1 O julgamento de Jesus: porque é uma fraude histórica?
Iremos considerar o episódio da
prisão de Jesus, e a acção legal movida contra ele
pelas autoridades judaicas. A análise de textos enfatizará
as diferenças entre o grupo sinóptico (Evangelhos segundo
S. Mateus, S. Marcos e S. Lucas) e o quarto Evangelho (segundo S. João).
Em que consistem estas diferenças?
Em primeiro lugar, notamos que o três
Evangelhos sinópticos concordam na existência de um julgamento
Judeu, e também nas acusações, testemunhas, e na sentença:
uma condenação à morte pelo crime de blasfémia,
pois Jesus se declarou "filho de Deus", em público. Com respeito
a este assunto já podemos levantar algumas objecções.
De facto, um autor alemão, Dr. Weddig Fricke, escreveu um livro
inteiro, cheio de observações críticas, mostrando
a impossibilidade, de acordo com lei antiga Judia, de conduzir uma acção
legal de acordo com as condições descritas pelos Evangelhos
sinópticos. Vejamos algumas das suas afirmações mais
significantes:
1 As acções legais não se podiam desenrolar
numa casa privada, mas apenas no lugar formal: na área do templo
chamada de "Beth Din", o assento do Grande Sinédrio, para ofensas
capitais;
2 As acções legais não se podiam desenrolar
à noite;
3 As acções legais não se podiam desenrolar
na véspera de um feriado;
4 Uma sentença não podia ser proferida com base numa
confissão extorquida;
5 As sentenças de morte só poderiam ser proferidas
pelo menos 24 horas depois da interrogação...
Para além de todas estas objecções
importantes, temos que considerar que declarar-se a si mesmo como "o filho
de Deus" provavelmente não era um crime de blasfémia nem
era uma ofensa importante. De facto, a expressão "filho de Deus"
era muito comum e poderia ser usada para representar todos os seres humanos:
todos os Judeus, de acordo com a Tora, eram filhos de Deus; em outro caso,
o título poderia ser usado para caracterizar um homem devoto ou
alguém que tinha sido iniciado numa condição de santidade
e tinha tomado votos (como os "Nazaritas"). Há muitas expressões
hebraicas como "filho da verdade", significando um homem particularmente
honrado, "filho da luz", significando alguém que é iluminado
espiritualmente, "filho da escuridão", significando um pecador endurecido,
etc.
Estas e muitas outras considerações
lançam sérias dúvidas sobre a hipótese de que
os autores dos sinópticos, ao apresentarem a sua versão do
julgamento, testemunharam uma verdade histórica, e ao invés
ofereceram uma interpretação bastante pessoal com a meta
específica de apoiar uma particular doutrina, ideologia e (porque
não?) posições políticas.
Um golpe definitivo para a credibilidade
histórica da apresentação dos sinópticos é
dado pela versão do Quarto Evangelho; vejamos as diferenças:
1 Os sinópticos dizem que Cristo foi prendido por uma multidão
não muito bem identificada, que tinha sido enviada pelo Sumo Sacerdote,
e eles não revelam a identidade do discípulo de Jesus que
ofereceu resistência física. Pelo contrário, o quarto
Evangelho fala de uma coorte de soldados e de um tribuno, assim nos dando
informação precisa sobre lá ter estado presente uma
força militar Romana de 600 homens (...!!!...), e diz claramente
que a resistência foi oferecida por Pedro que, naquela ocasião,
puxou da espada, e cortou a orelha de um dos guardas do Sumo Sacerdote.
Destas circunstâncias podemos facilmente perceber que a acção
militar tinha sido iniciada explicitamente por Pilatos. Caso contrário,
600 soldados Romanos nunca se teriam movido a meio da noite só para
prender um pregador incomum cujo único crime era ter-se declarado
"o filho de Deus".
2 Os sinópticos dizem que assim que Jesus foi preso, foi levado
imediatamente para a casa privada do Sumo Sacerdote Caifás. O quarto
Evangelho, por sua vez, diz ele foi levado para a casa de Anás,
o sogro do Sumo Sacerdote.
3 Os sinópticos relatam que uma acção legal
foi levantada contra Jesus na casa de Caifás, na qual ele manteve
um silêncio obstinado, e não concordou em responder a qualquer
pergunta, mas apenas deu uma pequena afirmação quando perguntado
se ele era ou não o "filho de Deus". Neste momento o julgamento
deverá ter chegado a um fim rápido e a sentença de
morte pronunciada. Pelo contrário, o Quarto Evangelho não
menciona qualquer acção legal Judaica; em vez de estar calado,
é dito que Jesus respondeu às perguntas que as pessoas lhe
fizeram e até mesmo ter participado numa discussão, mas desde
que não havia nenhuma acção legal contra ele, claro
que nenhuma sentença de morte deveria ter sido pronunciado . Tudo
se parece com uma cena de uma sala de espera, antes de Jesus ser consignado
ao cuidado de Pilatos; e podemos deduzir disto tudo que a acção
inteira não foi concebida e iniciada pelos Judeus, mas antes pelos
Romanos, possivelmente com a conivência das autoridades Judaicas.
