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SALA DE IMPRENSA

Matéria publicada no mês de Julho de 1999. no JC jornal da Cidade de Baurú - SP. Leia um trecho.

Casos conjugais movimentam o trabalho dos detetives

Texto: Ana Maria Ferreira

 

O mercado de investigações particulares parece imune a crise econômica do País, pois desconfianças, traições, crimes e sabotagens não são suspensos em momentos de crise. A escassez do mercado de trabalho tem levado muitos jovens a tentar a sorte como investigadores particulares. Existem cursos em todo o Brasil que passam as noções básicas do trabalho, mas o que todo bom detetive tem que ter é curiosidade.

 

Hoje a área industrial requisita muito o trabalho dos Sherlocks para tentar combater a pirataria de suas marcas. Na maioria são os advogados-detetives, ligados a grandes empresas de advocacia, que acabam prestando mais este serviço ao cliente, como é o caso do escritório Momsen e Leonards, responsável por 50 mil marcas.

 

Existe ainda a Central Única Federal dos Detetives do Brasil com site na Internet (http://www.centralunica.com.br), que atende 24 horas por dia. Com doze anos de experiência o detetive Lima, idealizador da Central, fala com exclusividade ao Jornal da Cidade sobre o mundo das investigações.

JC - A profissão de detetive particular é regulamentada?

Detetive Lima - A profissão de detetive é regulamentada no País pela lei federal n.º 3099/57 que "determina as condições para o funcionamento de estabelecimento de informações reservadas ou confidenciais, comerciais ou particulares". É a primeira que permite a abertura de uma agência de investigações. É preciso fazer um registro na polícia federal com antecedentes criminais e tudo.

JC - Como é a feita a contratação do serviço? E qual é hoje o tipo mais requisitado?

Lima - Em primeiro lugar a pessoa nos liga para marcar uma hora e durante a entrevista ela nos conta tudo sobre o caso que ela quer investigar. Hoje, aqui em Brasília, para se ter uma idéia mais clara, estamos sendo muito requisitados para apurar casos de jovens envolvidos com drogas. Geralmente, os pais entram em contato com a agência preocupados com o fato dos filhos estarem correndo o risco de se envolverem com drogas. Na maioria das vezes não há flagrante porque os próprios pais não querem que isso se torne público, então por mais provas que a gente apresente, alguns nem acreditam.

JC - E os casos conjugais?

Lima - Bom, esses são na verdade os que sustentam o detetive brasileiro; 80% das investigações são solicitadas por homens, vítimas da traição das esposas.

JC - Quantos detetives existem no País?

Lima - A Central Única tem cadastros em torno de 2.500 a 2.800 detetives em todo o Brasil. Agora, no geral, mas não é um dado oficial a estimativa é de que aproximadamente existam 8 mil profissionais em território nacional. Os homens são maioria, de cada dez detetives 9 são homens. São Paulo concentra o maior número de detetives. Existe campo para todos, pois a cada momento, uma pessoa desaparece, um carro é roubado, uma pessoa é traída etc.

JC - É preciso fazer algum tipo de curso para exercer a profissão?

Lima - A profissão foi regulamentada em 1957, mas os primeiros profissionais surgiram no final dos anos 60. O decreto federal 50532-61 trata da regulamentação da profissão. É preciso ter mais de 18 anos e primeiro grau completo, no mínimo. Nós oferecemos um curso de formação que tem sido muito procurado por quem já exerce a profissão, mas que não tem a documentação regularizada. No curso a pessoa adquire uma noção do trabalho e das várias técnicas utilizadas no mercado, e é claro que o aperfeiçoamento só vem com a prática.

JC - Há quanto tempo você atua e o que o motivou?

