Obra


Andança

Poemas de estréia publicados em abril de 1969 nos Cadernos do Extremo Sul, de Alegrete. Em epígrafe, versos de Pablo Neruda, a falar do compromisso para com o tempo presente. Versos de Cassiano Ricardo falam igualmente da situação humana do poeta. Trilhas que Miranda percorreria em sua caminhada pelo universo poético.

Memorial

Publicado em 1973, em Porto Alegre, pelo IEL, constitui-se como a afirmação da poesia de Luiz de Miranda. Recebido com entusiasmo pela crítica gaúcha e brasileira, o livro projetou seu autor em nível nacional, afirmando sua opção por uma poesia de combate, questionadora e inquietante.

Solidão Provisória

Com selo da Alfa Ômega, de Sãoi Paulo, este livro contém uma produção elaborada com paciência e cuidado ao longo de quatro anos (1973-6). Tematizando a dura realidade da América Latina, trata da solidão do homem, proibido de gozar seus direitos fundamentais, mas sem abrir mão da esperança.

Estado de Alerta

De 1981, reúne poemas escritos de 1976 a 79 e que, de certa forma, dão continuidade aos livros anteriores. Aqui estão presentes as mesmas inquietações a respeito da vida sofrida em nossa América e o convite à resistência que a palavra poética, utopicamente, pode oferecer.

Porto Alegre - Roteiro da Paixão

Com epígrafes de Mário Quintana e Lupicínio Rodrigues, dois dos maiores conhecedores da vida boêmia de Porto Alegre entre os anos 40 e 70, o livro reúne vinte e oito cantos de paixão, amor, posse e entrega à terra adotiva que ele recria em versos que falam à emoção.

Amor de Amar

Publicado em 1986, o livro revela outra faceta do poeta, na medida em que, mais do que em qualquer outro de seus trabalhos, focaliza o envolvimento emocional, a confissão amorosa; mas, em si, afirma a trajetória do poeta, em seu compromisso maior para com a palavra poética.

Antologia Poética

Com selo da Mercado Aberto, editado em 1987, esta antologia apresenta uma cuidadosa seleção de poemas publicados em livros de 1986 a 1969 - exatamente nessa ordem inversado ponto de vista da cronologia. Porto Alegre, Roteiro da Paixão, por tratar-se de um único poema, aparece em sua íntegra. Leitura obrigatória para quem desejar conhecer a síntese da poesia de Luiz de Miranda.

Livro do passageiro

Publicado em 1992 pela Cultura Contemporânea, o livro tem em epígrafe os versos famosos de Antônio Machado: Caminante, son tus huellas el camino,/ y nada más;/ Caminante, no hay camino,/ se hace camino al andar./ Al andar se hace camino/ y al volver la vista atrás se ve la senda/ que nunca se há de volver a pisar./ Caminante, no hay camino,/ sino estrelas en la mar.// Os poemas, de alguma forma, falam das trajetórias do "passageiro", seja pelos caminhos da vida, seja pelas sendas do "eu" interior em caminhadas sempre novas, porque irrepetíveis.

Livro dos Meses

Obra singular na carreira de Luiz de Miranda, os poemas que compõem o livro são "para a adolescência ler enquanto sonha", como o Editor coloca na folha de rosto. Dedicada a uma faixa etária definida, o livro pertence a Coleção Falas Poéticas, da FTD, de São Paulo, tendo alcançado imediatamente a melhor das receptividades, distinguido como "altamente recomendável" pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ) no próprio ano de sua publicação (1992). No ano seguinte, em Bolonha, na Itália, durante a Feira do Livro Infantil daquela cidade recebeu o prêmio "Literature and family: The Noblest Desire".

Poesia Reunida

A Civilização Brasileira, do Rio de Janeiro, em co-edição com o Instituto Estadual do Livro, edita na íntegra a obra completa que Miranda publicara nos vinte e cinco anos que medeiam de 1967 a 1992. A obra, prefaciada por José Édil Alves, marca, também, a primeira parceria do IEL gaúcho com uma editora de fora do seu Estado. São sete livros, de Livro do Passageiro (1986-1992) a Andança (1967-1968), que incluem seus respectivos prefácios e anotam as datas de criação poética, perfazendo 457 páginas.

Livro do Pampa

A Editora Sulina publicou o livro em 1995, que foi selecionado para o Programa Nacional Salas de Leitura/ Bibliotecas Escolares pelo MEC/FAE. O Livro do Pampa focaliza o espaço físico mítico onde o "eu" do Poeta movimenta-se em constantes deslocamentos, e no qual sonho e realidade convivem de forma harmoniosa, tecidos pela mágica palavra poética. É um longo poema dividido em 41 cantos, com apresentação de Antônio Houaiss e Nelson Werneck Sodré.

