Pensamentos (e a falta deles), idéias (ou a falta delas) e outros devaneios diários (ou não) de Douglas Backes... enfim, crônicas do dia-a-dia.


25.8.01
Januário

Januário era um sujeito quieto. Ouvia música clássica, assistia a muitos filmes em vídeo e tomava suco de acerola na sacada, contemplando o trânsito caótico da metrópole. Passava manteiga de cacau nos lábios para que não rachassem, tomava vitamina C todo dia pra não pegar gripe.
Era incapaz de matar uma mosca. Um "frouxo", pra ficar com a definição dada pela ex-namorada.
Entrou para uma seita estranha, "Seguidores de Enéas". Sonhava todas as noites que construía uma bomba atômica. Sentiu-se com um estranho poder de mudar o mundo. Passou a vestir-se de preto e sair à noite, vagando pelas ruas da cidade. Voltava tarde e subia as escadas do prédio gritando "anarquia, anarquia"! Isso não mudou o mundo, claro... mas mudou a vizinhança. Todo dia alguém desistia de morar no prédio. Grande Januário.



Você simplesmente não sabe o que foram:

- O caso da pasta rosa;
- Um boneco chamado NEB;
- PROCONSULT;
- Mini-game do Gonden Axe;

Sabe? Se sabe, não se acanhe... "meta sua colher nesse post"!!



Uau, que legal, paiê!!

Olha o que eu descobri... clicando no "meta sua colher nesse post" dá pra deixar coisas escritas aqui no site... que legal, que legal!!
Nah, fala sério! Mó trabalheira pra instalar o Reblogger e ninguém usa!!! Tipo... eu esperando que fossem comentar as mudanças (pequenas, é verdade) no design do site... mas que nada! Acho que isso significa que não está nem melhor nem pior... ou não? Pô, que que custa deixar sua opinião? O "meta sua colher nesse post" está aqui para isso!



24.8.01
Blog de Notas News

Mudanças na parte gráfica do site, notaram? E também um remodelamento da seção "Bookmarks" (vale a pena conferi-la!).



Mestre Joca

O professor de Arte e Estética Contemporênea da Faccat é Joaquim da Fonseca (doravante chamado "Fonseca, Joaquim da", numa alusão às inúmeras obras que tem publicadas).
Chamamos "Fonseca, Joaquim da" de mestre. Uns o chamam assim em reverência a sua inteligência (o homem é um poço de cultura). Outros o assim chamam devido à semelhança que ele tem com o "Mestre dos Magos", do desenho A Caverna do Dragão: "Fonseca, Joaquim da" assemelha-se não apenas fisicamente com a personagem do desenho animado, mas também psicologicamente (e aí trago o depoimento das "más línguas"): aparece, deixa um enigma e desaparece antes que possa ser consultado novamente.



23.8.01
Vinte e um pila

Se alguém quiser me dar um presente (não sei por que iria querer, mas...), tá aqui uma ótima sugestão.
Descobri a referida pérola da literatura enquanto lia o blog do Charles Pilger.



Telefonema

- Alô?!
- Alô...
- Quem é que está falando?
- O seqüestrador.
- Ha, hae... hi, hi!! Palmas para o seqüestrador, muito mais palmas!
- Escuta aqui, não tô pra brincadeira...
- Bom, eu não posso interferir, a escolha é sua. Então diga "eu-vou-parar"...
- Eu vou parar.
- Parooooou!!!
(Auditório: "parou por quê? Por que parou?")
- Liguei pra falar sobre o resgate.
- Ah! O Resgate do Soldado Ryan... não perca, na Tela de Sucessos! Eu não vi, mas a minha filha... putz, a minha filha não teve tempo de me contar o filme... você poderia colocá-la ao telefone, por gentileza?
- Eu quero falar é do resgate, da grana que vou querer pra devolver a sua filha.
- Já sei!
- Sabe o quê?
- Quanto você quer pelo resgate.
- Ah, é? E quanto eu quero?
- Uuuummm milhãoooo!
- Hum... é um preço justo. Mas eu quero dois milhões.
- Você tem certeza? Está seguro disso? Posso perguntar?
- Pera aí, que palhaçada é essa, hein?
- Ha, hae... hi, hi!! Olhe bem pra minha filha que tá aí!
- O que é que tem?
- Ha, hae... hi, hi!! É o Ivo Holanda! Você acabou de participar do programa Topa Tudo Por Dinheiro!! Olhe a câmera atrás de você!
- Puta que pariu! Mas eu sou burro mesmo, patrão!
- O quê? Patrão?
- (...)
- Lombardi? É você? Então você passou todos esses anos me invejando, armando uma sacanagem dessas contra mim?
- Pô, patrão... eu não agüentava mais ver o senhor cada vez mais rico e eu cada vez mais pobre! Eu sempre quis aparecer e nunca me deixaram, sempre quis ter um quadro no programa e nunca me deram uma oportunidade... e aqueles kits de produtos Kolynos, patrão? Eu sempre quis um!
- Olha, Lombardi... então vamos fazer assim: você me devolve o Ivo Holanda e eu te dou um kit daqueles.
- Sério? Pô, patrão... obrigado!
E desligou o telefone, cantando: "É o Baúúú... da Fe-li-ci-da-de!!"