2 A sentença de morte: uma responsabilidade Judaica ou Romana?
O que enfatizamos até agora? Duas
coisas: primeiro que os Sinópticos parecem ter resolvido apresentar
todas as acções levadas contra Jesus (a sua prisão,
julgamento e condenação) como sendo definitivamente a vontade
dos Judeus. Não obstante, tendo descrito um julgamento claramente
impossível e uma sentença irregular, e tendo mostrado forte
censura em assuntos importantes que o quarto Evangelho fala sem relutância,
despertam a razoável suspeita de que a sua versão muda propositadamente
o significado dos eventos para os ter conforme algumas noções
preconcebidas que se percebem bastante bem: por exemplo, os Judeus têm
que parecer ser culpados de hostilidade contra Jesus, e os Romanos desculpados.
A segunda coisa que enfatizamos é
a indicação de que toda a acção contra Jesus
foi concebida e instigada principalmente pelos Romanos.
Podemos considerar o modo de como normalmente
os blasfemadores eram tratado pelos Judeus: eram prendidos por soldados
Romanos? Eram eles entregues a Pilatos, de forma a que ele os pudesse julgar
de acordo com Lei Romana? Eram eles chicoteados pelos Romanos e depois
crucificados? Nada disto! Os blasfemadores, reconhecidos como tal depois
de um julgamento Judeu normal, eram apedrejados até à morte
pelos Judeus, e os Romanos não se preocupavam de todo com estas
atitudes.
Se compararmos as descrições
dos julgamentos, como apresentadas nos quatro Evangelhos, podemos achar
outra indicação significativa. Preste atenção
ao que a análise do computador enfatizou quando a descrição
do julgamento Judeu segundo Mateus (a acção legal irregular
que ocorreu na casa do Sumo Sacerdote) foi comparado com a descrição
do julgamento Romano, segundo Marcos (a acção legal que ocorreu
na frente de Pilatos):
J = JULGAMENTO JUDAICO, MATEUS (Mt 26, 62-64)
R = JULGAMENTO ROMANO, MARCOS (Mc 15, 4-5, 2)
J E, levantando-se o Sumo Sacerdote, disse-lhe:
R - E Pilatos o interrogou novamente, dizendo:
J Não respondes coisa alguma...
R Nada respondes?
J ...ao que estes depõe contra ti?
R Vê quantas coisas testemunham contra ti.
J Jesus, porém, guardava silêncio.
R Mas Jesus nada mais respondeu...
J E, insistindo o Sumo Sacerdote, disse-lhe:
R E Pilatos lhe perguntou:
J Conjuro-te, pelo Deus vivo, que nos digas se tu és o Cristo...
R És tu o Rei dos Judeus?
J Disse-lhe Jesus: Tu o disseste;
R E ele, respondendo, disse-lhe: Tu o dizes.
Não pode haver nenhuma dúvida
sobre isto: o julgamento Judeu parece uma cópia do Romano, exactamente
com as mesmas palavras pronunciadas; embora o Quarto Evangelho não
mencione qualquer acção legal na casa do Sumo Sacerdote,
como já notamos. Em resumo, os autores Sinópticos revelam
a sua necessidade de descrever os Judeus como os que quiseram a morte de
Jesus, e não os Romanos, que é a razão pela qual eles
inventaram a existência de uma acção legal prévia
na casa do Sumo Sacerdote, antes da que ocorreu mais tarde na presença
de Pilatos.
Todas estas observações
nos dão elementos decisivos de interpretação: o ponto
de partida da tradição sinóptica é a necessidade
explícita para virar a responsabilidade dos Romanos para os Judeus,
talvez porque admitindo a responsabilidade dos Romanos teria havido implicações
políticas inaceitáveis.
3 O filho de Deus: aliás ...Jesus Barrabás.
Consideremos uma vez mais a razão
que os autores Sinópticos aduzem para a sentença de morte
dada em doses para Jesus: o ter-se declarado "filho de Deus"; esta formulação,
até este momento, não está livre da suspeita de ser
não mais que um mero pretexto inventado de maneira a virar a responsabilidade
dos Romanos pela condenação para os Judeus. Aqui também
podemos identificar um tipo importante de censura usada pelos autores;
pois a relutância dos que nunca explicaram certas perguntas (e mantiveram
uma espécie de conspiração de silêncio), fazê-lo
torna-se assim muito significante. Praticamente, temos agora que adivinhar
que termos o Sumo Sacerdote teria empregue no idioma aramaico que era
falado na Palestina naqueles tempos para perguntar a Jesus se ele era
o "filho de Deus", de maneira a o apanhar e acusar de blasfémia
(de acordo com a versão dos sinópticos, claro está).
