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PROJETOS GAMES 4 PC CONTRA AS "DROGAS" Tudo começou quando eu tinha uns 14 anos e um amigo chegou com aquele papo de "experimenta, depois, quando você quiser é só parar..." e eu fui na dele. Primeiro ele me ofereceu coisa leve, disse que era de "raiz", da "terra", que não fazia mal, e meu deu um inofensivo disco do "Chitãozinho e Xororó" e em seguida um do "Leandro e Leonardo". Achei legal, coisa bem brasileira; mas a parada foi ficando mais pesada, o consumo cada vez mais freqüente, comecei a chamar todo mundo de "Amigo" e acabei comprando pela primeira vez. Lembro que chequei na loja e pedi: me dá um CD do "Zezé di Camargo e Luciano" e outro do "Daniel". Era o princípio de tudo! Logo resolvi experimentar algo diferente e ele me ofereceu um CD de lambada e de AXÉ. Ele dizia que era pra relaxar; sabe, coisa leve... "Banda Eva", "Cheiro de Amor", "Netinho", "Chiclete com Banana", "Asa de Águia", etc. Com o tempo, foi oferecendo coisas piores: "É o Tchan", "Companhia do Pagode" e muito mais. Após o uso contínuo, eu já não queria saber de coisas leves, eu queria algo mais pesado, mais desafiador e que fizesse mexer a bunda como eu nunca havia mexido antes, então, meu "amigo" me deu o que eu queria, um CD do "Harmonia do Samba". Minha bunda passou a ser o centro da minha vida, minha razão de existir. Eu pensava por ela, respirava por ela, vivia por ela! Mas, depois de muito tempo de consumo, a droga perde efeito, e você começa a querer cada vez mais, mais, mais... Comecei a freqüentar o submundo e correr atrás das paradas. Foi a partir daí que começou a minha decadência. Fui ao show de encontro dos grupos "Carametade" e "Só pra Contrariar", e até comprei a Caras que tinha o "Rodriguinho" na capa e a seguir, idem, do "Xandy", depois do "Alexandre Pires" e finalmente do "Belo". Quando dei por mim, já estava com o cabelo pintado de loiro, minha mão tinha crescido muito em função do pandeiro, meus polegares já não se mexiam por eu passar o tempo todo fazendo sinais de positivo. Não deu outra: entrei para um grupo de pagode. Enquanto vários outros viciados cantavam uma "música" que não dizia nada, eu e mais doze infelizes dançávamos alguns passinhos ensaiados, sorríamos e fazíamos alguns sinais combinados. Lembro-me um dia quando entrei nas Lojas Americanas e pedi a coletânea "As Melhores do Molejão". Foi terrível!!! Eu já não pensava mais!! Meu senso crítico havia sido dissolvido pelas rimas "miseráveis" e pelas letras pouco arrojadas. Meu cérebro estava travado, não pensava em mais nada. Mas a fase negra ainda estava por vir. Cheguei ao fundo do poço, no limiar da condição humana, quando comecei a escutar "Brega Boys", "Popozudas", "Bondes", "Tigrões", "Motinhas" e "Tapinhas". Comecei a ter delírios, a dizer coisas sem sentido. Quando saía a noite para as festas, pedia tapas na cara e fazia gestos obscenos. Fui cercado por outros drogados, usuários das drogas mais estranhas, uns nobres queriam me mostrar o "Caminho das Pedras", outros extremistas preferiam o "Caminho dos Templos". Minha fraqueza era tanta que estive próximo de sucumbir aos radicais e ser dominado pela droga mais poderosa do mercado: a droga limpa. Hoje estou internado em uma clínica. Meus verdadeiros amigos fizeram a única coisa que poderiam ter feito por mim. Meu tratamento está sendo muito duro: doses cavalares de Rock, MPB, Progressivo e Blues. Mas o meu médico falou que é possível que tenha que recorrer ao Jazz, e até mesmo Mozart e Bach. Queria aproveitar a oportunidade e aconselhar as pessoas a não se entregarem a este tipo de droga. Os traficantes só pensam no dinheiro. Eles não se preocupam com sua saúde, por isso tapam sua visão para as coisas boas e te oferecem drogas. Se você não reagir, vai acabar drogado: alienado, inculto, manobrável, consumível, descartável e distante; vai perder as referências e definhar mentalmente. Em vez de encher a cabeça com porcaria, pratique esportes e, na dúvida, se não puder distinguir o que é droga ou não, faça o seguinte: não ligue a TV nos sábados e domingos a tarde; não escute nada que venha de Goiânia ou do interior de São Paulo; não entre em carros com adesivos "Fui...", "Voltei...", "Ide...", "Propriedade de Jesus", "Amo minha família"; Se te oferecerem um CD, procurem saber se o suspeito foi ao programa da Hebe, ou se apareceu no Sabadão do Gugu; Mulheres gritando histericamente são outro indício; não compre nenhum CD que tenha mais de seis pessoas na capa; não vá a shows em que suspeitos façam gestos ensaiados; não compre nenhum CD que a capa tenha nuvens no fundo; não compre nenhum CD que tenha vendido mais de um milhão de cópias no Brasil e não escute nada que o autor não consiga uma concordância verbal mínima. Mas, principalmente, duvide de tudo e de todos. A vida é bela! Eu sei que você consegue! Diga NÃO às "drogas"! Este relato é de um viciado arrependido que não quis se identificar. |
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