A POLACA E A ESPOSA
De repente do pranto fez-se o riso
retumbante e forte como o vinho
e das mãos unidas fez-se o vento
e dos corpos ardentes fez-se o sexo
Vertical e horizontalmente...
(com licença poética, alterando um verso do poetinha Vinícius)
Paco estava em Tarituba, no Rio de Janeiro, uma pequena vila de pescadores ao extremo Sul do Estado, entre Paraty e Angra dos Reis. Morava ali há três anos. Alugara uma pequena casa de pescadores, ao lado do campo de futebol, perto do clube, de frente para o mar. Na maior parte dos dias, tirando alguns dias nublados de inverno, quase sempre acordava aos raios do sol brilhante entrando pelas janelas da choupana.
Naquela época ele trabalhava na construção do sítio Gaia II, ou Maíra, como o chamavam e conforme está registrado. Era então um construtor de ninhos: Edificava o ninho de seu pai com sua mãe, o de sua irmã com sua belíssima família, e o seu com Esposa e filhos.
Sua amada e queridíssima Esposa, diga-se de passagem. Nos dias de semana, juntamente com seu pai e alguns ajudantes, Paco dedicava-se à construção, à obra. Acordavam cedo e, invariavelmente, punham-se a caminho do sítio. Passavam o dia entre pedras, areia, cimento, pás, vigas, telhas, janelas, portas, tintas e todos os demais implementos da construção de um ninho humano que se preze.
Aos finais de semana, principalmente à noite, Paco dedicava-se à Música. Desde que se percebera por gente, ele sempre fôra um amante incondicional da Música. Já em criança gostava de compartilhar os bons momentos com seu amigo violão. Estudara música, Teoria e Instrumento, com o mestre Isaías Sávio, no Conservatório Musical do Brooklyn Paulista. Estudara também Teoria e Harmonia Musical na Escola Municipal de Música. Mas sua verdadeira paixão era a flauta. Estudara Flauta Transversal com Antônio Carlos Carrasqueira, Grande Mestre Flautista brasileiro.
Sexta-feira à noite. A lua estava cheia e o céu claro, repleto de estrelas que refletiam seu intenso brilho sobre o mar. Paco estava no Restaurante da Carminha, e ele não estava só. Estavam na varanda do restaurante, uma sólida estrutura de madeira de lei, com plantas nas colunas: orquídeas, bromélias, samambaias. Ali cantavam.
Ao redor da mesa, feita de portas de antigas embarcações, com escotilha e tudo, reuniam-se uns quinze. Tinham recém terminado de jantar. Estavam fartos até os cabelos. Tinham "traçado" um dos mais melhores e tradicionais pratos da região: o "azul-marinho". Trata-se de um peixe de carne rígida, no caso fôra uma garoupa, cozido com banana verde, com pirão de farinha de mandioca da terra.
Para os apreciadores da boa mesa de pratos típicos, a receita é a seguinte:
Num caldeirão com azeite, todos os temperos refogados e o peixe limpo, cortado em postas e ligeiramente frito, adicionam-se três quartos de água fervente e as bananas com casca e tudo, lavadas e cortadas em terços. Deixa-se cozinhar por uma hora em fogo brando. Antes de tudo costuma-se servir uma aguardente, para abrir o apetite, de preferência a famosa pinga de Paraty. Eles tomaram Coqueiro.
Ao comer, cobre-se a base do prato com farinha de mandioca da terra e adiciona-se o caldo fervente, ou seja, escalda-se a farinha. Junta-se, ao gosto, pedaços da banana descascada, amassa-se com a farinha escaldada e serve-se uma ou duas postas de peixe. Já tive a oportunidade de experimentar esta receita e achei-a deliciosa... Eu gosto de adicionar algumas gotas de pimenta malagueta ou comary.
Bebiam cerveja. Depois do afrodisíaco jantar, todos estavam bem inspirados. Os amigos e amigas de Paco tinham-se reunido com seus instrumentos, e entoavam as mais belas canções. Ele, como um bom amante da divina Música, naturalmente, fazia questão de acompanhá-los à flauta.
Musicas vêm, músicas vão, e pararam um pouco com a cantoria. Afinal, os cantores também gostam de um trago. Precisam "molhar a garganta", como se diz. E foi por entre os tragos, com a garganta bem molhada, que ela surgiu. Sentou-se ao lado de Paco, bem perto, e disse:
- Caramba, Paco, como você toca bem! Eu não sabia que você era tão bom. Como é lindo o som da sua flauta...
- A mim também me parece. - disse Paco, sorrindo.