Naquela altura, todos sabiam que o nome
de Deus não podia absolutamente ser pronunciado pelos Judeus, dado
que isso era, e ainda é, um significativo sacrilégio. Ninguém,
à excepção do Sumo Sacerdote no Dia da Reconciliação,
poderia pronunciar o nome Jeová; assim sendo, toda a vez que havia
necessidade de se dirigir a Deus ou se referir a Ele, os Judeus substituíam
por nomes como Adonai, Eloah, Supremo, o Senhor, Pai, etc. Este último,
"Pai", o qual em aramaico é "Abba", era o mais comummente falado
por Jesus e é comummente usado nos textos dos Evangelhos, como por
exemplo: "E disse: Abba, Pai, todas as coisas te são possíveis..."
(Mc 14, 36); "...quando vier na glória do seu Pai, com os santos
anjos..." (Mc 8, 38); " ...que o vosso Pai, que está nos céus,
vos perdoe as vossas ofensas." (Mc 11, 25); "Graças te dou, ó
pai, Senhor do céu e da terra..." (Mt 11, 25). Tais exemplos são
muito numerosos nos Evangelhos.
Consequentemente, tanto Jesus como o
Sumo Sacerdote, em vez de dizerem "filho de Deus", teriam usado certamente
a expressão "filho do Pai", que foi mantida em Latim como o usual
"filius Patris", que no idioma aramaico é representada pela palavra
"bar", que significa "filho", e "Abba", que quer dizer "pai"; isto é,
a expressão inteira é "bar Abba", a qual pode inclusivamente
ser pronunciada sem nenhuma pausa, e assim parece-se com a palavra "Barabba"
(há numerosos casos semelhantes: Barnabas Barnabé quer
dizer "o filho do Mestre", Bartolomeu quer dizer "o filho de Ptolomeu",
etc.) Assim, toda a expressão que nós conhecemos como "Jesus,
o filho de Deus" pode aparecer em aramaico como "Yeishu bar-Abba".
Estou seguro de que qualquer leitor,
neste momento, apercebendo-se desta estranha coincidência, estará
um pouco surpreendido. Claro que me estou a referir à semelhança
(podemos até mesmo dizer igualdade) entre a expressão "o
filho de Deus", tal como soa em aramaico, e o nome do prisioneiro que foi
liberado no lugar de Jesus, que é Barrabás (Barabbas, no
original). Ainda para mais, o nome daquele sujeito afortunado não
era realmente Barrabás: os Evangelhos afirmam que ele era apelidado
Barrabás. O que significa isto? Deveríamos acreditar que
ele também era "filho de Deus"? Porém, qual era o seu verdadeiro
nome?
Para podermos responder esta pergunta
é preciso que se saiba que alguns velhos manuscritos do Evangelho
segundo S. Mateus, datados do quarto século, chamam este sujeito
não só pelo apelido mas até lhe atribuem o nome de
Jesous Barabbas (o manuscrito tendo sido escrito em Grego antigo). Na realidade,
os autores fizeram nada mais que transcrever em caracteres Gregos a expressão
hebraica "Yeishu bar-Abba", cujo significado nós já sabemos:
"Jesus, o filho de Deus" (todos os que estiverem relutantes em acreditar
nisto devem ver o "Novum Testamentum Graece et Latine", por Augustinus
Merk, editado em 1933 pelo Instituto Bíblico Pontifício,
página 101, onde a frase que é comummente apresentada "E
tinham então um preso, bem conhecido, chamado Barrabás."
(Mt 27, 16) está escrita "E tinham então um preso, bem conhecido,
Jesus chamado de Barrabás.").
O que temos nós a dizer a isto?Porque
é que os tradutores fizeram de Barrabás um anónimo
do quarto século em diante? Realmente, porque é que eles
nos deixaram acreditar que Barrabás é o seu nome verdadeiro?
O que diabo está escondido atrás da curiosa circunstância
que durante a acção feita pelos Romanos, duas pessoas foram
trazidas à presença de Pilatos: Jesus, o filho de Deus (ou
seja, Yeishu bar-Abba), que foi condenado à morte, e Jesus Barrabás
(que é exactamente o mesmo), que foi libertado?
Porque é que os Cristãos
sempre foram mantidos na escuridão sobre o facto de que o aramaico
"Barrabás" é o equivalente da moderna expressão "filho
de Deus"?
Como podemos ver, o assunto começa
a levantar alguns enigmas curiosos. Mesmo assim, entre as muitas perguntas
que nós não podemos responder, uma, pelo contrário,
parece que podemos: podemos estar certos de que a narração
do Evangelho da Paixão de Cristo foi censurada, e está cheia
de truques literários inventados de propósito para distorcer
completamente alguns aspectos importantes da verdade histórica sobre
o modo de como Jesus foi preso, julgado, condenado, e executado; e sobre
as razões por que todas estas coisas aconteceram.
