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SALA DE IMPRENSA Matéria publicada dia 04/07/1999 no jornal de grande circulação em Brasília DF, Correio Braziliense. Leia um trecho. As paredes têm ouvidos Que o diga o detetive Lima, nome usado por um investigador particular de 29 anos com escritório no Guará. ‘‘Comprovadamente, não existe segurança 100% segura’’, defende. No último domingo, ele descobriu que seu telefone estava grampeado há 28 dias por um concorrente. O autor da escuta clandestina oferecia aulas de investigação a pessoas que procuraram a empresa de Lima, Central Única dos Detetives do Brasil, para fazer um curso de detetive. A espionagem foi descoberta com um rastreador eletrônico. ‘‘Foi um profissional da minha área quem fez isso’’, revela o investigador, que diz conhecer o autor do grampo. ‘‘Foi uma fraqueza dele, prefiro não denunciar.’’ Até policiais podem ser reféns da espionagem. Um ex-diretor da Polícia Civil conta que, quando esteve naquele cargo, descobriu grampos nos telefones do seu gabinete. Embora não possa provar, ele atribui a escuta a seguradoras interessadas na recuperação de carros roubados. ‘‘Não tínhamos meios para detectar e deter o grampeamento’’, admite. Enquanto ele esteve na direção da Polícia Civil, parlamentares, secretários de governo e até um governador o procuraram apreensivos com a possibilidade de estarem sendo ilegalmente espionados. A todos, dizia não haver como garantir imunidade total diante dos bisbilhoteiros eletrônicos e que o melhor a fazer era evitar assuntos sigilosos e importantes ao telefone. PARABÓLICAS E SATÉLITES A tendência dos nossos tempos, acredita o ex-policial, é aumentar em cada indivíduo a sensação de estar sendo vigiado, o receio de ter a privacidade exposta. ‘‘Estamos entrando no século da insegurança’’, teoriza. ‘‘Daqui a pouco, os grampos serão feitos por antenas parabólicas e satélites.’’ No site da Central Única Federal dos Detetives do Brasil (http://www.centralunica.com.br), há uma página com dicas para pais identificarem se os filhos consomem drogas. No mesmo endereço da Internet, é possível se inscrever no curso que ensina, por R$ 280, técnicas básicas de investigação para quem quiser virar detetive. Ao que parece, trata-se de um mercado profissional em expansão — o ofício do século da insegurança.
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