Sua história
Sua história pessoal
confirma outra verdade do esporte: para muita gente no Brasil, correr é
a única chance de vencer na vida. Quando pisou pela primeira vez
numa pista de atletismo, em Lençóis Paulista, cidade do interior
de São Paulo onde nasceu, Claudinei tinha 21 anos, um emprego de
balconista em um bar de beira de estrada e nenhuma perspectiva de vida.
"Se não fosse o esporte
eu certamente estaria amassando barro em alguma obra, porque até
o emprego no bar eu perdi", reconhece hoje, aos 28 anos, o campeão,
que graças às corridas retomou os estudos interrompidos
na quinta série - cursa o primeiro ano da faculdade de educação
física - e está terminando de construir sua casa. Ganha 8000
reais por mês e só em prêmios faturou mais de 100.000
dólares neste ano."Meu sonho é comprar uma picape Blazer,
mas por enquanto estou satisfeito com meu Golzinho 96", diz.
Considerando-se tudo o que passou
a até virar um atleta, trabalhar na lanchonete poderia ser considerado
lucro para Claudinei. Quinto filho em uma família da seis, ficou
órfão aos 2 anos de idade. Com a morte da mãe, o lar
desmoronou e o menino foi internado, por ordem judicial, em um orfanato
na cidade de Pirajuí, onde ficou até os 17 anos. Quando saiu,
voltou para a casa, reencontrou os pais e os irmãos , mas nenhuma
esperança. Vivia de biscates, trabalhou num mercado e numa borracharia,
depois da lanchonete. Até que um dia um rapaz forte e espigado no
balcão. "Como você conseguiu ficar assim?", perguntou Claudinei."Fazendo
atletismo", respondeu o outro, orgulhoso.No dia seguinte começava
a tardia carreira do campeão."A vida transformou Claudinei num forte",
diz Jayme Netto Júnior, seu treinador no Clube Funilense De Presidente
Prudente, interior de São Paulo."Quanto maior a pressão,
maior é sua capacidade de superação".
Retirada da revista Veja 22/09/99