Por favor não pense que há
algum truque escondido atrás do que dissemos até agora, baseado
em jogos de palavras, porque se tais jogos de palavras realmente existem,
não somos nós os culpados, mas os que escreveram os Evangelhos
ou, em todo caso, os retocou depois.
4 A fraude histórica: os Judeus condenam Jesus, mas são
os Romanos que o executam.
Outras indicações importantes,
que tendem a desmistificar a historicidade da narração do
Evangelho da Paixão de Jesus, dizem respeito à explicação
tradicional da presumida necessidade dos Judeus de entregar Jesus às
mãos de Pilatos. Normalmente é dito que os Judeus não
tinham qualquer direito para executar qualquer sentença de morte.
Como foi possível afirmar tal asneira? Os Evangelhos mostram que
é mais um truque grosseiro; porque nós sabemos que:
1 Herodes executou centenas de Judeus;
2 A famosa adúltera que estava prestes a ser apedrejada pelos
Judeus sobreviveu graças a Jesus, que disse: "...He isso está
sem pecado entre você, lhe deixe lançar o primeiro apedreje
a ela...";
3 São Paulo estava presente no apedrejamento do primeiro mártir
Cristão, Estevão;
4 S. João Baptista foi executado pelos Judeus;
5 Depois da morte de Jesus, o Sinédrio ameaçou os apóstolos
com a sentença de morte;
6 O apóstolo S. Tiago foi apedrejado pelos Judeus em Jerusalém;
7 O mesmo Jesus, de acordo com o que os Evangelhos afirmam em muitas
circunstâncias diferentes, correu o risco de ser apedrejado pelos
Judeus...
Precisamos de continuar? Há evidência
mais que suficiente para as execuções dos Judeus, pelos Judeus,
nos mesmos Evangelhos. Não obstante, no caso de Jesus, diz-se surpreendentemente
que os Judeus não tinham nenhum direito de executar uma sentença
de morte e tiveram de pôr Jesus, o blasfemador, nas mãos de
Pilatos.
Todas estas coisas testemunham uma simples
verdade: a necessidade desesperada e inescapável dos autores dos
Evangelhos de demonstrarem que, apesar da forma de uma típica execução
Romana (a crucificação), os Romanos estavam completamente
inocentes de morte de Jesus uma vez que só os Judeus eram culpados
disso, pois eles eram os seus inimigos reais. Essa é a razão
porque a absurdidade histórica de um procurador Romano implorando
ao povo Judeu para libertar o pregador foi inventada.
5 Como nasceu o anti-semitismo.
De acordo com a versão histórica
"Cristã", o "praefectus Iudaeae Pontius Pilatus" (o prefeito da
Judeia, P. Pilatos) foi compelido a libertar um bandido, talvez um revolucionário,
como os Evangelhos o descrevem, em vez de um pregador, porque as pessoas
preferiram Barrabás a Jesus. Ele até tentou implorar aos
Judeus, mas eles insistiram, gritando: "Seja crucificado! Seja crucificado!"
e estavam resolutos na sua decisão de libertar o bandido (o Quarto
Evangelho diz o "ladrão") e deixar os Romanos executar o homem que
é dito ter curado pessoas cegas e leprosas. É, claro, uma
confusão absurda: pessoas razoáveis achariam muito mais lógico
que o ladrão fosse executado, e uma suspensão da execução
iria garantir o pregador, e não o contrário; também
por uma posição autoritária ter sido levada pelo procurador
em vez de pelos suplicantes; também para as pessoas terem desejado
libertar o curandeiro e pregador, em lugar do ladrão... Algo de
fraudulento está escondido atrás desta representação!
Quantos cristãos empreenderam
o estudo deste período histórico? Quantos se perguntaram
se o costume presumido de libertar um prisioneiro por ocasião do
feriado Judeu da Passagem realmente existiu ou não? Quantos leram
os trabalhos dos autores Judeus Philo de Alexandria e Flávio Josefo,
contemporâneos de Jesus, ou até mesmo sabem que eles existem?
Estes dois autores, que descrevem em detalhe costumes e eventos na antiga
Palestina, nunca mencionam tal costume, e sempre descrevem Pilatos como
um procurador cínico e duro que nunca pediu permissão a ninguém
e que, inclusivamente, nunca se submeteu à vontade popular dos Judeus
mas, pelo contrário, sempre regeu com mão forte e uma crueldade
atroz. O Pilatos dos Evangelhos, na frente da multidão gritando,
declara-se derrotado e anuncia sem culpa: "...lavou as mãos diante
da multidão, dizendo: Estou inocente do sangue deste justo: considerai
isto"! e então liberta um homem que muitos teólogos querem
identificar como um revolucionário, um dos que afrontou o poder
dos invasores Romanos.
