A
BUSCA
DILEMA DE UM
POEMA
DIA DE INVERNO
FOLHA SECA
LABIRINTO
MURMURIOS SEM FIM
NOUTROS TEMPOS
O AVESSO
OS DOIS LADOS DA
VIDA
PEDAÇOS DE MIM
REFLEXÃO
ROSA DA VIDA TALVEZ
UM DIA
ÚLTIMA LÁGRIMA
Corro,
como correntesas enganosas em rios caldulentos
Recinto no instinto, a reservada consciência
Elevo a hipocrisia ao mais baixo dos guetos
Englobo a fidelidade no quinhão da burguesia.
Choro,
pelas almas perdidas no atravessar das ruas
Recobro a memória, para torturas passadas
Discurso sobre o que é moderno sendo antigo
Rebato as críticas, dos que são sábios em nada.
Culpo,
a acomodação dos que se entregam sem luta
Arrasto a palavra a quem dela precisa
Passo por corredores escuros e imundos
Procuro consolar a quem se tornou vítima.
Escancaro
as portas dos que fugiram afortunados
Controlo o medonho momento de qualquer violação
Descubro os segredos dos que, na penumbra, os esconde
Ensaio um arremesso de revolta, na razão.
Acendo
o estupim, para a violencia urbana
Machuco as massas, num corre-corre inferna
Me divido entre o amargo e o natural
E me pergunto, no espelho, quem sou eu afinal?
Por: Francisco Córdula
RETORNAR
Acredito
no que posso...
Ainda que possa acreditar em tudo
Levo a vida num susto
De um surto, que a crendice pode dar.
Procuro
a imagem selvagem da tela da tv
Que entre sussurros e múrmurios me deixa ver
Com nitidez dramatica a força mágica
Que me leva para longe da realidade, outra vez.
Afinal
que realidade posso contemplar?
Se tenho que me contentar apenas em estar vivo
Num amargo e ambigüo dilema de viver
Ou morrer aos poucos na truculencia de todo o ser.
Que
escolha estúpida!
Ser fuzilado ou decapitado, como se houvesse escolha...
De uma ou de outra a melhor forma de morrer
Aquem da vontade, de quem não sabe
Nem ao menos o que é viver.
Mas
afinal, que dilema é este?
Comparar morte com vida?
Como se houvesse alguma forma de se saber
O que nos leva a achar melhor estarmos vivos a morrer.
Por: Francisco Córdula
RETORNAR
A
nevoa fina toma conta da paisagem
A neblina, é densa...
O frio, latente.
O sol nascente é tímido e gélido.
As
pessoas se protegem, como podem
Bem vestidas, ou não...
E continuam suas vidas, caminhando incognitas
E começando mais um dia, de inverno.
Por: Francisco Córdula
RETORNAR
Caindo
da árvore, caindo ao vento
Folha seca, no chão se espalha...
Jogada para longe. Longe da árvore
Que sempre lhe deu forma
Que sempre lhe deu vida.
Morrendo
solitária, morrendo ao vento
Triste retrato, triste sina
Definhando aos poucos, pedaços de folha
Virando pó, suspiro de vida...
Por: Francisco Córdula
RETORNAR
Labirinto
diário, sarcastico labirinto
Parece interminável, via crucis infinita
Pára o tempo, o relógio, congela a paciência
Faz do sofrimento, a insana busca de sua saída.
Faz
delirar a consciência na procura da hora vindoura
Passa segundo, passa minuto, como passa a vida inteira
Devagar, arrastada, cambaleada, camera lenta
Só os ponteiros é que parecem não passar.
Labirinto
diário, inimaginavel tortura
Lenta, suave, mas temporariamente eterna
Que faz suar, que faz buscar nervosamente
Na tentativa de encontrar sua saída.
Por: Francisco Córdula
RETORNAR
As
emoções da vida sinto, distante
Como um instante, que passa, sem ser sentido
As tristezas da vida, em mim, são constantes
Como as santas rezas, para os moribundos.
Fico
a margem do baile
Como rêles tutor do destino
Numa função sem sentido
Até para o mais louco dos débeis.
Sou
subjugado, pelo menor dos meninos
Como se simplesmente não existisse
Entre todos nesse universo.
Sinto
no último múrmurio, o fim inglório
Como um simplório expectador, indefeso
Sem possível sucesso notório
Sem realizações, só um grande branco
Um grande vázio, nesta decadente sociedade burguesa.
Por:
Francisco Córdula
RETORNAR
Horizonte
revelado, elevando a existência
Do ser, que deplorável, sobreviveu a sua sina
No inexorâvel final dos tempos
Sem mais lembrar, a profundidade da vida.
Quais
não serão as descobertas de tal época
Ou revelações, alarmantes no futuro
Num furo de reportagem de um matutino
Levando o desespero, ao que resta do mundo.
O
eclipse ocular, a cegar visões, menos realistas
E as previsões, assim se confirmando
Como num filme, velho e mofado
Passado em um projetor de igual teor e valor.