Era uma loura de bons metro e oitenta de altura, bem proporcionada, esbelta, de meia idade. De rosto não se pode dizer que "era assim uma brastemp", uma beleza raríssima, mas tinha um encanto especial no brilho dos olhos azul-turquesa. Seu corpo era magnífico. Vestia-se de uma forma que mais revelava do que escondia. Usava um "collant" verde, bastante decotado, deixando à mostra um par dos mais fartos e rijos seios. Chamavam-na Polaca. Paco jamais viria a saber seu nome de batismo.
Enquanto conversavam, Paco notou que ela estava bastante excitada pois seus mamilos estavam intumescidos e empinados. Tanto é que chegavam a esticar a fina viscose do "collant", desenhando as largas rosetas em relevo por baixo do tecido. Vestia calças compridas de "lycra", bem justas. Elas moldavam-lhe as ancas e as cochas de modo a não deixarem dúvidas a respeito de sua boa procedência. Polaca estava descalça. Devaneando, Paco apreciava aqueles pezinhos... Imaginava que, depois de lavados, poderiam ser beijados e chupados até pelo menos adepto da pedofilia.
- Adorei mesmo, eu juro. - disse-lhe ela, encantada.
- Isso não é nada, só música. - respondeu Paco, humildemente.
- Ah, mas estava lindo, fiquei todinha arrepiada... Você é demais!
- Nem tanto, nem tanto. - disse ele, ligeiramente encabulado.
A partir daquele instante, Polaca não parou mais de fazer-lhe os mais agradáveis elogios. O ego de Paco foi-se inchando, inchando, inchando, até parecer-lhe estar num balão meteorológico, nas alturas.
Ela aproximava-se cada vez mais. Quando falava, seus lábios rosados roçavam na orelha dele. Punha a mão em seu braço, em seu peito, nas suas costas. Cruzava e descruzava as pernas mostrando-lhe tudo. Paco ficou boquiaberto ao perceber a "lycra" de suas calças acentuando os apetitosos grandes lábios de Polaca.
Depois de uns goles de cerveja e da troca de muitas gentilezas, no compartilhamento de carinhos, ela desculpou-se gentilmente e saiu da varanda. Saiu assim, sem mais nem menos. Simplesmente levantou-se e saiu, deixando Paco solitário e desejoso.
- Quem entende essas mulheres? - pensou ele - Elas chegam como quem nada quer, excitam-nos até não mais poderem e, quando chega a hora "H", nos abandonam sem uma explicação plausível sequer.
Inconformado, Paco largou sua flauta sobre a mesa e foi no encalço de Polaca. Encontrou-a na cozinha do restaurante, saboreando um grande camarão vermelho que pegara de uma frigideira no fogão à lenha.
- Quer um camarão? - perguntou-lhe ela, com os finos lábios brilhando, lubrificados pelo azeite do camarão que chupava.
- Quero. - disse ele ansioso.
- Estes camarões estão uma delícia! - disse ela, passando a língua nos lábios róseos.
- Na verdade eu gostaria de algo mais do que um camarão. - pensou Paco, comendo-a gulosamente com os olhos.
Polaca aproximou-se maliciosamente, com uma provocante ginga de corpo.
Paco afastou as "más idéias" ao lembrar-se da Esposa, dos filhos e dos compromissos que assumira no casamento.
- O que foi, querido, você ficou pensativo de repente... - insinuou-se ela, pousando-lhe carinhosamente a mão sobre o ombro.
- Nada, nada, deixa pra lá. - tornou Paco aceitando o camarão que ela lhe oferecia.
- Espera um pouco aí que eu já volto. - disse Polaca, com olhar provocativo.
Isto dito, saiu em direção à pousada e Paco ficou novamente "a ver navios". Ela não demorou a voltar, despudorada.
- Prontinho, voltei. - disse-lhe ela sorrindo - Faz um favor pra mim? - perguntou-lhe, com olhar de súplica.
- Que favor? - prontificou-se Paco.
- É que hoje é o aniversário da minha comadre Da. Augusta e eu preparei uma surpresa: fiz um bolo pra ela. Você me ajuda a levá-lo à sua casa?
- Claro, sem problemas.
- Só que o bolo está na casa da Tia Angelina. Vamos lá buscá-lo?
- Vamos.
E saíram pelos fundos do restaurante, caminhando por uma estreita trilha na mata que levaria à casa da tal Tia Angelina. Polaca foi na frente. Enquanto caminhavam, Paco excitava-se ao ver suas nádegas rebolando cadenciadamente. Seus cabelos, louros e lisos, esvoaçavam ao toque da suave brisa. Suas costas fortes e perfeitamente contornadas terminavam numa cinturinha fina que, mais abaixo, alargava-se numa empinada bunda.
De repente ela parou e virou-se de frente para ele. Estava escuro e Paco não podia ver bem seus olhos. Polaca esperou que ele se aproximasse e, agarrando-o num abraço, tascou-lhe um beijo na boca. O beijo prolongou-se com carícias por um longo tempo.