Neste momento, foi posto na boca dos
Judeus uma sentença que é um real manifesto ideológico:
"E, respondendo todo o povo, disse: o seu sangue caia sobre nós
e sobre os nossos filhos" (Mt. 27, 25). Este é o ponto de partida
de um anti-Semitismo de dois mil anos. Os Judeus do tempo de Jesus pareciam
ter ideia do seu destino e, o que é mais curioso, prontos aceitá-lo:
a guerra terrível contra os Romanos, a destruição
de Jerusalém e do Templo, o massacre de centenas de milhares deles,
a Diáspora, as perseguições perpetradas pelos Cristãos,
a Inquisição, o nome infame de "Judeus pérfidos",
dois mil anos de opressão e exterminação...
Bem, aqui está uma confirmação
dramática; os autores que compuseram os quatro textos do Evangelho
chamados de canónicos pela Igreja (significando que eles são
os únicos que comprovam a verdade) tiveram sem dúvida uma
ideia fixa: tinham que desacreditar a raça hebreia e cobri-la com
vergonha por ter querido a morte do "filho de Deus"; Assim santificando
e desculpando a atitude historicamente hostil do Cristianismo para com
o Judaísmo. O racismo foi gerado e nutrido por esta inconveniente
afirmação do Evangelho segundo S. Mateus. Não obstante,
se a infâmia de ter morto o Senhor pertence a alguém, não
é aos Judeus, mas aos Romanos, disso podemos estar seguros. De facto,
eles tinham invadido a Palestina, incorporando-a no seu império,
e feito os seus habitantes súbditos do imperador; eles reprimiram
meticulosamente todas as sublevações nacional-religiosas,
especialmente num país muito difícil subjugar; um país
onde, durante muitos séculos, profecias tinham falado de um rei-Messias,
filho de David, que devia repetir os feitos do antigo soberano que tinha
criado o Reino Unido das doze tribos de Israel; um país onde movimentos
messiânicos (Essénios e Zelotas) tinham surgido e fortalecido
como nunca antes.
6 O Messias esperado?
O que diabo estavam os autores dos Evangelhos
interessados em esconder com a sua adulteração da verdade
histórica? Isso é exactamente o que estamos a tentar descobrir.
A dificuldade é que o homem que os soldados de Pilatos tinham prendido
nunca tinha pretendido fundar uma nova religião não-Judaica;
ele nunca pensou em considerar o antigo acordo entre Jeová e o seu
povo cancelado; nem ele nunca pregou aos não-circuncidados (há
pelo menos duas ocasiões explícitas no Novo Testamento nas
quais Jesus fala da sua inequívoca resolução de não
pregar aos não-Judeus, mas só "...ide antes às ovelhas
perdidas da casa de Israel." (Mt 10, 6); ele nasceu e cresceu Hebreu, e
como Hebreu viveu e morreu, absolutamente determinado permanecer como um.
"Cristo" (Christos = ungido, um termo
que traduz a palavra aramaica Mashiha = Messias = ungido em Grego) foi
feito o alvo dos Romanos de propósito, e os Romanos julgaram e executaram
um assim chamado porque um dos movimentos messiânicos dos dias de
Jesus (que eram semelhantes aos dos Essénios, se não idênticos
aos dos Essénios que estavam instalado em Kirbeth Qumran, os autores
dos famosos e controversos Manuscritos do Mar Mortos) identificava na sua
pessoa o predestinado de quem as profecias messiânicas falavam: o
escolhido de Deus, o filho de David, o ungido de Jeová, que iria
devolver a casa de Israel aos seus filhos, retirando-a dos usurpadores
pagãos, da odiada família dos monarcas Herodianos, e da corrupta
casta sacerdotal dos Saduceus.
Tal homem não podia terminar
os seus dias sem ser na forca Romana, a cruz, com uma inscrição
tri-lingual: "Melek hay-Yehudim Basileus ton Ioudaion Rex Iudaeorum
(= Rei dos Judeus)", cujo significado é mais que evidente: condenado
à morte porque ele foi reconhecido culpado de rebelião contra
a autoridade imperial, uma vez que ele tentou restabelecer a coroa de David
no trono de Israel.
De facto, mil anos antes, o primeiro
homem a reinar sobre as doze tribos unidas de Israel foi David, e também
ele fez de Jerusalém a sua capital, e lá ele queria construir
um templo enorme para o Senhor (não que ele tivesse realizado este
projecto, mas antes o seu filho Salomão). David foi o primeiro Messias
(Rei ungido) de Israel, e para os Judeus a ideia de que o Messias uniu
o poder espiritual com o político não causa nenhuma repugnância;
pelo contrário, eles têm nenhum problema em aceitar que ele
possa até mesmo ser um guerreiro que luta e derrota todos os inimigos
da nação de Deus.