Amores Imperfeitos

Também da Editora Sulina este livro é publicado em 1996. Retomando a temática de Amor de Amar (1986), pode-se dizer que Amores Imperfeitos tematiza as mais diversas situações com que se defronta a pessoa nas diferentes e complexas experiências de vida. A poesia de Miranda revela seu amadurecimento nas frases despojadas que atestam um intenso trabalho de depuração. O livro tem prefácio e posfácio dos ensaístas, críticos e professores universitários José Édil de Lima Alves e Luis Augusto Fischer.

Incêndios Clandestinos

Publicação da Coleção Petit POA, da Prefeitura de Porto Alegre, Coletânea da Poesia Social de Miranda, com personagens conhecidos de nossa realidade: Salvador Allende, Ernesto "Che" Guevara, Carlos Lamarca, Carlos Marighella, Mario Benedetti, Herzog, Edson Luiz, entre outros.

Nova Antologia Poética

Reunindo poemas em sete de seus livros, esta é uma edição comemoração aos trinta anos de poesia do autor uruguaianense, trabalho da Editora Sulina (1997). A obra é dedicada a memória de Érico Verissimo e Dyonelio Machado, sendo prefaciada pelo crítico, poeta e professor universitário português José Augusto Seabra. Os livros que tiveram poemas selecionados são: Amores imperfeitos, Livro do passageiro, Amor de amar, Estado de alerta, Solidão provisória, Memorial e Andança, perfazendo o total de 206 páginas. Como é comum nos livros do Autor, a capa foi elaborada apartir da tela de Waldeny Elias e nas orelhas e contra-capa há depoimentos de críticos, ensaístas e escritores brasileiros e estrangeiros. Porto Alegre, Roteiro da paixão e Livro do pampa ficaram fora dessa seleção por serem livros-poemas.

Quarteto dos Mistérios, Amor e Agonias

Um livro para guardar sempre às portas do coração. E lê-lo será uma grande aventura para a sensibilidade do leitor. O amor, a solidão, a agonia e o mistério atravessam os séculos como matéria-prima da alma humana. No contexto das literaturas em português - pode-se afirmar - este Quarteto do Mistérios, Amor e Agonias, de Luiz de Miranda, seja pela temática universal que aborda, seja pela qualidade na elaboração da linguagem, é uma das raras obras e equipara-se com a do clássico e sempre atual Camões. Este singular livro oferece ao leitor o que de melhor a poesia pode dar a quem valoriza o espírito como realidade humana e transcendente.

Trilogia do Azul, do Mar, da Madrugada, e da Ventania

"Trilogia do Azul, do Mar, da Madrugada, e da Ventania", 304 páginas, Editora Sulina, Porto Alegre, 2000. Junto "Quartetos dos Mistérios, Amor e Agonias", 1999, formam os "Sete Livros Capitaisde Miranda", aquilo que seria sua "Grande Arte".
"É com versos desse quilate, é com essa desabrida cadência de palavras, que Luiz de Miranda ascende ao primeiro plano de nossa poesia neste limiar de um tempo. A beleza de seu ritmo, de grande precisão técnica, surge com maturidade, sem aprente esforço, dos "Primeiros Cantos", de Gonçalves Dias, à "Trilogia do Azul, do Mar, da Madrugada e da Ventania", espraia-se toda uma conquista da palavra poética no Brasil. Os versos reunidos neste volume fazem pensar na constatação de Paul Claudel, de que a poesia é uma prece de que somente através dela chegaremos à salvação. Assim é a explosão vocabular de Luiz de Miranda, que não se esgota nos primeiros contatos. Permanece viva na memória, rica, nítida, inconquistada."

Antônio Olinto
Rio de Janeiro, 2 de março de 2000.

Trilogia da Casa de Deus

Sua Trilogia da Casa de Deus é forte, é um verdadeiro "Canto General" de Pablo Neruda, cheio de generosa amizade. A Poesia sopra com a força mítica de Orfeu. Um Orfeu dos Pampas.

Affonso Romano de Sant'Anna

Cantos de Sesmaria

É o mais longo poema da Língua Portuguesa, depois de Camões.

José Edil de Lima Alves

Para os gregos o caminho do homem - o canto do cantor - tinha três etapas: as coisas, os lugares e as pessoas. Neste livro dos Cantos de Sesmaria passa o poeta ao longo de todos os caminhos, até tornar-se semente e entregar-se à terra longa, coberta de milagres. Bem que este livro é daqueles de que fala Gide: despertam o desejo de escrever um ensaio inteiro sobre ele. Graças a Deus, e ai de mim, não sendo um crítico profissional, nem um cliente das teorias literárias, basta-me deixar aqui a alegria de poder, afinal, percorrer o pampa e ouvir pela primeira vez sua metáfora no mesmo lirismo épico de José Hernández, num tom mais alto que o próprio Martín Fierro.

