Cristianismo
 
 
Arte religiosa 
A
Arte cristã 
           No Ocidente, depois da difusão por todo o Império Romano de uma nova religião, o cristianismo, a arte viveu ligada à religião até a época contemporânea. A primitiva arte cristã cristalizou-se nas pinturas das catacumbas, na construção de basílicas e em relevos de sarcófagos de pedra. 
          A arte cristã medieval -- tanto o românico como o gótico, que se estendeu por quase toda a Europa -- deveu em grande parte seu desenvolvimento à difusão da ordem beneditina depois das reformas de Cluny e Cister, que se basearam nas formas artísticas para divulgar a doutrina cristã entre a imensa maioria da população carente de cultura. Alguns de seus exemplos mais impressionantes são a desaparecida abadia de Cluny, as catedrais de Chartres e Santiago de Compostela, os afrescos catalães românicos, os códices com suas iluminuras, os vitrais de estilo gótico e a pintura flamenga a óleo. 
          A arte renascentista cristã resultou da combinação das doutrinas cristãs com a nova mentalidade humanista, que resgatara a filosofia clássica. Embora alguns analistas interpretem a arte do Renascimento como profunda paganização, obras arquitetônicas como a basílica de São Pedro, pinturas como os afrescos da capela Sistina ou as telas executadas por El Greco demonstram a importância do cristianismo na cultura renascentista. A sacralização da arte chegou a seu apogeu no barroco, época de exaltação religiosa no catolicismo, com os arquitetos Gian Lorenzo Bernini e Francesco Borromini e pintores como Caravaggio, mestre do claro-escuro. A espiritualidade artística estendeu-se também aos distantes territórios dominados pelas potências européias, como se pode apreciar nas catedrais barrocas americanas. 
          No Brasil, um dos representantes da arte religiosa foi Antônio Francisco Lisboa, dito o Aleijadinho. Esse escultor e arquiteto, que nasceu e morreu em Ouro Preto MG, tinha mais de sessenta anos quando realizou suas obras mais consagradoras: as 66 figuras em cedro que compõem os passos da Via Crucis (1796-1799) no santuário da igreja de Nosso Senhor Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas MG e o conjunto escultural dos 12 profetas (1800-1805), no adro da mesma igreja. 
          Entretanto, a partir do século XIX, a difusão de idéias divorciadas dos aspectos religiosos, como as de Karl Marx, Friedrich Nietzsche ou Charles Darwin, o agravamento dos problemas sociais e a progressiva implantação de uma mentalidade mais científica, racional e realista, contribuíram para a secularização da arte ocidental, cujas manifestações religiosas ficaram quase relegadas apenas ao imaginário popular. 
  
          Pietá, de Michelangelo (1499). A representação da Virgem Maria sustentando o corpo de Cristo morto, conhecido como Pietá, é um dos temas mais constantes da iconografia cristã (Basílica de São Pedro, Vaticano.
 
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