O Mercosul
INTRODUÇÃO
Desde 1º de janeiro de 1995, Argentina, Brasil Paraguai e Uruguai, os países membros do Mercosul (Mercado Comum do Sul), passam a cobrar tarifas idênticas nas suas importações. Agora você vai conhecer melhor o Mercosul, que já é considerado o maior bloco econômico do mundo, desde seu histórico até países membros. Analisando a posição do estado do Rio Grande do Sul e sua economia.
HISTÓRICO
A integração na América Latina no âmbito histórico tem-se demonstrado muito atraente no plano político, mas com as dificuldades quase sempre não se converteram em uma realidade prática, várias tentativas foram realizadas.
O que se pode observar nos últimos anos foram profundas transformações que
ocorreram e que estão ocorrendo pelo mundo, com isso há um avanço em todos os
mecanismos de integração já conhecidos.
Com isso, em 1947, surge o
tratado interamericano de ajuda recíproca (TIAR); em 1960, a Associação
Latino-Americana de Livre Comércio – ALALCA; em 1961, a Assistência Recíproca
Petroleira Estatal Latino-Americana; e, 1968, a Associação Latino-America de
Instituições Financeiras para o Desenvolvimento; em 1969, o Grupo Andino; em
1975, o Sistema Econômico Latino-Americano – SELA; em 1980, a Associação
Latino-America de Integração – ALADI; e a partir de 1991 o Mercosul.
Durante décadas, boa parte do crescimento da maioria dos países da América
Latina teve uma influência do modelo da Comissão Econômica para a América
Latina e o Caribe, e tinha como base a substituição das importações, com a
ajuda de um Estado Centralizador e indutor do processo de industrialização e
de produção.
Mas no início da década de 80, em meio aos problemas da dívida externa e do
impacto crescente da globalização dos mercados, além da importância de novas
tecnologias, este modelo desmoronou-se.
Com o processo de redemocratização
de vários países do continente, fez com que antigas rivalidades não
existissem mais ou quase todas, levando várias nações como a Argentina e o
Brasil a defender literalmente a integração da América do Sul, levando-se em
conta a proximidade geográfica e as afinidades culturais.
A década de 90 iniciou-se com uma clara tendência para a segmentação da
economia mundial em blocos regionais, tirando as tradicionais negociações
multilaterais entre os países, pelo agrupamento de países menos
industrializados ao redor de um ou mais países industrializados (centrais).
É importante citar que na América Latina, esta integração intra-regional e
acelerou-se e foi acompanhada por uma abertura e liberalização comercial
diante das demais regiões do mundo.
Este processo teve um grande apoio do governo Norte-Americano, que formulou
“Iniciativa para as Américas”, assim sendo, as relações econômicas entre
os Estados Unidos e a América Latina.
Outro
fato importante desta década é que a América Latina recebeu grande parte dos
investimentos estrangeiros realizados em países em desenvolvimento: 80% em 1990
que totalizaram em 1991, trinta e seis bilhões de dólares. Depositando uma
confiabilidade no sistema financeiro internacional na região.
Os blocos regionais de comércio tornaram-se verdadeira moda - ou, talvez, uma
epidemia econômica nestes tempos de reestruturação econômica. Assim, temos a
Comunidade Econômica Européia, que gravita em torno de três países-chaves:
Alemanha, França e Reino Unido; a América do Norte, em torno dos Estados
Unidos da América, e o Extremo Oriente, em torno do Japão.
Um dos objetivos principais da consolidação desses blocos é substituir a
concorrência entre nações pela concorrência entre regiões, mas há toda uma
estratégia de defesa para a formação de outros blocos de mercado, garantindo
a sobrevivência dos que já existem.
Em virtude disso nas Américas, também há tentativas de obter a formação de
alguns blocos regionais como o acordo entre os Estados Unidos, México e Canadá
– o NAFTA; O tratado de Assunção que define o Mercosul, o acordo “quatro
mais um” entre os países integrantes ao Mercosul e os Estados Unidos, além
de no futuro alguns países do Pacto Andino também integrarem o Mercosul no
futuro.
