De suas medalhas conquistadas esse
ano, qual é a mais importante?
Duas são mais importantes.
A primeira foi a do segundo lugar no mundial de Sevilha, porque quando
fomos para o Pan-Americano muita gente criticou, falando que estava muito
fácil q queria ver se a gente ia repetir no Mundial. E essa última
quando ganhei o título do Grand Prix, que não recebi ainda
e não sei se é medalha ou troféu. Foi quando eu quebrei
o recorde sul-americano, venci o Maurice Greene e ainda por cima fui campeão
do circuito.
Teve um gostinho especial vencer
o Maurice Green e receber das mãos dele as flores e o urso dado
ao campeão da prova, em Munique?
Eu nunca tinha me preocupado em
vencê-lo. No momento, eu estava mais contente com a marca que tinha
feito do que a vitória sobre Greene. É claro que um dia eu
queria ganhar dele. Todos que ficam em segundo um dia vão chegar
em primeiro, vencendo o melhor da prova.
O que você espera de seu desempenho
e da participação do Brasil na Olimpíadas de Sydney?
Falando de toda equipe, o Brasil
vai ser muito bem representado. tem a Maureen, o Sanderley Parrela, o Edson
Luciano, o André Domingos, o Eronildes. Vou treinar o máximo
para representar o país à altura, mas dentro dos meus limites.
Lá, são quatro tiros (eliminatórias). Minha meta é
tentar me classificar para a final. Só aí vou pensar em medalha.
No revezamento 4x100m o Brasil também
tem grande chance, não?
O revezamento 4x100m está
em um grande momento e até o 4x400 está muito bom.
Você é melhor na prova
dos 200m, mas quais são sua condições para melhorar
nos 100m?
Eu tenho condições
de melhorar, mas primeiro preciso aperfeiçoar minha saída,
que é muito ruim. Eu corro os 100m bem. Este ano, devo estar em
segundo no ranking brasileiro. O André Domingos está em primeiro
porque correu na altitude.
Seu técnico, Jayme Netto,
disse uma vez que você só estava perdendo para os norte-americanos
Michael Johnson e Maurice Greene. Essa diferença está diminuindo?
A gente está evoluindo.
A cada dia, estamos subindo um degrauzinho. Ano que vem, você pode
pergunta para mim: Claudinei, você vai correr abaixo de 19,89s? Eu
não poderei responder. Por que, às vezes, esse degrauzinho
que subi este ano pode demorar para ser subido no próximo ano. O
atletismo é difícil. A gente tem que explicar, porque o pessoal
vai falar que o Claudinei será campeão do mundo. Não
é assim. No atletismo, tem muito treino e não pode ter lesão.
Você tem de estar de
bem com a vida. Este ano, eu estava
super bem da cabeça, tranqüilo, com bom nível de concentração.São
muitos fatores que vão ajudando você a ter um bom desempenho.
Qual era sua principal motivação
durante as provas?
Eu preocupava, especialmente, em
fazer uma boa marca. Não estava pensando em recordes. Falei:Vou
tentar melhorar minha marca e se der para trazer uma medalha para o Brasil,
tudo bem.
Quem é melhor:Róbson
Caetano ou Claudinei Quirino?
Essa comparação eu
nunca fiz. agora, se a gente for ver por marcas, eu tenho a melhor marca
nos 200m e ele tem a melhor nos 100m. Mas não tem comparação,
porque o Róbson foi e ainda é um grande atleta.Só
deu uma paradinha para trabalhar na TV, mas ainda é um exelente
atleta. No começo, eu me espelhei nele e até hoje gosto dele
como atleta, que é um dos melhores do país.
Você disse que se espelhou
no Róbson, ele sempre foi seu ídolo?
Sim. Eu o conheci pessoalmente
e sempre foi meu ídolo no atletismo.
Qual geração de atletas
você acredita ser a melhor nos 200m: a sua ou a do Róbson
Caetano?
Para mim, esta geração
é a mais forte da história. Você pode ver : tem o Michael
Johnson, que é o atual recordista do mundo; tem o Frank Fredericks,
que está competindo até hoje e tem a segunda melhor marca
da história; tem o Francis Obikwelu, detentor do melhor resultado
do ano; tem o próprio Maurice Greene, que é o atual campeão
do mundo. E tudo este ano. Então, não são atletas
que têm marcas há mais de dez anos. É uma geração
muito forte. E você pode ver o nível das competições,
também, com muitos atletas correndo abaixo dos 20,00s. Nos 100m,
há muitos correndo próximo de 10,00s. Abaixo disso, dá
pra contar no dedo. Já nos 200m tem bastante gente no mesmo nível.
O pessoal diz:"Poxa, Nei, você é rabudo , né? Você
tem sorte!"Sorte? Estou treinando duro, me esfolando na pista para melhorar
meu resultado. Não é sorte, é trabalho.
Você começou sua carreira
bem tarde, aos 20 anos.Como foi?
Comecei em Lençóis
Paulista. Trabalhava em uma lanchonete de posto de gasolina, na beira da
estrada. Havia um rapaz que fazia atletismo e fui falar com ele. Fui à
pista, fiz um teste e o treinador gostou. Na primeira prova que fui competir,
em Salto, o José Primo dos Santos, de Araçatuba, me chamou
para ir para lá. Fiquei um ano na cidade e depois vim para Presidente
Prudente, onde estou até hoje. Foi aqui que comecei a me destacar,
mesmo, no esporte.
Quando vai começar o treinamento
para os Jogos Abertos do Interior?
Já dei umas corridas esse
semana, mas o Jayme disse que eu não preciso treinar muito para
os Jogos porque estou com um nível de competição bom.
Além disso, não sabemos ainda se vamos competir no Jogos
Abertos, porque a pista é de terra e é perigoso ter uma lesão.
E ter uma lesão agora é prejuízo danado para nós.
Mas vou lá prestigiar.
Como você vê o panorama
geral do atletismo no país?
Posso explicar isso rapidamente.
Todos perguntam por que surgiu tantos atletas do nada. Eles não
surgiram. Estavam todos aí, mas ninguém tinha o apoio que
estamos tendo agora. Os patrocinadores estão dando condições
para nos prepararmos na Europa de igual para igual com os outros países.
Não é que eles tenham feito magia. É apenas um incentivo
que está dando condições para crescermos e aparecermos.
O que falta para o esporte crescer
mais ainda no país?
Faltam, duas coisas: o primeiro
é mais apoio. Não para mim, que tenho bastante. Mas para
os outros. Como surgiu esse geração que tem apoio, há
muitos outros atletas que estão surgindo e precisam dele. A outra
coisa é que quando sumiu o Róbson e o Zequinha Barbosa, demorou
muito para aparecer outros atletas. E por que demorou?Porque não
tinha um trabalho de base. Então, acho que devem investir nos atletas
que estão se destacando, mas também nas crianças que
estão começando.
