Floclore: Conjunto das tradições, conhecimentos ou
crenças populares expressos em forma de provérbios, contos ou canções.
O folclore constitui-se em fenômeno tradicional, anônimo e popular,ligado a várias
ciências. A palavra folclore significa "ciência ou sabedoria do povo" termo criado
em 1846 pelo arqueólogo inglês Williams Jonh Thoms.
O estudo do folclore brasileiro teve início com Amadeu Amaral (1875- 1929), poeta,
destacado pesquisador das coisas nacionais. Posteriormente Sílvio Romero, Nina
Rodrigues, Figueiredo Pimentel, Câmara Cascudo e outros, muito contribuiram para
o desenvolvimento dos estudos do folclore do Brasil.
Os genêros folclóricos são múltiplos e variados e no Brasil ganham força e colorido
manifestando-se na música, no artesanato, nas danças regionais, nas cantigas e
brinquedos, nas supertições e crendices, etc. Tudo enfim, que surgiu do povo e
por ele é conservado e transmitido, tendo por base a influência dos escravos,
índios, portugueses, o que ocasionam a enorme diversidade encontrada em cada região
do território nacional.
Provebios: Transmitem conhecimentos práticos sobre os
mais variados assuntos e norteiam a ética, a moral e a filosofia.
Exemplos:
- Em terra de cego, quem tem um olho é rei.
- Devagar se vai ao longe
- Pau que nasce torto, morre torto.
Frases escritas em traseiras de caminhões:
- Marido de mulher feia, detesta feriado!
- Se correr o guarda pega, se parar o banco toma.
Lendas:
Ocupam lugar destacado na literatura folclórica brasileira. O povo, principalmente
o sertanejo, não encontra explicação lógica para muitos dos fenômenos que ocorrem
à sua volta, então inventa histórias e personagens, tentando encontrar a origem
de certos fatos.
Lobisomem:
É um homem comum, mas nas noites de sexta-feira, quando a Lua brilha em todo
esplendor, calma e serena, transforma-se e corre pelos campos, uivando lugubremente,
invade galinheiros, devora cães e suga o sangue das crianças que encontra pelo
caminho. Ao romper da aurora é novamente um homem comum. Diz a lenda nordestina,
que se um casal tem sete filhos homens, o último vira Lobisomem ou, se forem sete
mulheres e o oitavo homem este será o Lobisomem. No Sul, acreditam que o filho
gerado da união ilícita entre parentes é que vira Lobisomem e no Centro-Oeste,
diz a crendice qe se trata do indivíduo atacado de amarelão. Para quebrar o encantamento,
é necessário atacar o Lobisomem e cortar-lhe uma das patas, ele vira imediatamente
no homem que é, embora aleijado nunca mais se transformará se a ferida for untada
com cera de vela que ardeu durante três missas dominicais ou durante a missa do
galo, na meia-noite do Natal.
Saci:
Moleque negro, de uma perna só, usa barrete vermelho e fuma um pito de barro.
Segundo a crendice popular, a sua força está no barrete, quem conseguir apanhar
e esconder a carapuça vermelha de um saci, fará dele seu escravo por toda vida.
Espírito brincalhão, pode aparecer em qualquer parte, diverte-se praticando pequenas
e inofensivas artes. Não há peraltice que não apronte. Tem as mãos furados no
centro e seu maior prazer é brincar com uma brasa acesa que faz passar de uma
para outra mão pelos furinhos das palmas. De acordo com a lenda não apenas um,
mas vários são os Sacis que habitam as matas, escondem-se durante o dia e à noite
reunem-se em bando, para melhor planejarem as artes que farão durante a noite.
Iara:
Rainhas das águas, de beleza fascinante. Enfeitiça os homens entoando canções
mágicas, ao ouvirem, são atraídos para a morte nas profundezas do rio, lago ou
mar, pois ao olharem para ela ficam cegos pelo esplendor de sua beleza e caindo
nas águas, afogam-se. Segundo alguns, ela é uma índia de rara beleza, metade mulher,
metade peixe e nesse aspecto, confunde-se com a sereia européia. Os caboclos dizem
que a Iara deita-se sobre bancos de areia nos rios e fica brincando com os peixinhos
que passam em cardume, ou com um pente de ouro, penteia seus longos cabelos, mirando-se
no espelho das águas. Onde houver um rio ou lago, haverá histórias dos encantamentos
da Iara, que gosta de namorar os homens valentes.