O termo Messias vem da típica
cerimónia de investidura real: unção ou consagração
(Mashiha = ungido). O rei de Israel não tinha apenas distinção
política, ele também era o favorito de Deus, dado que ele
tinha uma particular fé e devoção para com o Senhor
de Israel; ele recebia das mãos do Sumo Sacerdote o unguento de
mirra, canela doce, nardo, cássia, e óleo de azeitona (Êxodo
30, 23-24) e com isto ele era declarado "ungido do Senhor", o que significa
a representação terrestre da soberania da nação
Judia, a qual só é devida a Jeová.
7 "Eis o ungido de Jeová, Rei dos Judeus"
Consideremos um episódio famoso
na história dos Evangelhos, da qual a típica festividade
Cristã chamada Domingo de Ramos é derivada: no Domingo antes
da Páscoa todo o mundo Cristão celebra a entrada de Jesus
em Jerusalém, quando ele, montando um burro, foi acolhido por uma
multidão aplaudindo e por um coro de hosanas. O episódio
é chamado de Entrada Messiânica, e este nome não podia
ser mais apropriado: "Bendito o REINO DO NOSSO PAI DAVID, que vem em nome
do Senhor." (Mc 11, 10). "Bendito O REI QUE VEM EM NOME DO SENHOR" (Lc
19, 38). No dia seguinte, ouvindo uma grande multidão, que viera
à festa, que Jesus vinha a Jerusalém, tomaram ramos de palmeiras,
e saindo-lhe ao encontro, e clamavam: Hosana: BENDITO O REI DE ISRAEL,
QUE VEM EM NOME DO SENHOR. E achou Jesus um jumentinho, e assentou-se sobre
ele, como está escrito: Não temas, ó filha de Sião
(=Jerusalém); eis que O TEU REI VEM, assentado sobre o filho de
uma jumenta." (Jo 12, 12-15). O evangelista João faz uma referência
explícita a uma profecia Bíblica na qual se fala de um libertador
messiânico; o profeta Zacarias diz que a Jerusalém conquistada
pode exultar porque o seu Rei, montando um jumento, está vindo para
expulsar todos os opressores estrangeiros: "...Rejoice grandemente, O filha
de Zion; grite, filha de O de Jerusalém: veja, cometh de Rei de
thy até thee: ele é justo, e tendo salvacção;
humildemente, e montando em um asno, e em um potro o potro de um asno...".
(Zacarias 9, 9).
Como podemos ver, Jesus foi acolhido
por toda a gente como o libertador esperado, como o filho de David, como
o Rei de Israel; lendo os episódios, podemos deduzir facilmente
não só o valor religioso de Jesus, mas também o seu
valor político. Tanto Jesus como os evangelistas poderiam ter negado
a interpretação oferecida pelas pessoas, se tal quisessem
(isto no caso de Jesus ou os evangelistas tivessem tido a específica
intenção de especificar que a sua missão não
era política mas apenas espiritual). Porquê, então,
nos contaram eles que a entrada de Jesus em Jerusalém era o verdadeiro
cumprimento da profecia messiânica, se eles tivessem verdadeiramente
pretendido distinguir entre a missão espiritual de Jesus e a missão
política do esperado Messias? Porque teimaram eles em o chamar de
"filho de David" tantas vezes (doze vezes nos Evangelhos), assim atestando
o seu inteiro direito à coroa de Israel, como um descendente da
dinastia do antigo fundador do reino?
Os Evangelhos sinópticos contam
outro episódio famoso: Jesus ungido na aldeia de Betânia.
O que é muito curioso é que os autores dos sinópticos
parecem determinados em disfarçar o verdadeiro significado do episódio.
Consideremos os seguintes elementos:
1 Os protagonistas são todo anónimos, à excepção
do anfitrião, que é identificado como um Fariseu chamado
Simão, e a estrela da cena é simplesmente "uma mulher": "...veio
uma mulher, que trazia um vaso de alabastro, com unguento de nardo puro,
de muito preço, e, quebrando o vaso, lho derramou sobre a cabeça."
(Mc 14, 3);
2 A altura é após a entrada messiânica, para
Marcos e Mateus, ou muito antes, para Lucas;
3 Lucas não nomeia a cidade: "E eis que uma mulher da cidade,
uma pecadora, sabendo que ele estava à mesa, em casa do Fariseu,
levou um vaso de alabastro com unguento; ...começou a regar os pés
dele com lágrimas, e enxugava-lhos com os cabelos da sua cabeça;
e beijava-lhe os pés, e ungia-lhos com o unguento " (Lc 7, 37-38).
Muitos teólogos tentam minimizar
as diferenças propondo a fraca desculpa de que o episódio
em Lucas não é o mesmo. Como em muitos outros casos, os autores
dos sinópticos submetem os eventos a pesada censura; de facto, se
lermos a versão de João do episódio, algo de surpreendente
acontece: todos os protagonistas têm nomes e a altura é logo
antes da entrada messiânica: "...Marta servia, e Lázaro era
um dos que estava à mesa com ele. Então Maria, tomando um
arrátel de unguento de nardo puro, de muito preço, ungiu
os pés de Jesus, e enxugou-lhe os pés com os seus cabelos."
