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Desde sua origem, o budismo imbuiu-se de elementos éticos, filosóficos e religiosos. Para se compreender a extensão desse sistema, é necessário que se conheça a literatura canônica do budismo, que se divide em três coleções: o cânon páli, conservado pelos budistas do sudeste asiático, o cânon sino-japonês e o tibetano. Uma visão mais completa exige a leitura de outros textos em sânscrito, manchu, mongol e em vários dialetos da Ásia central, como o tangut. Muitos estudiosos ocidentais consideram o cânon páli como repositório dos mais antigos textos do budismo, mas isso foi contestado por Jean Prziyluski e por orientalistas japoneses, liderados por Shoko Watanabe. A composição do cânon páli, de acordo com a tradição, começou logo depois da morte de Siddharta Gautama, tendo chegado à ilha de Ceilão (atual Sri Lanka) no século III a.C. Na verdade, entram nesse cânon textos compostos em diversas épocas, sendo os mais recentes escritos no século V da era cristã. Do Ceilão foi levado para a Birmânia (atual Myanmar), a Tailândia e o Camboja. Compreende três partes: uma coleção de regras monásticas, uma outra de sutras ou sermões atribuídos a Buda e a coleção de comentários filosóficos. O cânon sino-japonês é muito mais extenso, pois encerra, além dos textos correspondentes ao páli, uma série de outras obras. Também divide-se em três coleções e sua elaboração teve início no século I da era cristã, com a tradução para o chinês dos primeiros textos sânscritos. O cânon tibetano teve sua formação no século VII e foi concluído no século XIII. Compreende duas partes. A primeira contém os sermões de Buda e as regras monásticas; a segunda inclui os tratados filosóficos e uma série de comentários, poemas, crônicas e textos de medicina e astrologia.
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