo errando, do que ter a frustração da experiência não vivenciada (Luiz Fábio Cruz).


Fortaleza (CE), 13.02.99
Luiz TARCISO Coelho Bezerra
garimpo@uol.com.br

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