(Jo 12, 2-3).
Nós até notamos que esta
mulher pobre, a quem Lucas chama de "uma pecadora", tinha nas mãos
um vaso de alabastro cheio de um arrátel de nardo muito precioso.
Pode ser que hoje muitos leitores não façam a mínima
ideia do que isso significa: as mulheres pobres têm normalmente grandes
quantias dos mais caros perfumes à mão? O evangelista João
declara que valia trezentos dinheiros, que é... tipo milhares de
dólares!
Bem, então ela quebrou o vaso
de alabastro e verteu o nardo na cabeça de Jesus, ou nos seus pés.
E aqui está a pista para a circunstância: "E alguns houve
que em si mesmos se indignaram, e disseram: Para que se fez este desperdício
de unguento? Porque podia vender-se por mais de trezentos dinheiros, e
dá-lo aos pobres. E bramavam contra ela ...E Judas Iscariotes, um
dos doze, foi ter com os principais dos sacerdotes, para lho entregar.
E eles, ouvindo-o, folgaram e prometeram dar-lhe dinheiro; e buscava como
o entregaria em ocasião oportuna. (Mc 14, 4-11).
O que raios ela fez para incitar a ira
todo a gente? Como poderia ela ter induzido aquela reacção
em Judas? Poderemos acreditar que o desperdício de perfume era verdadeiramente
a razão por que Judas se convenceu que era melhor trair o seu Senhor
Jesus? Ou devemos nós acreditar que alguém nos tem tentado
gozar, e esconder de nós qualquer entendimento do real significado
do episódio?
Estou seguro que muitos leitores, neste momento, notaram a sucessão
de eventos:
1 Jesus Cristo é ungido com nardo, como um novo Messias;
2 Alguém fica desapontado com aquela unção pública;
3 Judas, o traidor, corre para os sacerdotes principais;
4 No dia Jesus Cristo faz uma entrada messiânica em Jerusalém,
durante a qual as pessoas o acolhem como o Rei de Israel;
5 Na véspera do feriado, à noite, Jesus reúne
os seus discípulos, providos com espadas, no Monte das Oliveiras.
Eles esperam que a sua acção seja seguida pelos muitos milhares
das pessoas que vieram a Jerusalém para a grande Páscoa dos
Judeus;
6 Seiscentos soldados Romanos, informados por Judas do lugar e horas
da assembleia revolucionária, chegam, e, depois de uma pequena luta,
prendem Jesus;
7 O homem é julgado pelos Romanos e condenado à morte;
8 Ele é crucificado por ser um rebelde.
Assim, e quanto à acção
de Maria? Agora a resposta é muito simples: era uma falsa unção
Messiânica, uma declaração pública da chegada
do Messias de Israel, o Rei dos Judeus. Essa é a razão para
as reacções dos de que não concordavam com as visões
e opiniões movimentos Messiânicos, como os Essénios
e Zelotas. Muitas pessoas, na Palestina de dias de Jesus, pensavam que
as ideias dos movimentos Messiânicos eram muito perigosas: "Se o
deixámos assim, todos crerão nele, e virão os Romanos,
e tirar-nos-ão o nosso lugar e a nação." diz um dos
sacerdotes principais, e o Sumo Sacerdote continua: "nem considerais que
nos convém que um homem morra pelo povo, e que não pereça
toda a nação" (Jo 11, 48-50).
E acerca de Judas?
O que é mais lógico que
entender como ele estava preocupado quando percebeu que nem toda a gente
em Jerusalém concordava com os planos revolucionários dos
partidários de Jeová? Por ocasião do banquete na casa
de Simão, quando Jesus foi ungido na presença de sacerdotes
e Fariseus, ele viu quanta resistência política havia à
ideia de uma revolução Messiânica. Essa é a
razão porque começou a acreditar seriamente que a façanha
não ia ter nenhuma esperança de sucesso, e o perigo de ser
preso e crucificado pelos Romanos ser agora muito real. De qualquer maneira,
não teve sucesso em salvar a sua vida: os outros partidários
que conseguiram escapar da prisão montaram-lhe uma armadilha; e
alguns horas depois ele foi morto e as suas vísceras espalhadas
no solo como uma advertência para todos os traidores.
8 S. Paulo, o inventor da nova religião Cristã.
Pouco depois da execução
do aspirante a Messias, um certo Saulo, um Hebreu que nasceu e cresceu
na Anatólia, e estava acostumado a viver junto com pagãos,
e que preferia concordar com não-circuncidados a colidir com eles,
percebeu a louca periculosidade da interpretação tradicional
e radical que os Essénios e os Zelotas faziam das profecias Messiânicas;
de acordo com eles, o conflito directo com o enorme poder de Roma e dos
aliados Hebreus (a casta dos Saduceus e a família de Herodes) conduziria
à vitória por causa do apoio do próprio Jeová.
