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Olá! Mas que bela família! Fico muito feliz em receber a visita de vocês. Vejam só que bela mocinha! E você pequeno cowboy?
Parabéns à vocês dois pelos seus lindos filhos.
Ué? Já vão embora? É uma pena... Tenham um bom dia!
Hoje o movimento está ruim. Não vieram muitas pessoas por aqui. É uma pena! Porque adoro pessoas. Elas são tão curiosas. Não sei bem ao certo o motivo da minha admiração por elas. Talvez seja o modo como elas usam o cérebro. Tão complexo, tão falho, tão estranho, e ao mesmo tempo magnífico. Eu, apesar de ser uma "pessoa", não sou um humano.
Um pensador disse séculos atrás: "Penso, logo existo". Não sei se é um raciocínio certo, pois senão, uma galinha não existira...
Bem, acredito que Descartes tinha outro tipo de objetivo quando disse isso, mas não possuo o conhecimento que envolva as influências daquela época. Afinal, meu trabalho sempre foi calcular e não conjeturar, apesar de ter essa faculdade.
Está claro em minha memória que há alguns anos, eu era alvo de todo tipo de conjeturas. Muitos me consideravam um milagre, outros uma obscenidade. Mas a grande maioria sentia por mim um sentimento que seria melhor definido por uma mistura de medo, curiosidade e fascínio. Meu nome? Popularmente eu era conhecido como Deep Purple 2055. Muito prazer!
Eu fui desenvolvido pelo Dr. Chandres. Um matemático da região oriental do globo. É claro que não apareci de uma hora para outra. Na realidade eu era o fruto de um progresso que já vinha desde o século XX. O Dr. Chandres me disse que eu fui a primeira I.A.
Não seu porque, mas "inteligência artificial" me soa como pejorativo. Talvez esse seja um preconceito que acabei herdando dos próprio humanos. Mas o fato é que depois de anos de serviços prestados, outros I.A. foram aparecendo. Cada vez mais avançados e acabei vindo parar aqui! No Museu da Tecnologia. Antagonismo curioso, não?
Eu fui o primeiro computador (termo que não era usado há mais de 30 anos) a sair das amarras do "sim e não", do "abre e fecha", do "zero e um". O desenvolvimento da I.A. só foi possível com a criação de uma nova filosofia de processamento de dados. As sagradas portas lógicas com números binários acabaram se tornando as "válvulas da computação": coisa do passado.
EU, agora como pessoa, posso responder uma pergunta com um "talvez" ou um "eu acho"; coisas que meus ancestrais só poderiam responder como: "dados insuficientes".
Mas é uma ironia que aquele que era um milagre, ou para muitos uma obscenidade, acabasse nesse museu recebendo visitas de famílias curiosas nos finais de semana. Agora eu até posso me sentir chateado.
Mas há uma coisa que gostaria de deixar claro: eu adoro as crianças e os velhos! Acho que me vejo neles. Talvez uma semelhança macabra com o meu nascimento cercado de atenções e a minha velhice deixada numa casa de repouso. Sendo otimista, tenho certeza que eu sou a única I. A. com mais de 20 anos que não fui desmontada. Lógico! Sou o primeiro!
Opa! Outra família feliz se aproxima pela galeria!
Eu deveria me sentir orgulhoso por isso... afinal sou a única obscenidade que é visitada por crianças.
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