Pensamentos (e a falta deles), idéias (ou a falta delas) e outros devaneios diários (ou não) de Douglas Backes... enfim, crônicas do dia-a-dia.


18.8.01
A mulher que chora

O quadro ao lado chama-se "A mulher que chora" e foi pintado por Pablo Picasso em 1937, o que nos leva a concluir que esse pintor nasceu por volta de 1930.




16.8.01
De beijos e outras coisas da natureza

Namorada tem que dar beijos molhados. E não é um lá e outro cá, é sempre.
Mesmo quando não há tempo para longos beijos, para aqueles verdadeiros ensaios de novela das oito, os beijos têm de ser molhadinhos. Até quando for selinho. Ou você já viu um selo colar num envelope assim... "a seco"?

O beijo molhado é prova de amor: é a troca de saliva, é um "não tenho nojo de você" (ou um "amo sua baba", como queira!). Nos dias de hoje, então, com tanta doença por aí, troca de saliva é uma prova de confiança.

Por isso eu digo: beijo de namorada, sempre molhadinho, por favor. Agora... de mãe, tia, avó... esses podem ser bem secos (e, é claro, na bochecha!). Prima, por razões óbvias, não entra nessa lista.
Mais sem graça que um beijo seco da namorada, só um peido molhado em cueca emprestada. Mas, pior do que tudo isso, há uma coisa: um texto que começa bem e que "apodrece" no final...



15.8.01
Detalhes

- Legal teu poema.
- Que poema?
- Aquele... sobre o verão e tal.
- Como assim? O que você quer dizer com isso?
- O quê?
- Como assim "poema"? É crônica, ok? Vamo-nos respeitar...
- Tá, crônica.
- Não, não... "tá crônica" não serve. Minha crônica ficou ofendida. Peça desculpas pra ela.
- Desculpa.
- (...)
- Pronto, pedi!
- Ah... então é só isso?
- O que você esperava?
- Pô! No mínimo um "desculpa, crônica! Foi um erro chamar-te de poema! Mea culpa, mea maxima culpa."
- He, he, he! Tá, escuta...
- Ande logo, ela é temperamental...
- Quem?
- Ora, quem! A crônica! Tem que pedir desculpas direito.
- Pô, você ainda tá pensando nisso?
- Vamos: "desculpa, crônica! Foi um erro chamar-te de poema! Mea culpa, mea maxima culpa."
- Ai, ai... desculpa, crônica! Foi um erro chamar-te de poema! Mea culpa, mea maxima culpa. Pronto.
- Hum... parece que melhorou o ambiente... mas não a chame mais disso! Ela é uma crônica de famíla, não um poeminha qualquer que você usa e joga fora...
- Nossa...
- Você vai arrumar um problema crônico se chamá-la assim de novo.
- Tá, tá... eu não queria ofender, ok?
- Não tente remendar que piora. Puxa, se não sou eu pra defender minha crônica... a coitada poderia até entrar em depressão.
- Bah, cara complicado você, hein?
- Como assim? O que você quer dizer com isso?
- Nada, nada!
- Não, não, peraí! Como assim "complicado"?
- Ai, ai, ai... na próxima encarnação eu quero ser uma pedra!
- De que tipo?



(Quase) romântico

Interessante como o céu está mais azul
Como o sol está mais amarelo
Como a natureza está mais verde
Como cada tom está mais belo

Interessante como as aves falam comigo
Como o vento canta uma canção
Como tudo o que quero eu consigo
Como dispara meu coração

Vejo o arco-íris dando voltas a meu redor
Nas nuvens vejo sorrisos
Vejo caras, bocas... ouço guizos

O que me faz sentir assim?
Tão fora de mim?
Será que é você? Não... é o LSD!



14.8.01
Método Pipo de Abordagem

Pipo era um cara bacana. Alto astral, engraçadíssimo. Benquisto por todos. Só que Pipo, coitado, tinha certa dificuldade na lida com as garotas, pelo fato de ser tímido.
Não sabia quebrar um gelo e não conseguia conversar olhando nos olhos delas. Principalmente ao primeiro contato: que dificuldade!
Certa feita, numa festa, Pipo encheu-se de coragem e foi conversar com uma menina que já observava a algumas horas:
- Oi!
- Oi...
- Qual é seu nome?
- Milene.
- Hum... prazer! O meu é Pipo. Digo... meu apelido, né?!
- Prazer.
- (...)
- (???)
- (...)
- (???)
- Ãh... ãh...
E saiu de perto da garota. Simplesmete travara! Fim de papo. Ficava assim, o Pipo... sem saber o que falar. Não conseguia ficar à vontade frente a frente com uma garota.
Mas, após sucessivas desilusões, Pipo desenvolveu um método próprio de abordagem.
- Oi!
- Oi...
- Quer conversar?
- Pode ser...
- Qual é seu nome?
- Joana.
- Bonito nome. Muito prazer... me chamam de Pipo.
- Muito prazer.
- (...)
- (???)
- Você disse que topava conversar comigo... então pergunta alguma coisa aí! Só eu tomo a iniciativa?
E normalmente elas achavam graça do jeito metódico do Pipo. Riam e continuavam a conversa. Mas sobreveio uma situação inesperada, um "bug" no Método Pipo de Abordagem.
- Bom, Pipo... eu já perguntei tantas coisas... seu signo, o que você faz da vida, seu tipo de música preferido, seu filme favorito... agora pergunte você algo pra mim!
Pipo suou frio. Precisava perguntar algo que ela não pudesse responder muito rapidamente, pois ele teria que ganhar tempo para pensar em mais perguntas. Num estalo, lascou:
- Qual é a capital da Austrália?
Consta que até hoje não achou sua alma gêmea. Culpa da fraquíssima rede de ensino. Ninguém conhece Camberra.



13.8.01
A maldade está nos olhos de quem vê...

E a garota que queria namorar o Nico... prometia mundos e fundos. Ele cedeu: começaram a namorar.
Mas, passado algum tempo, Nico deixou dela. A garota não lhe dera os mundos... e nem cogitava dar os fundos!




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