Gerardo Mello Mourão


Poesia das Capitais


"Poesia das Capitais é (...) um livro para nos fazer conhecedores de
nosso País tão grande e diversificado. Mas também para nos fazer
viajantes do mundo das palavras - as do próprio autor, Luiz de Miranda;
e as de todos os escritores e artistas que ele menciona ao longo de seus
passos, doando-nos generosamente um acervo de nomes e obras para tornar seu leitor um habitante permanente do universo da literatura e da
criação verbal."

*Regina Zilberman*

Editora FTD. São Paulo. 2003


Nunca Mais Seremos os Mesmos

Vejo, na poesia de Luiz de Miranda, uma longa caminhada em busca de verdades, cada uma delas mostrando o caminho de apocalipse em que há profecias, quedas, recuperações, gritos, momentos de êxtase. (...) Com a confissão do poeta que desejou narrar em versos a própria vida, numa obra que não tem similar no brasil, uma obra que é poesia pura, inserida na busca incessante da palavra certa, da palavra que, só ela, pode justificar uma existência. Com este livro ascende Luiz de Miranda à primeira linha da poesia brasileira.

Antonio Olinto.


Porto Alegre, Roteiro da Paixão

Porto Alegre, cidade cantada, vivida e sonhada por Athos Damasceno, J. Q. Nogueira e Mario Quintana, possui agora o seu canto sinfônico - graças a este longo poema de Luiz de Miranda - em que o poeta compartilha os trabalhos, as inquietações e as esperanças do povo.

Mario Quintana.

 

Mas é a voz do épico a que eu queria destacar, porque a ela se subordinam ou dela se contagiam todas as outras vozes. Entre os nomes que a memória arrastou na sua vertigem –e não só neste livro- aparecem os de Whitman, Neruda, Rubén Darío e Maiakovski, quatro das mais importantes vozes épicas da Modernidade. O épico aparece ali onde uma nova realidade se está configurando, um novo mundo, um pensamento novo, una nova e diferente maneira de viver e conviver, de ver e de viver a vida.  O poeta épico celebra e legitima e preserva para o futuro os sonhos e as lutas e as transformações e os seus protagonistas. O canto de Luiz de Miranda é um canto épico que tem uma paisagem física e humana como herói.

Perfecto Cuadrado

Prêmio Luso-Espanhol de Arte e Cultura, 2008, Lisboa.




Bibliografia

Obras do Autor



Em antologias coletivas


Tradução



Premiações

          • Prêmio Estadual de Poesia (1971)
          • Prêmio de Literatura de 1985, do Jornal The Brazilians, de Nova Iorque, no First Brazilian National Independence Day Street Festival.
          • Prêmio Expresión Cultural, da República do Panamá (1985).
          • Prêmio Excelência en las Americas, do programa de televisão norte-americana Cita con las Américas, de Nova Iorque (1985).
          • Recebe Condecoração do Instituto Panameño de Turismo,Panamá, por sua atuação como Diretor de Cultura de Porto Alegre(1986).
          • Prêmio Literário Érico Veríssimo, da Câmara de Vereadores de Porto Alegre (1988).
          • Prêmio de Poesia 1987, Jornal Kronica e Epatur.
          • Prêmio Valores Culturais de las Américas, concedido pelo programa de televisão Cita con las Américas, de Nova Iorque (1988).
          • Prêmio Clave de Sol, conferido pelo Clube de Compositores do Rio Grande do Sul (1988).
          • Prêmio de Gran Honor a Luiz de Miranda. Al Mayor Poeta Latinoamericano. Gobierno del Alto Paraná, Paraguai (1993).
          • Prêmio de Poesia, por Poesia Reunida, Paraguai (1993).
          • Prêmio Major Poeta Latinoamericano – Govierno do Alto Paraná, (1993).
          • Prêmio Literatura and Family: The Noblest Desire, Bolonha; Itália (1993).
          • Livro do Mese recebe o Prêmio Altamente Recomendável, da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (1993).
          • Recebe o Título Cidadão de Porto Alegre (1997), por votação unânime do vereadores.
          • Seu livro Solidão Provisória foi considerado, em 1978, o mais importante lançamento da Poesia por Zero Hora e Jornal do Brasil.
          • Com Trilogia do Azul, do Mar, da Madrugada e da Ventania ganha o grande Prêmio 2001 da Academia Brasileira de Letras e é finalista do Prêmio Jabuti.
          • Prêmio Negrinho do Pastoreio, ao melhor Poeta do Rio Grande do Sul (2005).



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