O Mercosul - Mercado Comum do Cone
Sul - é mais uma tentativa integracio-nista que se faz na América Latina,
envolvendo o Brasil, a Argentina, o Paraguai e o Uruguai, possibilitando, em
caso positivo, aumento do mercado consumidor, além de maiores chances de
participação na economia mundial.
Devido a sua proximidade cultural e de formação do Estado e da nacionalidade, o Mercosul, caso se superem as dificuldades econômicas, políticas e jurídicas pecu-liares a países em desenvolvimento, que buscam sua adaptação aos tempos modernos, poderá vir a ser um projeto comunitário dotado de grande vitalidade social e cultural.

VANTAGENS
DO MERCOSUL
-
O Brasil conta com um grande e desenvolvido parque industrial, que supera os
outros 4 países do bloco.
-
O turismo, que em Santa Catarina atrai uma grande quantidade de Argentinos no
período de verão; com o Mercosul cria-se uma integração maior neste setor.
-
A entrada de produtos dos outros países com baixo custo que até certo ponto
pode ajudar com que exista uma queda de preços já que existe uma competição
pelo melhor preço e qualidade.
-
As empresas de nosso estado e nossa região, como Sadia e Perdigão que poderão
cada vez mais expandir seus mercados, já com o bloco de uma forma mais fácil.
-
Os países do Mercosul começarão a despertar maiores interesses para
investimentos estrangeiros fazendo com que a economia de cada país cresça
ainda mais.
DESVANTAGENS
DO MERCOSUL
-
A agricultura Argentina que possui vantagens em relação à brasileira, pois
seus solos são mais férteis que os nossos.
-
A língua, que pode se tornar um entrave. Já que 4 países falam espanhol, mas
o Brasil que fala português possui a maior população.
-
A moeda única, que como a língua, se não for bem discutida poderá tornar-se
um problema para o desenvolvimento do Mercosul.
-
A cultura, que fica ameaçada por haver vários contrastes de país para país e
possivelmente um conflito neste setor. Por vivenciar a cultura de outro país, a
do nosso país pode perder sua importância.
-
A infra-estrutura, já que a Argentina e o Chile contam com boas rodovias e
portos bem equipados, excelentes para o escoamento da produção.
Formação
do MERCOSUL
As
relações comerciais entre Brasil e Argentina já vinham desde a década de 70.
Em julho de 1986, em Buenos Aires, foi firmada a Ata para a integração
argentina-brasileira que instituiu o Programa de Integração e Cooperação
Econômica - PICE. O objetivo do programa era o de proporcionar um espaço econômico
comum, com a abertura seletiva dos respectivos mercados e o estímulo à
complementação econômica de setores específicos dos dois países.
Os
resultados promissores das medidas então tomadas, levaram à celebração, em
1988, do Tratado de Integração, Cooperação e Desenvolvimento, pelo qual os
países expressaram o desejo de constituir, no prazo máximo de 10 anos, um espaço
econômico comum, por meio da liberalização integral do intercâmbio recíproco,
para o que se celebraram 24 protocolos específicos, em áreas como bens de
capital trigo, produtos alimentícios, industrializados, etc.
Um
novo e decisivo impulso foi dado com a assinatura, em 06 de julho de 1990, pelos
presidentes Collor e Menem, da ata de Buenos Aires, que fixou a data de 31 de
dezembro de 1994 para a formação definitiva de um mercado comum entre os dois
países. Em agosto do mesmo ano, com era de se esperar, Paraguai e Uruguai
aderiram ao processo em curso, o que culminou na assinatura do Tratado de Assunção,
em 26 de março de 1991, para a constituição do Mercado Comum do Sul -
MERCOSUL, ratificado em 17 de dezembro de 1994 pelo protocolo de Ouro Preto.