Lima - Aqui em Brasília há 12 anos. Minha atividade anterior era bancário. Eu entrei na investigação com a morte do meu avô, que alegaram ser acidente, mas provei se tratar de negligência e crime. Meu avô morreu em 88, no Hospital de Base de Brasília, e disseram que ele caiu da maca e teve traumatismo craniano. Eu não me conformei com essa versão e passei a investigar. Provei que ele foi derrubado devido a maus tratos.

JC - Quais os tipos de equipamentos que são usados nas investigações?

Lima - É muito complicado você trazer de fora do País os equipamentos. A solução foi passar a fabricar os nossos próprios. Temos um técnico que faz os ajustes e conversões necessárias em câmeras de vídeo do tipo das usadas em porteiro eletrônico, identificadores de chamada telefônica ou Bina - do qual somos representantes - escuta ambiente que é um aparelho que emite sinais para o gravador, acionado por voz, e toda vez que houver um ruído a gravação começa, o que não se caracteriza como grampo, é bom que se diga. O gravador é "plantado" num ambiente, por exemplo na sala de casa próximo ao telefone, com a autorização da pessoa que o compra e é acionado toda a vez que o telefone toca. O uso que a pessoa vai fazer do gravador já foge a nossa responsabilidade. Vendemos o equipamento e instalamos caso o cliente deseje, mas é só.

 

Os rastreadores de automóveis emitem sinais até num raio de 160 Km. Não é como um radar, você tem as informações na tela do computador. Mandamos fazer um mapa digital através da foto por satélite mesmo. Você tem que ter o mapa da localidade para a qual o carro está se dirigindo. Acionado um microship passamos a receber o sinal.

JC - Quantas chamadas vocês recebem por dia?

Lima - Um mínimo de 19 e um máximo de 25 chamadas para serviços por dia. Existem períodos do ano em que esse número cai um pouco. Nossa Central atende 24 horas por dia e a pessoa que liga sempre é atendida por um detetive.

JC - Você se lembra de algum caso curioso?

Lima - Uma cliente ligava muito pra cá, e na primeira vez ficou cerca de 4 horas ao telefone contando seus problemas e só pelo fato de conversar com alguém, ouvir algumas dicas e desabafar ela desistiu da investigação. Essa cliente era mais velha que o namorado e suspeitava de traição. Mas o problema era com ela, insegurança. Fazemos um aconselhamento também. A mulher conversa mais e desabafa. O homem não, fala pouco e parece sempre desconfiado.

JC - E o caso mais complicado?

Lima - Está sendo agora. Há três meses investigamos uma pessoa, a pedido da família, e estamos com quase tudo pronto, mas como se trata de homossexualismo é difícil você conseguir provas determinantes. Você fotografa duas pessoas do mesmo sexo juntas, conversando não prova nada.

JC - E o que é uma investigação científica?

Lima - Vou dar um exemplo prático. Um fazendeiro muito conhecido aqui na região plantou milho e feijão e não nasceu nenhuma planta. Ele nos contratou e fizemos uma pesquisa muito grande para chegar a conclusão de que o produto que ele havia comprado estava com problema. O cliente foi ressarcido pela empresa fabricante das sementes e teve suas terras aradas de graça para o novo plantio.

JC - A contratação dos serviços de um detetive é muito cara? Qual seria o preço mínimo de uma investigação conjugal, por exemplo?

Lima - Realmente não se trata de um serviço muito barato. Nós, particularmente, muitas vezes pegamos casos para recebermos só depois da ação julgada. Nosso trabalho é baseado em diárias, o custo médio fica em torno de R$ 280,00, ou um contrato por tempo determinado, porque esse dinheiro se constitui no nosso fundo de investigação. Pode variar de mil reais, três mil reais, depende muito do que temos em mãos.

JC - O que você acha do caso da morte de PC Farias?

Lima - Acompanho este caso desde o início e tenho certeza de que ele e a namorada foram assassinados. Estão dizendo que foram os seguranças, mas na minha opinião eles não apertaram o gatilho, foi uma outra pessoa. Foi queima de arquivo.

     

     

 

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