Saulo, a quem nós chamaremos
S. Paulo, estava completamente consciente da possibilidade de que os Romanos
poderiam depressa se fartar desta pequena mas indomável província
do seu império, e podiam decidir acabar com isto. Até mesmo
os Saduceus compartilhavam essa opinião, dado que eles estavam numa
posição muito confortável: protegidos pelos Romanos,
sendo também ricos e tendo grande influência e prestígio
na sociedade Judaica. Já citamos as palavras do Sumo Sacerdote,
que falou do seu medo em relação à possível
reacção dos Romanos contra o fundamentalismo Judeu. Ele teve
razão: o medo que os Saduceus e Paulo e o Fariseus tinham, tornou-se
literalmente verdadeiro quando, no ano 70, os Romanos realmente decidiram
acabar com a Judeia. Eles massacraram milhares e milhares de Judeus, destruíram
Jerusalém, saquearam o templo e arrasaram-no.
A princípio, compartilhando as
visões dos conservadores Hebreus, Saulo o Fariseu era um obstinado
perseguidor dos perigosos partidários das seitas Messiânicas
(pseudónimo dos cristãos; por favor note que a palavra "cristão"
é simplesmente a tradução para o Grego do Hebreu "messiânico");
então, com o passar do tempo, ele percebeu que desta maneira o fanatismo
nacional-religioso das seitas Essénias e Zelotas não refrearia.
Infelizmente, ainda hoje em dia vemos que não há nenhuma
arma que possa levar a melhor o fundamentalismo étnico-religioso.
Assim, Saulo convenceu-se que opor armas
à pureza étnico-religiosa é inútil; só
se arrisca a obter o efeito oposto; ideias devem ser lutadas com ideias.
De facto, o fanatismo étnico-religioso satisfaz uma necessidade
psicológica que está directamente relacionada com sentimentos
inconscientes de identidade e orgulho popular; a única coisa que
pode competir com isso é outra imagem psicológica, outra
ideia feita à medida para satisfazer as necessidades inconscientes
de pessoas, para lhes dar uma identidade e um respeito próprio que
é mais que o sentindo tribal de fazer parte de um determinado grupo.
Então, o único modo de
lutar contra a perigosa esperança messiânica da salvação
nacional-religiosa de Israel era criar uma nova esperança messiânica
de salvação, ainda maior, ainda mais susceptível às
necessidades psicológicas do povo: a ideia de uma salvação
espiritual universal, de um Messias que não iria salvar a pequena
casa de Israel mas toda a humanidade, especialmente os pobres, os humildes,
os oprimidos, os fracos, os doentes, os sofredores, da sua sujeição
ao mal.
Assim, Saulo inventou a nova imagem
do Messias (fictício, mas ganhador): Jesus Cristo, ressuscitando
da morte. Ele compôs esta imagem enxertando sobre os restos do velho
Messias (real, mas politicamente fracassado), que continuava a incitar
o ardor e a esperança dos seus seguidores irredutíveis, o
carácter do Salvadores espirituais orientais, como o Grego Soter,
o persa Saoshyant, e o indiano Buda.
Foi a composição teológica
mais genial posta em prática desde o tempo em que a história
começou. Era o encontro sincrético de vários componentes
religiosos: Hebreu, Egípcio, Helénico, Persa e Indiano. Destinado
a tornar-se o guia espiritual do subsequente desenvolvimento de toda a
civilização ocidental. Conseguiu mesmo derrubar o Império
Romano pagão (ao contrário sua contraparte histórica).
Não que Saulo se convertesse
no caminho para Damasco, mas a ideia Cristã revelou uma nova dimensão,
não apenas para o futuro de Israel, mas para o futuro da humanidade.
Quando esta revisão teológica
e ideológica foi feita, originou uma resposta muito mais popular
que a fé original no aspirante Messias de Israel e seus seguidores;
e os tradicionalistas Hebreus (devotos à sua ideia nacional-religiosa)
foram vistos como um obstáculo para o desenvolvimento da nova ideia
supra-nacional. Além disto, também a imagem do aspirante
Messias histórico dos Judeus e a sua imolação patriótica
se tornaram um obstáculo para a imagem do Messias universal, apolítico,
somente espiritual, que prometeu salvação no reino dos Céus,
não na terra.
Os novos Cristãos também
foram perseguidos pelos Romanos porque eles não podiam esquecer
que o Messias original era um perigoso mártir do movimento de libertação,
que podia até mesmo contagiar outras nações súbditas
do seu Império com as suas ideias.
É esta a razão porque
os Evangelistas foram absolutamente compelidos a distanciar-se dos Judeus
e transformar a responsabilidade dos Romanos na responsabilidade dos Judeus.
É devido a isto que as histórias dos Evangelhos estão
cheias de truques, com o propósito de reajustar a imagem do Messias
na nova teologia.