Chile
e Bolívia são os novos parceiros do MERCOSUL. A adesão desses países foi
formalizada em 25 de junho de 1996, em encontro realizado na cidade de San Luís
(Argentina), que reuniu os presidentes Fernando Henrique Cardoso (Brasil),
Carlos Menem (Argentina), Julio Sanginetti (Uruguai), Juan Carlos Wasmosy
(Paraguai), Eduardo Frei (Chile) e Gonzalo Sanches de Lozada (Bolívia).
A
evolução dos acontecimentos demonstra a maturidade da idéia de integração
da América Latina. Por outro lado, a condução prudente do processo de integração
subregional mostrou um modo eficaz de se conduzir a união econômica definitiva
de todo o continente, iniciando-se por países próximos geográfica e
historicamente, para expandir-se com a adesão de outros, na medida em que forem
se consolidando os avanços programados.
PERSPECTIVAS
DO MERCOSUL
O Mercosul aprofundado, com uma moeda única, um parlamento, forças armadas conjuntas, é visto como inevitável. Baseados nas atuais tendências políticas mundiais, se nenhuma guerra ou uma revolução alterarem o atual sistema econômico, analistas, políticos, diplomatas, jornalistas e economistas sustentaram que daqui a quatro décadas, graças à velocidade das comunicações e da globalização.
Partidos
e política – Nos
próximos 40 anos, o Mercosul aprofundará a democracia. Os partidos políticos
solidificarão seus laços com partidos dos países vizinhos. Nada se decidirá
no parlamento de um país se não estiver previamente combinado com os dos países-sócios.
Parlamento do Mercosul – Essa transnacionalização estimulará a criação de um Parlamento do Mercosul. Como na Europa, existirá um parlamento do Mercosul com funções e atribuições concretas, que coexistirá com os parlamentos nacionais”.
Posição
estratégica do Rio Grande do Sul no Mercosul
Situado
entre São Paulo e Buenos Aires - e tendo fronteiras com Uruguai e Argentina -,
o Rio Grande do Sul tem uma posição estratégica no Mercosul. Está no centro
(meio) de uma região do continente onde se concentra 60% de toda a economia da
América Latina. O seu Produto Interno Bruto é similar ao chileno e corresponde
a cerca de 7% do brasileiro.
Políticas
oficiais de investimentos crescentes em educação e saúde e um padrão
cultural mais elevado que a média nacional também garantem ao Estado uma tradição
de ter a melhor qualidade de vida do país, com níveis próximos aos de países
desenvolvidos.
Entre 1990 e 1993, a expectativa de vida dos gaúchos aumentou, enquanto a
mortalidade infantil teve uma redução significativa. Também se trata do
Estado com o maior índice de alfabetização do país.
Economia
exportadora do RS
A
economia gaúcha é muito equilibrada. O Estado é um tradicional exportador,
contribuindo com mais de 11% da receita cambial obtida pelo Brasil.
Os seus principais produtos de exportação são os calçados - que têm no Vale
do Sinos, região polarizada por Novo Hamburgo, uma das maiores concentrações
industriais desse gênero em todo o mundo -, o complexo soja (grão, farelo e óleo),
fumo, carne, couro, produtos químicos e automotivos. O Estado também é o
maior produtor de grãos do Brasil, com destaque para a soja e arroz; de fumo e
vinho.
No segmento pecuário a criação bovina é uma das mais desenvolvidas, enquanto
detém o maior rebanho de ovinos, aves e suínos. O setor industrial é um dos
mais diversificados.
O Pólo Petroquímico situado na cidade de Triunfo é o mais moderno e
competitivo da América Latina. Com sua central de matérias-primas (Copesul)
privatizada nos últimos anos, iniciou um grande investimento de US$ 1 bilhão,
que resultará em sua duplicação, proporcionando o surgimento de mais quatro
unidades de segunda geração e grandes perspectivas para o desenvolvimento da
terceira geração no Estado.
A produtividade da mão-de-obra local também é uma das mais altas do país,
graças a um grande complexo de universidades (há 79 instituições de ensino
superior no Estado), escolas técnicas profissionalizantes e a um intenso
trabalho de formação profissional desenvolvido por instituições privadas
ligadas à indústria, com destaque para o Senai.