O MOVIMENTOS ESTUDANTIL
 

GETÚLIO, O ESTADO NOVO E A CRIAÇÃO DA UNE

Até 1937, todas as entidades universitárias, existentes, padeciam do mesmo mal: eram carentes de uma expressividade nacional. E a julgar pelas informações de dois grandes historiadores deste movimento, Artur Poerner e Antônio Mendes Júnior, não foram poucas as tentativas para se unificar a massa estudantil. Curiosamente, o primeiro movimento de concretização deste antigo sonho só vai acontecer em l3 de agosto de 37, quando a Casa do Estudante do Brasil convoca o 1º Conselho Nacional dos  Estudantes, que deveria representar  a CBE junto à Confederation Internationale des Étudiants, na Bélgica.

O Conselho, desautorizado a tratar de questões políticas, já que a Casa do Estudante era um órgão paraoficial e apolítico, tratou logo de eleger sua primeira diretoria, presidida pelo estudante mineiro José Raimundo Soares. É desta diretoria, a responsabilidade pela convocação do 2º Conselho, agora já denominado Congresso, e de cujas deliberações vai surgir a União Nacional de Estudantes, assim como nós a conhecemos hoje.
 
Oitenta associações estudantis se fazem representar neste 2º Congresso e, desde as primeiras discussões, fica claro que os jovens desejam questionar e influir nos grandes temas nacionais. Várias teses são apresentadas ,e já se fala em "ensino popular obrigatório" e criação da "Cidades Universitárias." Elege-se,  a 2º diretoria da UNE, com o gaúcho Valdir Borges a frente. Agora, os atritos com a CEB passam a ser freqüentes e inevitáveis. A convivência das duas entidades se estende,  a duras penas, até  os primeiros meses de 1940, quando a presidente da Casa do Estudante, Ana Amélia Carneiro Mendonça, envia carta à direção da UNE, convidando-a a se "transferir desta casa" e lhe concedendo "um prazo de três dias a partir desta data." O Presidente eleito para esta terceira gestão é o acadêmico de direito de São Paulo, Trajano Pupo Neto

 Mas se por um lado, a UNE não contava mais com o apoio material e administrativo da Casa do Estudante, por outro, via seus esforços recompensados, ao ser reconhecida, por decreto presidencial, como a entidade máxima dos estudantes. Apesar do Estado Novo, Vargas e os  universitários conviviam muito bem, até então. Ao ponto de Getúlio ser aclamado Presidente de Honra do 2º Congresso.
 
Eclode a l.º Guerra Mundial e a UNE redige o seu primeiro manifesto pacifista.1940 e 1941 continuam sendo anos difíceis. Em 4O, assume a presidência da entidade Luis Pinheiro Paes Leme, eleito no 4º Congresso Nacional que, entre outras medidas, cria o Teatro do Estudante e reformula os estatutos da entidade. Paes Leme permanece no comando da UNE até 42. Neste ano, a entidade desencadeia a sua primeira histórica  campanha pela declaração de guerra às potências nazi-fascistas. Os estudantes realizam, com o apoio do Ministro das Relações Exteriores, Oswaldo Aranha, uma passeata no dia 4 de julho, dia da Independência Americana.  Há reação por parte dos simpatizantes do nazismo, dentro do governo federal. Felinto Müller, Chefe da Polícia de Getúlio, afirmava que dissolveria "a tapas a manifestação subversiva".

 Mas não houve nem tapas, nem tiros. Dois dias antes do 4 de julho de 42, o Chefe da Polícia desentendeu-se com o Ministro (interino) da Justiça, Vasco Leitão da Cunha, e acabou sendo demitido. A vitória estudantil não pára por aí. Considerada a primeira manifestação popular, desde a  criação do Estado Novo, a passeata marca o início de uma reviravolta política no país. Segundo Antônio Mendes Júnior, "as oposições começam a se reorganizar, e Vargas, pressionado, iria de recuo em recuo, até ser derrubado em 45."

 O primeiro destes "recuos", conseqüência direta da passeata, teria sido a decretação de "estado de guerra" entre o Brasil e os países do Eixo - Itália, Alemanha e Japão. O que significava que todas as propriedades pertencentes a estes três  países, em território brasileiro, passavam a ser controladas pelo nosso governo. Assim, os estudantes reivindicam e obtém de Getúlio o prédio do Clube Germânia,  para a instalação de sua sede. É o célebre número 132 da Praia do Flamengo, que se tornaria conhecido, mais tarde, como a histórica sede da UNE.
                                                                                        Texto retirado de www.une.org.br
 

   A que ponto chegou o exame do MEC

ALUNO ENTREGOU A PROVA EM BRANCO E TIROU 3,7

        A Universidade de Ribeirão Preto (Unaerp), interior de São Paulo, é acusada de ter feito uma triagem e inscrever no provão de direito somente alunos com notas boas. A denúncia é grave e o MEC diz que mandou apurar o caso e garantir a inscrição de todos os formandos. "Não dá para levar o provão a sério", critica o vice-presidente da UNE, Márcio Jardim, lembrando que o exame, além de criar uma indústria de cursinhos, abre brechas para fraudes de vários tipos. Em 97, por exemplo, um aluno que entregou o provão em branco tirou nota 3,7. Isso aconteceu em São Luís (MA), no exame de junho. O aluno aderiu ao boicote da UNE e colou um adesivo com a frase "o provão não prova nada" na folha de respostas. Quando recebeu o resultado, a surpresa: 7,5 nas questões de múltipla escolha e zero nas discursivas, o que dá média de 3,7.
 
 
 

O presidente socorre banqueiros mas mantém os bancos
escolares abandonados por falta de verbas

Estudantes se reúnem no congresso da UNE
para traçar metas de luta para um novo país

 
 

Poesia "MÃOS DADAS"
Carlos Drummond de Andrade
"Não serei o poeta de um mundo caduco
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros,
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considero a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos,
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.
Não serei o cantor de uma mulher, de uma história,
não direi os suspiros ao anoitecer,
a paisagem vista da janela,
não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida
não fugirei para as ilhas nem serei raptado por serafins.
O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes,
a vida presente."

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