- Puxa, que surpresa! - disse ele afinal, tomando fôlego, entusiasmado com o arrebatamento da moça.
- A surpresa vem agora. - tornou ela - Vem comigo...
Pegou-o pela mão e seguiram pela trilha até uma palhoça defronte à qual Polaca estacou. Atirou-se novamente nos braços dele e beijaram-se outra vez trocando toques e carinhos intensamente obscenos. Ela empurrou-o.
- Péra meu bem, espera um pouco que eu vou buscar uma vela. Vou lá na vizinha. - disse-lhe ela apontando e afastando-se em direção a outra palhoça ao lado.
Polaca voltou com uma vela e uma caixa de fósforos. Entraram na palhoça às escuras. Ela acendeu a vela. A casinha tinha dois cômodos: uma espécie de sala e um quarto. Sua mobília consistia numa cômoda e uma cama de casal, posta com lençóis imaculadamente brancos. Ela fixou a vela sobre a cômoda e disse-lhe:
- Agora sim! - olhou-o intensamente.
Desta vez foi ele quem a agarrou. Enquanto se beijavam, rolando na cama, iam-se despindo. De calcinhas e cuecas ficaram um tempão no rala-e-rola.
- Êta mulher fogosa. - pensava Paco, deixando de lado as questões da Esposa, do casamento, das obrigações, da família, dos filhos e tal.
Ele estava totalmente imerso no prazer que Polaca lhe proporcionava. Ambos estavam completamente concentrados no ato de amor. Perfeitamente excitados, tiraram-se as pequenas peças de vestuário que ainda lhes separava os sexos.
Ela assumiu a posição clássica de papai-e-mamãe, abrindo-se para a penetração. Quando Paco fez menção de lubrificar sua glande com saliva, para facilitar a as coisas, ela segurou sua mão e disse:
- Não, meu bem, não precisa, vem logo, entra em mim... - e puxou-o de encontro ao seu corpo.
Ele confirmou que não precisava mesmo ter lubrificado o cacete. Polaca estava tão naturalmente lubrificada que uma leve pressão foi o bastante para escorregar dentro daquela apertada e profunda gruta loura. De cara, ele colocou só a cabecinha mas, como pau não tem ombros, logo entrou o resto.
Ela tinha uma técnica que deixou Paco louco. Fazia uns movimentos internos que o sugavam inteiramente. Ele jamais provara aquilo. Achava o máximo.
Depois do primeiro orgasmo, que tiveram juntos, seu pênis amolecia. Paco fez menção de sair de Polaca. Ela, então, agarrou-o com mais força ainda e, sussurrando, mordendo-lhe de leve a orelha, gemeu:
- Não, não sai, fica aí, não sai pra fora de mim... Vem, vem mais, assim, assim... Ui, ai, como é bom, é tão gostoso, gos-tos-so...
Ela mexeu tanto e de uma tal maneira que o pau dele endureceu novamente. Acariciavam-se. Ela dava gritinhos. Murmuravam-se coisas obscenas. Estavam quase gozando de novo. Paco saiu dela e pediu-lhe para ficar de bruços. A visão daquela bunda esplêndida excitou-o mais ainda. Entrou nela por trás, feito cachorrinho.
- Que gostoso, gos-to-so... - sussurrou Paco, no cangote dela.
Ela gemeu de prazer. Ele entrou fundo até sentir seus pentelhos roçando no cuzinho dela. Ela gemeu mais. Com dedos hábeis Paco tateava o clitóris intumescido de Polaca. Gozaram novamente.
Antes que a pica de Paco amolecesse, Polaca virou-se de frente e, com as próprias mãos, enterrou-a, encarnou-a novamente em sua vagina.
- Fica dentro de mim. - murmurou ela - Eu quero mais, mais, mais...
Paco não teve alternativa. Estava ligeiramente preocupado porque, em geral, era daqueles que dá uma e pronto, já era. E já dera duas... Paco achava que três poderia ser demais para sua humilde pica. Grato engano... Polaca estava tão determinada e fogosa que fez com que ele tivesse mais uma ereção explosiva.
Desta vez, treparam de lado, meteram sentados, foderam de costas, se amaram de pé. Experimentaram todas as posições possíveis do ato de amor venial. Quanto Paco saía dela durante as mudanças de posição, ele olhava sua pica e não acreditava. Ela estava enorme, de um tamanho que jamais alcançara com a Esposa...
Sua pica estava muito mais comprida, mais grossa, mais rija do que nunca. Paco experimentava uma ereção poderosa. Sentia o pinto pulsando ao ritmo das batidas do coração. Polaca mexia e remexia de tal forma que ele sentia-se enlouquecer. Só queria penentrá-la mais, queria ouvir seus gritinhos e gemidos, pedia suas carícias, entregava-se à sua sucção. Queria fazê-la chegar a outro clímax, simultaneamente com ele.
