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ARACELI: SÍMBOLO DA VIOLÊNCIA . por Pedro Argemiro* Durante
mais de três anos, na década de 70, pouca gente ousou abrir
a gaveta do Instituto Médico-Legal de Vitória, no Espírito
Santo, onde se encontrava o corpo de uma menina de nove anos incompletos.
E havia motivos para isso. Além de o corpo estar barbaramente
seviciado e desfigurado com ácido, se interessar pelo caso significava
comprar briga com as mais poderosas famílias do estado, cujos
filhos estavam sendo acusados do hediondo crime. Pelo menos duas pessoas
já tinham morrido em circunstâncias misteriosas por se
envolverem com o assunto. |
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Ainda
assim, corajosos enfrentavam os poderosos exigindo justiça, tanto
que o corpo permanecia insepulto na fria gaveta, como se fosse a última
trincheira da resistência. O nome da menina era Araceli Cabrera
Crespo e seu martírio significou tanto que o dia 18 de maio
- data em que ela desapareceu da escola onde estudava para nunca mais
ser vista com vida - se transformou no Dia Nacional de Combate ao
Abuso e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. Por uma
dessas cruéis ironias, Jardim dos Anjos era onde ficava um casarão,
na Praia de Canto, usado por um grupo de viciados de Vitória
(ES) para promover orgias regadas a LSD, cocaína e álcool,
nas quais muitas vítimas eram crianças - anjos do sexo
feminino. Entre a turma de toxicômanos, era conhecida a atração
que Paulo Constanteen Helal, o Paulinho, e Dante de Brito
Michelini, o Dantinho, líderes do grupo, sentiam por menininhas.
Dizia-se, sempre a boca pequena, que eles drogavam e violentavam meninas
e adolescentes no casarão e em apartamentos mantidos exclusivamente
para festas de embalo. O comércio de drogas era, e é muito
enraizado naquela cidade. O Bar Franciscano, da família Michelini,
era apontado como um ponto conhecido de tráfico e consumo livres. |
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| Suspeitas sobre a mãe da menina | ||
Na véspera,
Lola tivera uma reação aparentemente normal ao constatar
a demora da filha em chegar em casa. Primeiro, ficou enervada; depois,
preocupada. No sábado, tarde da noite, sofreu uma crise nervosa
e precisou ser internada no Pronto Socorro da Santa Casa de Misericórdia.
Ainda no início do processo, acabariam pesando sobre ela fortes
suspeitas e graves acusações. Lola foi apontada como viciada
e traficante de cocaína, fornecedora da droga para pessoas
influentes da cidade e até amante de Jorge Michelini,
tio de Dantinho. E mais: ela era irmã de traficantes de Santa
Cruz de La Sierra, para onde se mudou tão logo o caso ganhou
dimensão, deixando para trás o marido Gabriel e o outro
filho, Carlinhos. Não se sabe até onde Lola facilitou
ou estimulou a cobiça dos assassinos em relação
a Araceli. |
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| Menina era usada no tráfico de drogas | ||
O que aconteceu realmente com Araceli Cabrera Crespo talvez nunca se saiba. E talvez, seja bom mesmo não conhecer os detalhes, tamanha é a brutalidade que o exame de corpo delito deixa entrever. A menina foi estupidamente martirizada. Araceli foi espancada, estuprada, drogada e morta puma orgia de drogas e sexo. Sua vagina, seu peito e sua barriga tinham marcas de dentes. Seu queixo foi deslocado com um golpe. Finalmente, seu corpo - o rosto, principalmente - foi desfigurado com ácido. |
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| Corrupção e cumplicidade da polícia | ||
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Seis dias depois do massacre da menina, um moleque caçava passarinhos num terreno baldio atrás do Hospital Infantil Menino Jesus, na Praia Comprida, perto do Centro da capital. Mas o que ele encontrou foi o corpo despido e desfigurado de Araceli. Começou, então, a ser tecida uma rede de cumplicidade e corrupção, que envolveu a polícia e o judiciário e impediu a apuração do crime e o julgamento dos acusados por uma sociedade silenciada pelo medo e oprimida pelo abuso de poder. Dois
meses após o aparecimento do corpo, num dia qualquer de julho
de 1973, o superintendente de Polícia Civil do Espírito
Santo, Gilberto Barros Faria, fez uma revelação
bombástica. Ele afirmou que já sabia o nome dos criminosos,
vários, e que a população de Vitória ficaria
estarrecida quando fossem anunciados, no dia seguinte. Barros havia
retirado cabelos de um pente usado por Araceli e do corpo encontrado
e levado para exames em Brasília. confirmando que eram iguais. |
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| * Pedro Argemiro, redator da revista Crimes Que Abalaram o Brasil, de onde esta reportagem foi extraída. |
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da página Dossiê Pedofilia
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