Pensamentos (e a falta deles), idéias (ou a falta delas) e outros devaneios diários (ou não) de Douglas Backes... enfim, crônicas do dia-a-dia.
25.8.01
JanuárioJanuário era um sujeito quieto. Ouvia música clássica, assistia a muitos filmes em vídeo e tomava suco de acerola na sacada, contemplando o trânsito caótico da metrópole. Passava manteiga de cacau nos lábios para que não rachassem, tomava vitamina C todo dia pra não pegar gripe. Era incapaz de matar uma mosca. Um "frouxo", pra ficar com a definição dada pela ex-namorada. Entrou para uma seita estranha, "Seguidores de Enéas". Sonhava todas as noites que construía uma bomba atômica. Sentiu-se com um estranho poder de mudar o mundo. Passou a vestir-se de preto e sair à noite, vagando pelas ruas da cidade. Voltava tarde e subia as escadas do prédio gritando "anarquia, anarquia"! Isso não mudou o mundo, claro... mas mudou a vizinhança. Todo dia alguém desistia de morar no prédio. Grande Januário.
Douglas Backes 16:13
Você simplesmente não sabe o que foram:- O caso da pasta rosa; - Um boneco chamado NEB; - PROCONSULT; - Mini-game do Gonden Axe;
Sabe? Se sabe, não se acanhe... "meta sua colher nesse post"!!
Douglas Backes 00:20
Uau, que legal, paiê!!Olha o que eu descobri... clicando no "meta sua colher nesse post" dá pra deixar coisas escritas aqui no site... que legal, que legal!! Nah, fala sério! Mó trabalheira pra instalar o Reblogger e ninguém usa!!! Tipo... eu esperando que fossem comentar as mudanças (pequenas, é verdade) no design do site... mas que nada! Acho que isso significa que não está nem melhor nem pior... ou não? Pô, que que custa deixar sua opinião? O "meta sua colher nesse post" está aqui para isso!
Douglas Backes 00:18
24.8.01
Blog de Notas NewsMudanças na parte gráfica do site, notaram? E também um remodelamento da seção "Bookmarks" (vale a pena conferi-la!).
Douglas Backes 01:06
Mestre JocaO professor de Arte e Estética Contemporênea da Faccat é Joaquim da Fonseca (doravante chamado "Fonseca, Joaquim da", numa alusão às inúmeras obras que tem publicadas). Chamamos "Fonseca, Joaquim da" de mestre. Uns o chamam assim em reverência a sua inteligência (o homem é um poço de cultura). Outros o assim chamam devido à semelhança que ele tem com o "Mestre dos Magos", do desenho A Caverna do Dragão: "Fonseca, Joaquim da" assemelha-se não apenas fisicamente com a personagem do desenho animado, mas também psicologicamente (e aí trago o depoimento das "más línguas"): aparece, deixa um enigma e desaparece antes que possa ser consultado novamente.
Douglas Backes 01:04
23.8.01
Vinte e um pilaSe alguém quiser me dar um presente (não sei por que iria querer, mas...), tá aqui uma ótima sugestão. Descobri a referida pérola da literatura enquanto lia o blog do Charles Pilger.
Douglas Backes 00:31
Telefonema- Alô?! - Alô... - Quem é que está falando? - O seqüestrador. - Ha, hae... hi, hi!! Palmas para o seqüestrador, muito mais palmas! - Escuta aqui, não tô pra brincadeira... - Bom, eu não posso interferir, a escolha é sua. Então diga "eu-vou-parar"... - Eu vou parar. - Parooooou!!! (Auditório: "parou por quê? Por que parou?") - Liguei pra falar sobre o resgate. - Ah! O Resgate do Soldado Ryan... não perca, na Tela de Sucessos! Eu não vi, mas a minha filha... putz, a minha filha não teve tempo de me contar o filme... você poderia colocá-la ao telefone, por gentileza? - Eu quero falar é do resgate, da grana que vou querer pra devolver a sua filha. - Já sei! - Sabe o quê? - Quanto você quer pelo resgate. - Ah, é? E quanto eu quero? - Uuuummm milhãoooo! - Hum... é um preço justo. Mas eu quero dois milhões. - Você tem certeza? Está seguro disso? Posso perguntar? - Pera aí, que palhaçada é essa, hein? - Ha, hae... hi, hi!! Olhe bem pra minha filha que tá aí! - O que é que tem? - Ha, hae... hi, hi!! É o Ivo Holanda! Você acabou de participar do programa Topa Tudo Por Dinheiro!! Olhe a câmera atrás de você! - Puta que pariu! Mas eu sou burro mesmo, patrão! - O quê? Patrão? - (...) - Lombardi? É você? Então você passou todos esses anos me invejando, armando uma sacanagem dessas contra mim? - Pô, patrão... eu não agüentava mais ver o senhor cada vez mais rico e eu cada vez mais pobre! Eu sempre quis aparecer e nunca me deixaram, sempre quis ter um quadro no programa e nunca me deram uma oportunidade... e aqueles kits de produtos Kolynos, patrão? Eu sempre quis um! - Olha, Lombardi... então vamos fazer assim: você me devolve o Ivo Holanda e eu te dou um kit daqueles. - Sério? Pô, patrão... obrigado! E desligou o telefone, cantando: "É o Baúúú... da Fe-li-ci-da-de!!"