Restarão
os filósofos e visionários
Num sofrimento a verem, o que restou do mundo
Como se tudo acabasse na véspera
Deixando a surpresa e a perplexidade...
Por:
Francisco Córdula
RETORNAR
Por
trás de cada gesto
Se apresenta uma intenção
Gesto que pode ser leve ou brusco.
Por
trás de cada intenção
Existe um dilema
Intenção que pode ser boa ou má.
Por
trás de todo dilema
Existe uma sombra
Dilema que pode ter muitas faces.
Por
trás de toda sombra
Existe possibilidade de dor
Sombra produzida por pequenos fragmentos.
Por
trás de toda dor
Existe a esperança
Dor que se dilui com o tempo.
Por
trás de toda esperança
Existe uma vida
Esperança, que nunca deve se esvair.
Por
trás de toda vida
Existe um espirito.
Vida, significado maior de todo ser!
Por:
Francisco Córdula
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Que
elevem a mentira ao quadrado!
E deixem, a vida se tornar um teatro
Teatro mascarado e mentiroso em cada ato
Usando maquiagem exagerada e sem graça
Para uma platéia, com expectativa de gargalhada
Mas será uma comédia ou tragédia?
Nem o autor sabe, vai escrevendo de improviso
Um roteiro patético e sínico
Levando ao ódio e ao riso
Mas sempre na falsidade, sem medo
Ou receio de atropelar alguns atos
Nem receber nenhum últimato
Que o faça parar, em seu triste espetáculo.
O
que o encheria de orgulho?
As palmas ou as vaias?
Isto ninguém sabe.
Constatado apenas o mergulho no delírio
Onde a mentira se torna fato aceitável
E ainda que após, baixada a cortina
Sem estrelato, ou brilho em cada ato
A realidade se mistura ao teatro
Fazendo de fatos, um grande espetáculo
Sem separação do teatro ou do real
Tudo surrealista, entre sonho e abismo.
Mas
num repente cai o pano
Mostrando a nua e crua realidade
Sem volta para lugar algum
Com apenas um caminho a ser seguido
Sempre em frente, sem volta, pra sempre
Entre a loucura e a morte.
Por:
Francisco Córdula
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Quero
chegar ao infinito!
Driblar os aflitos,
Tropeçar nos obstáculos
Cair, me levantar
E tentar tudo de novo.
Me
equilibrar como um trapezista
No picadeiro da vida.
Desfrutar
da energia
Que sempre carrego comigo, em algum lugar de mim
Encontrar meu espaço no universo
Sempre sendo eclético
Para não definhar e morrer...
Por:
Francisco Córdula
RETORNAR
Possuo
o infinito em meu ser,
Só não posso atingi-lo
Sobrecarrego minha consciência
Em buscar caminhos, que me façam
Encontrar comigo.
Sobrepujo
cada momento que me resta
Com fagulhas de esperança
De ainda me encontrar no universo
Ainda que seja minha última conquista
Nesta rêles existência.
Por:
Francisco Córdula
RETORNAR
Rosa
da vida!
Leve sua seiva e entorpeça
Adormeça o sentimento, até o amanhecer
Faça do sofrimento, seu modo de viver.
Arrepie
na emoção, de um escape na noite
Tire o seu barato, como se fosse um açoite
Faça do pesar, uma alegre sinfonia
Mostre como encantar, a mais recatada das Marias.
Levanta
teu véu, demonstrando teu espanto
Vislumbre uma amplitude, nos jardins do desencanto
Arrebate alguns momentos, para eterniza-los, bem distante
Sugue para si toda a emoção da vida.
Levando para a eternidade, toda a energia aqui contida.
Por:
Francisco Córdula
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Marca,
que fica no destino, sem futuro
Obscuro múrmurio, do medo intacto
Tácito cálice de veneno mortífero
Esperando que mais sangue, seja derramado.
Marca,
força reprimida, estupim do latifundio
Vidas exauridas sem dor, nem prantos
Na carnifícina que se tornou o campo
Quantas Margaridas serão necessárias?
Para acabar as sucessivas batalhas?
Marca,
facultada na ponta da navalha e nos tiros da doze
Grilhões da covardia descambada
Quantos Chicos Mendes, serão necessários?
Para dar um basta a estas Chacinas?
Por:
Francisco Córdula
RETORNAR
A
lágrima que cai dos olhos
Não é a mesma, que escorre imune
Em outros momentos de aflição.
Óbvio
que ao chorar as lágrimas escorram
Mas esta lágrima em especial
Por ser mais aflita que antecessoras
Esta escorre pela dor de quem se foi.
Se
foi a uma viagem, embora não distante,
Porém longe, aos olhos do coração
Ou se foi a viagem eterna, sem volta
Só espera, ficando somente solidão.
Lágrima
descendo aflita, invisivel
Aos olhos de quem insiste em não querer chorar
Invisivel, porém presente, deslizando
Silenciosamente pela face.
Lágrima,
esta em especial tão triste
Como se não tivesse existido outras nesta vida
Como se fosse a primeira a escorrer pelos olhos
Tal a força de emoção que ela trás consigo.
Por:
Francisco Córdula
RETORNAR