Mais do que isso, não deu nem pra ela nem pra ele. Ficaram exaustos. E satisfeitos. Nisso, já eram umas cinco horas da manhã. Paco despediu-se de Polaca e foi para sua casa. Os passarinhos, despertando para um novo dia, faziam a maior algazarra dando boas vindas ao sol. Ainda sentia o cheiro dela em seu corpo.
Quando chegou em casa, Paco percebeu que saíra sem as chaves. Foi até a janela de seu quarto e gritou para que a Esposa abrisse. Ela acordou assustada e recebeu-o de cara amarrada, à porta:
- Nossa, que horas são essas? - disse ela descabelada e com os olhos esbugalhados. Fitou-o profundamente e afirmou: - Você andou com outra mulher. Eu tenho certeza!
Paco, mais uma vez, teve que render-se aos poderes da inexplicável "intuição feminina".
- Como é que ela soube? - pensou ele - Como adivinhou? E assim, à queima-roupa... Isso é falta de consideração. - concluiu, encurralado.
Vendo que expressão dos olhos do marido confirmava sua afirmação, a Esposa fez beicinho e começou a chorar. Imediatamente, numa tentativa aparentemente inútil de tranqüilizá-la, Paco foi logo dizendo:
- Olha querida, francamente, estive com outra mesmo. Desculpe mas não deu pra segurar... Sabe o que é? Tomei umas e outras, estava sozinho, ela veio, "forçou a barra", seduziu-me. Pronto, é isso! - afirmou ele, tentando manter certa altivez.
- Ah, sim, coitadinho de você... - tornou ela, irônica.
- Juro que não tive culpa. Foi inevitável. - perjurou ele, sem-graça.
- É, você se diz muito inocente mesmo... - atirou ela, com uma ironia ainda maior. - Vai dizer que você não podia falar que não, que você não queria? - disse-lhe a Esposa magoada, com os olhos rasos dágua.
- Olha meu bem - disse-lhe Paco, procurando amenizar a situação- é o seguinte: você sabe muito bem que meu negócio é você. Você é a mulher da minha vida, minha amiga, amante e companheira. Você é a mãe dos meus filhos. Acha que eu te trocaria por uma qualquer? - retorquiu ele, convicto.
- É, mas você dormiu com aquela senvergonha, não foi? Já sei até quem foi. Foi a Polaca, não foi? Tenho certeza que foi aquela piranha.
Paco Ficou assombrado.
- Como é que ela descobriu? - pensou ele angustiado.
- Foi. - disse Paco enrubescido.
- Aquela vagabunda! Eu vi que ela estava de olho em você, pensa que eu não vi?
- Sei lá, querida, agora já aconteceu. Mas não tem nada a ver... Eu amo mesmo é você, meu anjo. Você é mulher da minha vida! - afirmou Paco, com firmeza.
A esposa acalmou-se um pouco.
- Você me tem aqui, pra que ficar procurando outras? - cobrou ela, chorosa.
- Eu não procuro nada, meu bem. Simplesmente aconteceu! - confirmou Paco, sem encontrar outro argumento melhor.
- Bom, já aconteceu mesmo... - conformou-se ela - Agora não tem mais jeito. Mas você me deve uma coisa... disse a Esposa, com o indicador em riste.
- O que você quiser, paixão. - tornou Paco servilmente.
- Você vai me contar como foi! Quero saber tintim por tintim o que é que vocês fizeram! Foi bom?
Ele não esperava a pergunta.
- Foi ótimo! - entusiasmou-se Paco.
- O quê vocês fizeram, me conta! - ordenou a Esposa, curiosa.
- Ah, meu bem, dá um tempo...
Paco deu-lhe um beijo no rosto, entrou em casa e foi direto para a cama, para refazer suas energias.
- Quem entende essas mulheres? - pensava ele.
O que eu soube é que depois desse incidente, a Esposa não lhe deu sossego durante alguns meses. No bom sentido, é claro. Ela esmerou-se ao máximo para provar-lhe de todas as formas e posições que era melhor de cama do que aquela "seilaoquê" da Polaca. Liberou, digamos assim, sua fera sexual. Tanto que Paco ficou praticamente esgotado, coitado, literalmente. Ela perdeu o pudor, perdeu toda a vergonha de empenhar-se no ato de amor. A Esposa abriu-se às delícias do sexo. Espantosamente, aquele delicioso encontro com Polaca sedimentara ainda mais o amor do casal.
- Quem entende essas mulheres? - não deixava de perguntar-se Paco.
autor: Paco Flauta