Douglas Backes 00:11
22.8.01
O banheiro da festaEstava numa festa. Precisei ir ao banheiro, satisfazer necessidades fisiológicas líquidas. Era uma festa privada, na casa de um amigo cujos pais haviam viajado. Portanto, o banheiro não era do tipo "coletivo", com mictórios, coisa e tal. Era o banheiro da casa mesmo. Homens e mulheres usavam o mesmo. Fiquei esperando desocuparem-no. Levou algum tempo, mas enfim saiu uma bela loira do toalete (se fosse um homem chamaríamos o "ambiente" de banheiro). Linda garota: alta, corpo escultural, longos cabelos cacheados e olhos falantes. Tão falantes que não paravam de tagarelar: "ei, cara, sou ou não sou perfeita?". Acho que era isso que aqueles olhos me perguntavam. Eu já ia dizendo "sim... sim... é perfeita..." quando entrei no banheiro. O cheiro estava insuportável! E eu que pensava que loiras perfeitas tivessem um sistema próprio de dejeção, insípido, inodoro e incolor. Mas que nada! Pelo menos serviu para que eu tirasse a loira da cabeça. Prendi a respiração e fui dar minha urinada. Lá estava eu, frente a frente com a privada. Fitei-a. Ela parecia me desafiar: "você vai errar, você vai errar...". Olhei-a com desdém: confio no meu taco. Literalmente. E lancei o primeiro jato, confiante. Mas, coisa do destino, perdi a aposta para o vaso. Molhei o rolo de papel higiênico. Não bastasse isso, eis que salta, detrás do vaso, um anãozinho. Num rápido movimento, me algema. - Teje preso! Não contavam com minha astúcia! - Ei! Quem é você? O Chapolin? - Não!! Eu sou... o vigilaaaaaaaante sanitááááário! E saiu pela janelinha do banheiro, depois de chegar até ela subindo pela mangueira do chuveirinho.
Douglas Backes 00:23
21.8.01
Os traiçoeiros bichanosSe tem algo que me tira do sério são gatos brigando perto da minha janela. E o pior não é a briga em si... o pior são as circunstâncias. Por que eles não brigam num horário em que eu não estou em casa? É a mais pura rebeldia! A simples vontade de incomodar.
Já tentei dar uma solução ao caso, mas sempre sem sucesso. Dia desses eu afixei sob a janela, em local de boa visibilidade, um esquema de horários, disciplinando a prática do miado. Mas quem disse que adiantou? Nada disso. Os gatos montaram um sindicato e, sob amparo dele, conseguiram uma liminar que lhes garantia o direito de exercer sua profissão.
Recorri da sentença, tentando provar que era uma atividade ilegal, um mercado informal de entretenimento (se é que se pode chamar aqueles miados desafinados de "entretenimento"). Mas nem isso adiantou. Os bichanos já tinham arrumado uma assessoria jurídica cheia de tretas e conseguiram esquentar uns documentos, estabelecendo-se de vez.
A única diferença é que a partir dali eles passaram a ter carteira assinada e tudo mais... e suas atividades não se resumiam mais ao simples miado. Estavam vendendo, quem diria, cachorro-quente! Estavam fazendo gato e sapato dos meus ouvidos, tal a gritaria junto à minha janela. E a clientela? Não era meia dúzia de gatos-pingados, mas uma porção deles.
Começaram a crescer. Espalharam filiais, consolidaram sua marca (Cat'chorro Kent) no mercado. Já estava me acostumando a tudo isso. Mas as coisas vão mudar de novo: eles querem montar um drive-thru, e meu quarto está atrapalhando. Agora há pouco recebi do oficial de justiça uma ordem de despejo. Coletaram dados sobre meus últimos relacionamentos e conseguiram que a justiça considerasse meu quarto "terra improdutiva". Essas gatas são fogo!
Douglas Backes 00:36
Bacana!A Fernanda Não-Vou-Tentar-Dizer-Seu-Sobrenome, do blog Sobretudo, colocou um link pro Blog de Notas. Bacana isso! Simpática, a Fernanda.
Douglas Backes 00:31
19.8.01
Post politicamente corretoFila de transplantes é uma tristeza. E ainda tem uns otários que fazem questão de identificar-se como "não doadores de órgãos". Isso é algo que me revolta. Do jeito que as coisas estão, nem que os médicos façam das tripas coração... e da gordura pulmão e da pele façam córneas... não adianta. É meu apelo para que você, leitor consciente, não faça uma crueldade dessas... seja doador de órgãos. Afinal, quando você morrer, não vai precisar deles.
Douglas Backes 19:26
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