Pensamentos (e a falta deles), idéias (ou a falta delas) e outros devaneios diários (ou não!) de Douglas Backes... enfim, crônicas do dia-a-dia.

Sexta-feira, 03 de Agosto de 2001
Palavras erradas - Parte IV

A letra H

Pense numa palavra que comece com H. Pensou? Não leia sem antes pensar. Ok, "homem" não vale. Se era essa, mude. Do contrário, continue. Pronto? Beleza, mas "helicóptero" também não vale, esqueci de avisar. Mude se era essa. Se não era, parabéns. Normalmente as pessoas pensam numa dessas duas palavras, por isso é que não valem. Ah! "História" também não vale... costuma ser lembrada pelos mais antigos. Se você conseguiu pensar em outra palavra que comece com H... grande coisa!! Há centenas de palavras com H. Habilidade, habeas-corpus, hemoglobina, hospital, harém, haplosporídios... e o Lula insiste na habitação.

Enviado por Douglas Backes às 01:11hs

Palavras erradas - Parte III

Dura dieta

- A mesa está posta!

Beleza, minha barriga já estava roncando, aliás acho que nunca roncara tanto em seus 8 anos de existência. Lavei as mãos e sentei-me à mesa. Comecei a comer, mas comedidamente... afinal, jantava na casa de um colega, gente da alta sociedade. Claro que não era meu interesse ferir o ambiente. Maneirei.

- Douglas, não te acanha!

O aviso da mãe do meu colega me deixou um tanto desconcertado. Devo ter ficado vermelho, mas nem consigo lembrar... a memória falha na hora de registrar fatos sob situações embaraçosas.
Continuei comendo com moderação. Passaram-se alguns minutos e aquela voz aparece de novo:

- Douglas. não te acanha!

Parei de comer e saí da mesa. Que coisa! Gente rica daquele jeito se espiando por causa de uma ou duas fatias de pão, por causa de algumas bolachas... quanta mesquinhez!
Depois é que fui descobrir que "não te acanha" não era o mesmo que "não te avança"! Mas já era tarde: a barriga (ignorante) já roncava era de tão indignada.

Enviado por Douglas Backes às 01:09hs

Quinta-feira, 02 de Agosto de 2001
Dia cheio

Uma quarta-feira e tanto! Meu time estreou no campeonato brasileiro e perdeu (pra variar). Vendi cartões de galeto do Interact (agora só faltam dois). Meu time perdeu. Recomeçaram as aulas:tive Introdução à Estatística, com o professor Cláudio Kaiser, que era diretor do CIMOL quando eu estudei lá. Meu time perdeu. A recepção na Faccat foi muito legal, com Tobias Falcão tocando antes de começar a aula, uma apresentação de mímica e um show da "Bandá Rumbá" (reggae de primeiríssima) no intervalo. Meu time perdeu. Saiu uma ótima matéria sobre blogs na zero hora digital.
E se pensam que me importo que meu time perdeu, estão muito enganados, ok??? :P

Enviado por Douglas Backes às 01:26hs

Palavras erradas - Parte II

Surpreendentes curiúvas da língua portuguesa (pseudo-intelectualidade)

- Qual é a capital da Cherívia? - querosenou o professor.
- É Suburgo! - rescaldou o aluno, sem pestiferar.
Todo mundo ficou espasmo diante do conhecimento do garoto. Justo o Basídio, que nunca se interessara pelas saburras da geografia. Como mudara! Certamente por influência da viagem que fizera nas férias, pois maravilhou-se ao conhecer inúmeras ilhargas do Pacífico.
Sem dúvida, fez-lhe bem arejar a cabeça, pensar na vida, jacular melhor as idéias.

***

Entre termos sósias e duplos sentidos

Estava lá, num cartaz colado na porta do diretório municipal do pH (partido dos homens com H maiúsculo):

AVISO: Amanhã, sexta-feira, reunião de cópula para debater acerca de nossa edeologia.

Dizem que apenas alguns simpatizantes compareceram, mas nenhum membro ativo.

***

O equilíbrio duvidoso do ecossistema

Atividades sub-reptícias são aquelas feitas por répteis embaixo d'água. Mas o que faz um réptil embaixo d'água? Morre. Enquanto isso, um anfíbio se diverte comendo anfibolitos num luxuoso anfiteatro em alto-mar.

Enviado por Douglas Backes às 00:41hs

Quarta-feira, 01 de Agosto de 2001
Palavras erradas - Parte I

Há uma crônica muito boa do Luis Fernando Verissimo na qual ele versa, com inimitável desenvoltura, sobre o sentido de determinadas palavras. Segundo Verissimo, há verbetes que não deveriam ter o significado que têm. Com base na afirmativa, o autor redige uma bela história, ambientada nos tempos medievais, usando palavras que descrevem perfeitamente o que ele quer dizer, sem entretanto significar realmente aquilo.

Eis um pequeno trecho:
"Um dia chega a Cântaro um jovem trovador, Lipídio de Albornoz. Ele cruza a Ponte de Safena e entra na cidade montado no seu cavalo Escarcéu. Avista uma mulher vestindo uma bandalheira preta que lhe lança um olhar cheio de betume e cabriolé. Segue-a através dos becos de Cântaro até um sumário - uma espécie de jardim enclausurado - onde ela deixa cair a bandalheira."

A crônica chama-se "Palavreado" e é parte do livro "O Analista de Bagé". Simplesmente genial. Ali, Verissimo brinca, por exemplo, com o que entende por Lascívia: para ele, é o nome de uma mulher... uma mulher magra e comprida.

É realmente interessante como determinadas palavras geram imagens na nossa cabeça. Acabamos, dessa forma, por vezes associando um significado absolutamente despropositado a uma palavra. Noutro caso, é comum pensarmos que uma palavra significa determinada coisa porque se parece com outra. "Escarcéu", por exemplo. O nome do cavalo da historieta de Verissimo. Escarcéu parece com corcel, não parece? Por isso ele nomeou assim o cavalo. Grande Verissimo. O homem é um gênio.

Dada essa introdução ao assunto "palavras erradas", aguardem. Lançarei aqui no blog algumas brincadeiras com palavras, tentando manter a linha de raciocínio do Verissimo. Tarefa árdua, eu sei. Mas não custa tentar. Ainda mais quando eu tenho uma boa quantidade de idéias nesse sentido, inclusive algumas histórias reais muito boas. Aguardem, aguardem...

Enviado por Douglas Backes às 00:36hs


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