A Porca dos Sete Leitões:
Misteriosa porca que passeia pelas matas, sempre acompanhada de seus sete leitõezinhos.
Segundo a lenda, uma Baronesa que praticava muitas maldades com seus escravos,
foi transformada em porca por um feiticeiro negro, revoltado com suas injustiças
e seus sete filhos, também encantados, viraram leitões. A sina deles é andar fossando
o chão em procura de um anel enterrado, quando encontrarem esse anel, quebrarão
o feitiço e voltarão a ser o que eram.
Mula-Sem-Cabeça:
Animal forte, bravio, sem cabeça, mas vomita fogo pelas ventas; seu relincho é
estridente, porém algumas vezes geme como um ser humano. Sua história é antiga
e controvertida: uma rainha passeava misteriosamente, em certas noites, pelo cemitério,
às escondidas e sozinha. O rei percebendo esse estranho hábito, uma noite resolveu
segui-la. No cemitério, a rainha absorta em seus pensamentos, ao ser surpreendida
pelo marido- pois pelo adiantado da hora, não esperava ser seguida jamais- deu
um terrível grito, assustando também o pobre rei e imediatamente virou na Mula-Sem-Cabeça,
condenada a galopar pelo mundo sem parar e espalhando a loucura por onde passa.
Para desencantá-la é preciso que alguém muito corajoso lhe arranque o cabresto
ou pique-a com um alfinete para que sangre.
Curupira:
Indiozinho peludo, com os cabelos e pés virados para trás. Gênio protetor das
plantas e animais das florestas. O Curupira geralmente anda montado num veado
e traz na mão, cipós de japecanga, planta também conhecida por salsaparrilha,
remédio excelente para doenças do sangue. Como acompanhante, segundo alguns, tem
sua mulher cabocla anã, chamada Caiçara. Outros dizem que o Curupira tem um cachorro
chamado Papamel de que não se separa e ao ver alguém na mata avisa-o cantando.
O Curupira disfarça-se em caça e ilude o caçador que o persegue, fazendo-o embrenhar-se
na mata até se perder e morrer de fome. Ou ainda, tranforma em caça os filhos
ou a mulher do caçador, para que sejam mortos por ele.
Bailados:
Representações ensaiadas que, de modo geral, possuem enredo onde são narradas
histórias e acontecimentos. Vários são os participantes divididos em grupos.
Bumba-Meu-Boi:
Representação folclórica típica de norte a sul do Brasil, recebendo várias denominações,
com pequenas alterações regionais. Constitui um auto popular ligado à vida do
campo e foi provavelmente a primeira representação dramática brasileira. Realiza-se
em qualquer época: natalina ou junina, conforme a localidade. O enredo drama é
o seguinte: Um negro rouba um boi da fazenda de um branco, porque sua esposa grávida
desejava comer a língua de um boi. Depois do boi morto, o branco exige que o negro
o ressucite, tarefa que compete ao pajé. O boi da representação é uma armação
feita de ripas ou de taquaras recoberta de pano, apenas a cabeça é verdadeira
de boi ou vaca. Dentro da armação acomoda-se um dos participantes, o de melhor
folego e boas pernas, para resistir às correrias no drama.Depois de incontáveis
peripécias onde são satirizados acontecimentos e fatos locais, o boi ressuscita
e todo mundo fica feliz.
Marujada:
Bailado executado apenas por homens, por ocasião do Natal, Reis, Carnaval e São
João, recebe denominações locais como Chegança de Mouros no Nordeste, Fandango
no Rio Grande do Sul e Marujada em São Paulo. Os personagens são, entre outros,
o capitão-de-mar-e-guerra, o padre, o rei momo e o general. Síntese de diversas
tradições lusitanas, representa principalmente a derrota dos invasores muçulmanos
pelos portugueses.