22.8.01
O banheiro da festa

Estava numa festa. Precisei ir ao banheiro, satisfazer necessidades fisiológicas líquidas. Era uma festa privada, na casa de um amigo cujos pais haviam viajado. Portanto, o banheiro não era do tipo "coletivo", com mictórios, coisa e tal. Era o banheiro da casa mesmo. Homens e mulheres usavam o mesmo. Fiquei esperando desocuparem-no.
Levou algum tempo, mas enfim saiu uma bela loira do toalete (se fosse um homem chamaríamos o "ambiente" de banheiro). Linda garota: alta, corpo escultural, longos cabelos cacheados e olhos falantes. Tão falantes que não paravam de tagarelar: "ei, cara, sou ou não sou perfeita?". Acho que era isso que aqueles olhos me perguntavam. Eu já ia dizendo "sim... sim... é perfeita..." quando entrei no banheiro. O cheiro estava insuportável! E eu que pensava que loiras perfeitas tivessem um sistema próprio de dejeção, insípido, inodoro e incolor. Mas que nada! Pelo menos serviu para que eu tirasse a loira da cabeça. Prendi a respiração e fui dar minha urinada.
Lá estava eu, frente a frente com a privada. Fitei-a. Ela parecia me desafiar: "você vai errar, você vai errar...". Olhei-a com desdém: confio no meu taco. Literalmente. E lancei o primeiro jato, confiante. Mas, coisa do destino, perdi a aposta para o vaso. Molhei o rolo de papel higiênico.
Não bastasse isso, eis que salta, detrás do vaso, um anãozinho. Num rápido movimento, me algema.
- Teje preso! Não contavam com minha astúcia!
- Ei! Quem é você? O Chapolin?
- Não!! Eu sou... o vigilaaaaaaaante sanitááááário!
E saiu pela janelinha do banheiro, depois de chegar até ela subindo pela mangueira do chuveirinho.



21.8.01
Os traiçoeiros bichanos

Se tem algo que me tira do sério são gatos brigando perto da minha janela. E o pior não é a briga em si... o pior são as circunstâncias. Por que eles não brigam num horário em que eu não estou em casa? É a mais pura rebeldia! A simples vontade de incomodar.

Já tentei dar uma solução ao caso, mas sempre sem sucesso. Dia desses eu afixei sob a janela, em local de boa visibilidade, um esquema de horários, disciplinando a prática do miado. Mas quem disse que adiantou? Nada disso. Os gatos montaram um sindicato e, sob amparo dele, conseguiram uma liminar que lhes garantia o direito de exercer sua profissão.

Recorri da sentença, tentando provar que era uma atividade ilegal, um mercado informal de entretenimento (se é que se pode chamar aqueles miados desafinados de "entretenimento"). Mas nem isso adiantou. Os bichanos já tinham arrumado uma assessoria jurídica cheia de tretas e conseguiram esquentar uns documentos, estabelecendo-se de vez.

A única diferença é que a partir dali eles passaram a ter carteira assinada e tudo mais... e suas atividades não se resumiam mais ao simples miado. Estavam vendendo, quem diria, cachorro-quente! Estavam fazendo gato e sapato dos meus ouvidos, tal a gritaria junto à minha janela. E a clientela? Não era meia dúzia de gatos-pingados, mas uma porção deles.

Começaram a crescer. Espalharam filiais, consolidaram sua marca (Cat'chorro Kent) no mercado. Já estava me acostumando a tudo isso. Mas as coisas vão mudar de novo: eles querem montar um drive-thru, e meu quarto está atrapalhando. Agora há pouco recebi do oficial de justiça uma ordem de despejo. Coletaram dados sobre meus últimos relacionamentos e conseguiram que a justiça considerasse meu quarto "terra improdutiva". Essas gatas são fogo!



Bacana!

A Fernanda Não-Vou-Tentar-Dizer-Seu-Sobrenome, do blog Sobretudo, colocou um link pro Blog de Notas. Bacana isso! Simpática, a Fernanda.



19.8.01
Post politicamente correto

Fila de transplantes é uma tristeza. E ainda tem uns otários que fazem questão de identificar-se como "não doadores de órgãos". Isso é algo que me revolta. Do jeito que as coisas estão, nem que os médicos façam das tripas coração... e da gordura pulmão e da pele façam córneas... não adianta. É meu apelo para que você, leitor consciente, não faça uma crueldade dessas... seja doador de órgãos. Afinal, quando você morrer, não vai precisar deles.





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