DEMOCRATIZAÇÃO DA JUSTIÇA: ILUSÃO OU REALIDADE?

*Relato de experiências locais apresentado pela MM. Juíza de Direito Titular da Comarca de Paracambi, Dra. Mônica Labuto Fragoso Machado no trabalho em comissões do I Fórum Mundial de Juízes, no dia 2 de fevereiro de 2002, em Porto Alegre, RS, Brasil.

A democratização do Poder Judiciário passa obrigatoriamente pela maior aproximação entre os magistrados e os jurisdicionados, devendo ser adotada linguagem jurídica acessível e simples que permita o conhecimento dos cidadãos acerca de seus direitos e garantias básicas e do meio de exercê-las. É fato que vivemos numa sociedade globalizada e para agilização das informações é necessário que o Judiciário adote meios de comunicação de massa mais ágeis e modernos, como a internet e a informatização de todos os Tribunais, sendo que no Rio de Janeiro quase todas as comarcas já estão interligadas pela intranet e permitimos o envio de algumas petições por e-mail, devendo antes o advogado se cadastrar.
A criação de sites locais que permitam aos jurisdicionados a apresentação de críticas e sugestões diretamente aos juízes, através de e-mails ("Fale com o Juiz"), reforçam o aprendizado pela sociedade dos conceitos de cidadania, ética e justiça. A publicidade dos atos administrativos pelo Poder Judiciário ("Prestando Contas"), através das homepages ou até fixando-se nos locais destinados aos editais no prédio do fórum é uma das formas de se resgatar a credibilidade da magistratura e do Poder Judiciário.
O projeto "Cidadania e Justiça também se aprendem na escola", elaborado pela AMB e a utilização de cartilhas sobre os direitos básicos do cidadão e os Juizados Especiais Cíveis e Criminais, atualmente também no âmbito federal, propicia a leitura juvenil e a reflexão sobre ética, cidadania e justiça, resguardando e fortalecendo o Estado Democrático de Direito, devendo, portanto, o projeto ser incentivado pelas demais associações de magistrados, adaptando-o às peculiaridades locais, mostrando à população que o Juiz não é uma figura inacessível e nem que a Justiça é cega (deusa Themis), mas sim um agente de poder que se preocupa com a formação adequada dos cidadãos e colabora na conscientização dos direitos e deveres pela sociedade, formando e transformando o cidadão do futuro, contribuindo para que as crianças e adolescentes sejam agentes multiplicadores, passando as informações recebidas para seus pais, familiares, vizinhos e amigos. Noções de cidadania e justiça passarão a integrar o currículo escolar através da participação direta do magistrado no projeto de cunho educacional.
A democratização do Poder Judiciário se dá ainda pela ação direta do magistrado na área de educação do município em que atua, visando garantir os direitos fundamentais da criança e do adolescente previstos na Constituição Federal e no Estatuto da Criança e do Adolescente. Ações que visam o acesso e a permanência na escola das crianças e dos adolescentes irão contribuir preventivamente na questão da segurança pública (principal problema social apontado pela população). Implantação de projetos pelo Judiciário, com parcerias com ONGs e com a colaboração do Ministério Público, como cursos de prevenção ao uso de drogas, realização de encontros mensais com a população, convocando-se entidades de classe e de moradores para debates, críticas e sugestões sobre a segurança pública; controle de freqüência de alunos às aulas; acompanhamentos de crianças e adolescentes com problemas de violência doméstica e seus respectivos familiares pelo Setor Técnico da VIJ (comissários de menores, assitentes sociais e psicólogos), permitem aos magistrados o conhecimento concreto da realidade social, integrando-o à comunidade, com o objetivo primordial de uma prestação jurisdicional mais humana, equânime, célere e eficaz.
Democratização do Judiciário implica na participação social dos magistrados, no seu empenho para a redução de desigualdades sociais e na conscientização de que é um agente político e integrante de um poder estatal independente e soberano.

Experiências locais da Comarca de Paracambi (RJ):

- site www.tj.rj.gov.br (clicar 'Consultas' e, após, 'Outras Varas'). Verifique na homepage 'Prestando Contas' e 'Fale com o Juiz'. Interessantes: 'VIJ', 'Histórico' e 'Enunciados' (consta moções e cartas de congressos), etc.
- "CIDADANIA E JUSTIÇA TAMBÉM SE APRENDEM NA ESCOLA" - adaptação do projeto às peculiaridades do município de Paracambi. Ver no site acima dados sobre o concurso "40 anos de Fórum: Todos nós temos direitos": Plano de Trabalho da AMB e sua adaptação à realidade local (ofícios disponíveis), regulamento do concurso e divulgação das três melhores redações e desenhos premiados. Apoio: Banco do Brasil (doou uma Enciclopédia Barsa multimídia para a escola que participou do evento), AMB (doou 4 livros para os premiados) e Canal Futura (doou 6 pastas contendo três livros cada uma, acompanhada de um vídeo animado sobre os livros).
- Parcerias do Judiciário, em andamento, em outros projetos: Canal Futura (artes, educação e entretenimento), Fundação Ayrton Senna (esportes), CEAD (curso anti-drogas e internações para dependentes químicos, inclusive alcoólatras), Polícia Militar do Rio de Janeiro (curso anti-drogas), Prefeitura Municipal de Paracambi (oficinas de marcenaria, informática, cursos na área rural, alfabetização para adultos, etc.), Centro de Depósito de Munições do Exército - DCMUN (esportes, oficina de marcenaria, treinamento de cães, etc.), Rotary Club (família guardiã), DETRAN (educação no trânsito), UNICEF, etc...
- Prevenção à criminalidade: Reuniões mensais do Conselho Comunitário de Segurança Pública, com a presença do Delegado titular, de um Oficial do 24º BPM, do prefeito, associação de moradores e outras entidades.
- Ações jurídicas na área da educação.

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